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21 de novembro de 2016
por Adalberto de Bruyn
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Nenhum país está no rumo certo para conter aquecimento abaixo de 2ºC, diz relatório

UOL

Nenhum país está alterando sua matriz energética suficientemente rápido para manter o aquecimento global abaixo de 2 graus Celsius, segundo um ranking de 58 nações responsáveis por 90% das emissões de CO2 relacionadas com combustíveis fósseis, divulgado em 16 de novembro.

Apesar do aumento da produção de energias renováveis, especialmente solar e eólica, “a revolução energética necessária ainda está acontecendo muito lentamente”, destacou o Índice de Desempenho de Mudanças Climáticas de 2017, apresentado paralelamente à conferência da ONU sobre o clima em Marrakesh (COP22).

A avaliação anual das políticas e ações nacionais para deter o aquecimento global revelou que a União Europeia passou de líder para atrasada, com exceção de alguns de seus Estados-membros.

A França ficou no topo da lista, em parte devido ao seu papel na condução do histórico Acordo de Paris, assinado na capital francesa em dezembro passado.

A Suécia e o Reino Unido levaram a prata e o bronze, devido, principalmente, a políticas postas em prática por governos que já não estão no poder.

Canadá, Austrália e Japão ficaram na parte inferior do ranking, embora as recentes mudanças de governo em Camberra e Ottawa permitam antecipar futuras melhorias.

Os Estados Unidos, o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo depois da China, obtiveram uma classificação “pobre”, perdendo terreno em todas as categorias, segundo o relatório.

Se o presidente eleito, Donald Trump, levar adiante as ameaças de retirar os Estados Unidos do pacto de Paris, a posição americana no ranking certamente cairá mais.

Até a China – que reduziu drasticamente o seu consumo de energias fósseis enquanto constrói instalações para produzir energia solar e eólica – obteve uma marca ruim, ficando no 48º lugar entre as nações.

“Os governos nacionais não têm mais desculpas para não consagrar o Acordo de Paris na legislação nacional”, disse Jan Burck, da organização Germanwatch, principal autor do relatório.

O fato de o crescimento das energias renováveis continuar em ritmo acelerado apesar dos baixos preços do petróleo é um sinal positivo, acrescentou.

“Até agora, a queda nos preços do petróleo não causou um aumento na demanda por essa fonte de energia, ao mesmo tempo em que um número crescente de países está começando a virar as costas para o carvão”, disse Burck.

No Acordo de Paris, 196 países se comprometem a limitar o aquecimento global bem abaixo de 2ºC e, se possível, abaixo de 1,5ºC.

21 de novembro de 2016
por Adalberto de Bruyn
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Príncipe William faz alerta sobre a extinção das espécies no Vietnã

G1

O príncipe William da Inglaterra fez  um alerta ao planeta recentemente para uma conscientização sobre o ritmo “horrível” da extinção das espécies.

Em uma conferência internacional em Hanói, no Vietnã, sobre o tráfico ilegal de espécies selvagens, William pediu aos governos de todo o mundo que atuem com agilidade para salvar as espécies mais vulneráveis antes que seja tarde.

“Sabemos que não estamos nos movimentando de maneira suficientemente rápida para enfrentar a crise. Rinocerontes, elefantes, pangolins e leões continuam sendo caçados em quantidades horríveis”, disse.

“Apesar de alguns progressos, a verdade é que estamos ficando para trás”, advertiu.

Dados recentes revelam uma queda de 30% da população de elefantes na África nos últimos sete anos, o que de acordo com o príncipe “confirma nossos piores temores”.

O Vietnã é considerado um país de trânsito para o tráfico de animais e produtos derivados de sua exploração como marfim, chifres de rinoceronte e peles de ursos e tigres.

O país também é consumidor de tais produtos, procedentes em sua maioria da África e também destinados a China e outros mercados asiáticos.

21 de novembro de 2016
por Adalberto de Bruyn
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COP 22 foi ponto de partida para colocar em prática Acordo de Paris, avalia MMA

Agência Brasil

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou uma avaliação preliminar do governo brasileiro sobre a 22ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima (COP 22), que terminou na sexta-feira (18) em Marrakesh, no Marrocos. No final da tarde, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, reuniu-se com o negociador-chefe da delegação brasileira, o embaixador José Antônio Marcondes, e assessores para fazer um balanço a respeito das discussões e resultados do evento.

O documento, ainda preliminar, aponta que, a COP21 pode ser descrita como um “ponto de chegada” que finalizou uma longa negociação sobre o papel dos países na mitigação do aquecimento global ao adotar o Acordo de Paris. Já a COP22, representa um “ponto de partida”, com foco na definição do chamado “livro de regras”, que estabelecerá como será a implementação das obrigações assumidas em Paris.

O informe também expõe a posição adotada pelos representantes brasileiros na Conferência, como a visão de que o Acordo de Paris é irreversível e de que é necessário acelerar os trabalhos para que ele seja implementado. Além disso, aponta a necessidade, debatida na COP 22, de os países desenvolvidos ampliarem seu nível de financiamento, definindo um “mapa do caminho” que demonstre como se chegará ao objetivo dos US$ 100 bilhões anuais em 2020.

O Brasil participou da COP com 271 delegados, entre representantes do governo, da academia, de entidades privadas e de organizações não governamentais. No total, foram 87 participantes ligados ao governo – incluindo 16 parlamentares – e 184 da sociedade civil.

17 de outubro de 2016
por Adalberto de Bruyn
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O que diz o novo acordo para reduzir o efeito estufa – e o que ele tem a ver com a sua geladeira?

G1

Delegados de 150 países chegaram no sábado (15) na cidade de Kigali, Ruanda, a um acordo que tem sido descrito como “monumental” e uma grande vitória para o clima.

Seu objetivo é remover gradualmente os gases hidrofluorocarbonetos (HFCs), que são amplamente utilizados em refrigeradores, condicionadores de ar e aerossóis e são considerados muito prejudiciais para o meio ambiente.

Na verdade, em termos práticos, o acordado na conferência em Ruanda fará com que futuros refrigeradores sejam fabricados para usar menos gases que causam o efeito estufa.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PENUMA), os hidrofluorocarbonetos são um dos maiores agentes geradores de efeito estufa e têm uma vida atmosférica longa.

Os delegados que estão na cidade africana aceitaram uma alteração complexa do Protocolo de Montreal de 1987 que obriga os países mais ricos a reduzir a utilização de HFCs a partir de 2019.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que ajudou a concretizar o acordo durante uma série de reuniões, disse que foi uma grande vitória para a Terra e que estava confiante do impacto significativo na luta contra o aquecimento global.

“Este é um passo monumental que responde às necessidades das nações em particular e nos dá a oportunidade de reduzir o aquecimento do planeta em meio grau centígrado”, disse Kerry em conversa com a BBC.

“Sinto-me muito positivo sobre onde nós estamos. Nós fizemos todos os cálculos e todos se sentem confiantes de que os fundamentos estão lá”, disse.

“É uma grande vitória para o clima. Demos um grande passo no sentido de concretizar as promessas feitas em Paris em dezembro”, disse o Comissário Europeu para a Energia e Ambiente, Miguel Arias Cañete.

Ricos primeiro

O novo acordo será composto de três padrões para diferentes países, pois o objetivo é que as nações ricas reduzam a utilização de hidrofluorocarbonetos de forma mais rápida do que as pobres:

“É um dia histórico, certamente,” disse Durwood Zaelke, membro do Instituto para o desenvolvimento sustentável e governabilidade (IGSD, na sigla em inglês), organismo que tem participado das negociações desde o Protocolo de Montreal.

“Nós viemos com a ideia de conseguir a redução intermediária e vamos partir de Kingali com cerca de 90% das modificações feitas”, disse o especialista.

Comprando tempo

Se o acordo for implementado na íntegra, vai fazer uma grande diferença no que diz respeito ao aquecimento global.

“Os hidrofluorocarbonetos representam uma ameaça imediata para a segurança do clima devido à sua crescente utilização e alto potencial de causar o aquecimento global, que é milhares de vezes maior do que o dióxido de carbono”, disse Benson Ireri, conselheiro sênior da organização britânica de ajuda humanitária Christian Aid.

“Ao acordar uma redução inicial de hidrofluorocarbonetos, estamos comprando um pouco mais de tempo para obter uma economia global de baixo carbono e para proteger as pessoas mais vulneráveis do mundo”, acrescentou.

O mercado

Os defensores insistem que o acordo alcançado em Kigali vai ficar sobre o fundamento posto pelo Acordo de Paris, que foi assinado por mais de 190 países e entrará em vigência no início de novembro. O acordo foi firmado com o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a menos de 2 graus Celsius.

O acordo significa que refrigeradores utilizarão gases menos nocivos no futuro.

Também se destacam as conquistas do Protocolo de Montreal, que em seus 30 anos de história permitiu a eliminação de 100 gases fluorados.

A premissa é que quando o regulamento for aprovado, a indústria desenvolva rapidamente alternativas.

“O mercado vai inundar a Índia (que tem um prazo de adaptação mais longo) e isso fará com que o país faça a transição muito mais rapidamente do que tem sido planejado”, disse Durwood Zaelke.

“A eliminação gradual sempre conduziu a uma transição no mercado, levando os retardatários a se sentirem obrigados a se mover no ritmo do mercado.”

Questionamentos

Mas alguns críticos indicam que o compromisso teria um impacto menor do que o esperado.

Eles questionam as concessões dadas para Índia e China, porque elas, em sua opinião, enfraquecem o impacto global do acordo.

“Eles precisavam chegar a um acordo aqui para que parecesse como legado de Obama. É por isso que a delegação dos EUA tem sido muito agressiva para que China e Índia a adiram ao acordo”, disse Paula Tejon Carbajal, da ONG Greenpeace International.

“É um passo na direção (redução) de 0,5 grau, mas ainda não foi alcançado. Eles dizem que o mercado vai trabalhar para nos levar até lá, mas nós não estamos lá ainda”, acrescentou.

Nas primeiras horas do sábado havia um certo sentimento de júbilo entre os delegados quando o negócio foi anunciado.

“É muito importante o que aconteceu”, disse um participante, “mas poderia ter sido maior.”

O que é o efeito estufa?

O efeito estufa é um fenômeno atmosférico natural que mantém a temperatura da Terra, ao reter parte da energia do sol. O aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) a partir da queima de combustíveis fósseis levou à intensificação do fenômeno eo consequente aumento da temperatura global, o derretimento do gelo polar eo aumento do nível do mar.

17 de outubro de 2016
por Adalberto de Bruyn
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Uso incorreto de agrotóxicos é a principal causa da morte de abelhas

G1

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) divulgaram o primeiro resultado do mapeamento sobre mortandade de abelhas no Estado de São Paulo.

De junho de 2015 até maio deste ano, as equipes analisaram 13 apiários em cidades como Araras, Rio Claro, Leme, Mogi-Mirim, Artur Nogueira e Santa Rosa de Viterbo e concluíram que a principal causa da morte desses insetos é o uso incorreto de agrotóxicos.

“Nós observamos que 70% dos casos estavam relacionados com os defensivos agrícolas. Eles usam, por exemplo, acima do recomendado, eles usam em locais em que não deveria ser usado, eles misturam muito os produtos e toda vez que você vai fazer uma aplicação você não pode misturar o produto”, explicou o biólogo Osmar Malaspina, que integra o estudo financiado pelo Sindicato Nacional dos Produtores de Defensivos Agrícolas.

Divulgação/SXC/EcoIn.

Divulgação/SXC/EcoIn.

Perdas 

De seis anos para cá, os relatos de perda de colmeias se tornaram mais comuns. Há 4 anos, 5 milhões de abelhas morreram em Santa Cruz da Conceição. Entre 2012 e 2013, o mesmo aconteceu em Gavião Peixoto e, em 2014, dez apicultores de Leme perderam centenas de colmeias.

Neste ano, em Araras, mais de cem mil insetos do apicultor João Franco morreram. Agora, só 14 das 30 colmeias continuam ativas.

“Eu calculo [um prejuízo] de R$ 3 mil a R$ 4 mil entre as abelhas que morreram, material que eu perdi e não posso por mais abelha nesse material porque ficou contaminado e o preço do mel todo que eu deixei de tirar por causa da mortalidade”, disse Franco.

A morte das abelhas não traz prejuízo só para apicultores. Segundo o pesquisador, esses insetos são responsáveis por mais de 70% da polinização de várias culturas e garantem quase a metade da produção de alimentos no mundo.

Nova fase

A conclusão final do estudo vai ser divulgada em 2018 e agora que a primeira fase do mapeamento está pronta, Malaspina diz que a ideia é conscientizar apicultores e agricultores.

“Se ele começar a usar mais corretamente, nós vamos evitar outros tipos de contaminação também, não só para as abelhas como outras espécies e a própria saúde do homem”, afirmou.

É o que também espera Franco. “Se o pessoal respeitasse as regras do agrotóxico, acho que dava para a gente trabalhar com a abelha e eles com a lavoura”.

Contato 

Apicultores e agricultores que encontrarem abelhas mortas podem ligar para o telefone 0800 771 8000. Uma equipe de pesquisadores vai ao local indicado para obter amostras e os insetos recolhidos ajudarão no mapeamento.

São Carlos

Além das perdas no campo analisadas pelos pesquisadores, apicultores de São Carlos relataram neste ano perdas na área urbana. Nesses casos, como os insetos morreram após ações de nebulização, os produtores acreditam que o problema está no produto usado para pulverizar o ambiente e combater o Aedes aegypti.

O veterinário e apicultor Eduardo Constantino Perez contou que não foi orientado a retirar as abelhas que mantinha em sua clínica antes da pulverização e cerca de 90% dos insetos morreram.

“No dia em que passaram o veneno onde eu tinha as abelhas, morreram quase todos os enxames e, além disso, também notei que atingiu outros insetos que ficavam perto daquele espaço, então acreditamos que o problema tenha acontecido por conta desse veneno”, afirmou.

“Não é possível que elas tenham morrido do nada. Agora, todas as minhas abelhas rainhas se foram e a gente tem outros relatos de que outros apicultores também estão passando pelo mesmo problema”, disse apicultor Paulo de Chico após o fumacê em seu bairro.

Composição

De acordo com o Ministério da Saúde, os produtos utilizados no fumacê são o Malathion diluído em água, para as aplicações espaciais a Ultra Baixo Volume, e o Bendiocarb, usado em locais onde há concentração de depósitos preferenciais para a desova da fêmea do Aedes aegypti, como cemitérios, borracharias e depósitos de sucatas.

Para Malaspina, o Bendiocarb pode ter contribuído para a mortandade, já que tem alto grau de toxicidade para insetos. “Quando aplicado, esse produto permanece durante bastante tempo em plantas e é bastante utilizado para matar o mosquito do Aedes aegypti“, afirmou.

Ele explicou que o produto “atua sobre o sistema nervoso do inseto, inibindo a acetilcolinesterase, impedindo a hidrólise de acetilcolina e matando o inseto por hiperexcitação”. “É altamente prejudicial à saúde dos insetos”, disse.

Em nota, a Prefeitura de São Carlos afirmou que o produto usado nas nebulizações é aplicado somente no entorno de residências com casos confirmados de dengue, vírus da zika e chikungunya e que é repassado pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), vinculada ao Ministério da Saúde.

O ministério, por sua vez, afirmou que a aplicação de inseticidas a Ultra Baixo Volume (UBV) para uso em saúde pública é preconizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e obedece recomendações técnicas de dosagem e metodologias de aplicação.

“Essa técnica tem sido aprimorada com o desenvolvimento de inseticidas e equipamentos mais eficientes, permitindo o uso de quantidades menores de ingrediente ativo por hectare. Ou seja, aplicações a UBV permitem a fragmentação de uma pequena quantidade de ingrediente ativo, que será aplicado em um volume de ar infinitamente maior no espaço tratado. Estas gotas devido ao seu tamanho podem permanecer flutuando no ar por um período de tempo suficiente para entrar em contato com o vetor. É importante considerar que o uso desta medida, pelas suas características técnicas, não tem um impacto que possa ser classificado como duradouro e permanente e, conseqüentemente, possa ocasionar sérios prejuízos à fauna não alvo da operação, portanto com impacto bastante limitado”, disse a pasta.

O ministério informou ainda que, antes da OMS indicar os princípios ativos a serem utilizados no controle de vetores, eles são submetidos a uma rigorosa revisão bibliográfica, considerando aspectos relacionados à saúde humana e possíveis impactos ambientais. “Além disso, a OMS adota periódica ou excepcionalmente, se necessário, procedimentos para revisões da literatura, uma vez que novas informações sobre a molécula podem ter surgido no período. Este procedimento agrega segurança nestas indicações, uma vez que os ingredientes ativos estão sendo analisados e avaliados constantemente”.

17 de outubro de 2016
por Adalberto de Bruyn
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ONU pede adaptação da agricultura para evitar fome por mudança climática

Terra

A ONU chamou a atenção na sexta-feira para que sejam empreendidas ações urgentes que permitam adaptar a agricultura às mudanças do clima no planeta e evitar que este fenômeno cause mais crises de fome em um mundo onde quase 800 milhões de pessoas não têm o suficiente para comer.

Já que o Dia Mundial da Alimentação cairá este ano no próximo domingo, as agências das Nações Unidas em Roma aproveitaram a jornada desta sexta-feira para destacar que a agricultura e a alimentação terão que passar por adaptações por causa das mudanças climáticas.

Também se reuniram na capital italiana os representantes de 50 cidades para impulsionar um pacto em favor de políticas alimentares sustentáveis.

Durante a cerimônia central, o diretor da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, afirmou que as secas não podem ser evitadas, mas que é possível impedir que elas levem a crises de fome “se forem tomadas as medidas apropriadas”.

Diante de fenômenos naturais extremos cada vez mais frequentes, como o último furacão Matthew que destruiu parte do Haiti, Graziano indicou que a adaptação e a mitigação dos efeitos da mudança climática são “fundamentais”, especialmente para os pequenos agricultores, que necessitam ter acesso às inovações tecnológicas e aos programas sociais, entre outros recursos.

Calcula-se que mais de 80% da população que passa fome vive em países que sofrem desastres naturais e degradação ambiental.

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, considerou que, assim como a imigração, a pobreza e a fome são questões políticas que devem ser abordadas com “valores” e sem cair nos “egoísmos nacionais”.

Precisamente, o papa Francisco afirmou em mensagem lida pelo observador permanente da Santa Sé na FAO que as instituições nacionais e internacionais devem agir com “solidariedade” para garantir uma distribuição justa dos alimentos, “até quando a lógica do mercado segue outros caminhos”.

“Da sabedoria das comunidades rurais podemos aprender um estilo de vida que pode ajudar a nos defendermos da lógica do consumo e da produção a qualquer custo”, disse o papa, que denunciou o abandono que sofrem muitos camponeses, pescadores e criadores de gado afetados pela mudança climática.

Justo quando faltam algumas semanas para a próxima cúpula do clima em Marrakech, no Marrocos, a princesa deste país, Lalla Hasnaa, insistiu que agora os países devem cumprir o pacto que assinaram no ano passado em Paris e ajudar o continente africano a desenvolver sua agricultura e a melhorar sua segurança alimentar.

Além disso, os presentes no ato destacaram a necessidade de se erradicar a fome no mundo todo com medidas concretas e, assim, cumprir com um dos objetivos incluídos na agenda para o desenvolvimento sustentável estabelecida pela comunidade internacional para 2030.

Com políticas destinadas a reduzir o esbanjamento de alimentos, melhorar a nutrição da população e fomentar a agricultura urbana, cerca de 130 cidades de todo o mundo se uniram para desenvolver um pacto que foi assinado no ano passado em Milão, explicou o prefeito desta cidade italiana, Giuseppe Sala.

Responsáveis de quase 50 dessas cidades se reuniram em Roma para seguir trocando experiências em forma de rede.

Sala detalhou alguns esforços que estão sendo realizados para que os refeitórios escolares da cidade sejam abastecidos com alimentos produzidos em áreas próximas, para que as grandes cadeias possam redistribuir os excedentes de comida e para que haja água potável e alimentos saudáveis para todos.

Nas cidades, que ocupam apenas 3% da superfície terrestre, vive mais da metade da população mundial, o que influi fortemente no comércio de alimentos e na cadeia produtiva.

21 de setembro de 2016
por Adalberto de Bruyn
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Presidente destaca meio ambiente na ONU

MMA

O presidente Michel Temer defendeu ambição frente à mudança do clima no discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na terça-feira (20), em Nova York. Na ocasião, o presidente reiterou, ainda, o compromisso do País com o desenvolvimento sustentável e abordou assuntos como a questão internacional dos refugiados.

Marcada para ocorrer nesta quarta-feira (21), a entrega do instrumento de ratificação brasileira do Acordo de Paris sobre mudança do clima foi destacada pelo presidente. “O planeta é um só. Não há plano B. Devemos tomar medidas ambiciosas, sob o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, declarou Michel Temer.

A entrega da ratificação às Nações Unidas contará com a presença do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, que acompanha o presidente na viagem oficial a Nova York. O ato encerra a validação nacional do Acordo de Paris, tramitada e aprovada em tempo recorde pelo Congresso Nacional.

Potência ambiental

No plenário, o presidente ressaltou o potencial brasileiro em relação à conservação ambiental e ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono. “O Brasil, país mais biodiverso do mundo, detentor de matriz energética das mais limpas, é uma potência ambiental que tem compromisso inequívoco com o meio ambiente”, afirmou o presidente.

As medidas para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), para a implementação da Agenda 2030 e para a inclusão social foram apontadas como fundamentais para o País. “O apoio aos países em desenvolvimento será decisivo para a concretização dos ODS”, declarou Michel Temer. “Em uma palavra, desenvolvimento é dignidade – e a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos do Estado brasileiro, conforme previsto no artigo primeiro da nossa Constituição Federal”, acrescentou.

21 de setembro de 2016
por Adalberto de Bruyn
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Países debatem inclusão socioambiental

MMA

Referência mundial em termos de avanço em relação às iniciativas tradicionais de conservação ambiental, o programa Bolsa Verde, do governo brasileiro, será apresentado a representantes dos países panamazônicos reunidos em Brasília. O maior programa de inclusão social e preservação ambiental da América Latina é o assunto do I Seminário Panamazônico sobre Proteção Socioambiental, que iniciou nesta terça-feira (20).

Promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o seminário vai até o dia 24 de setembro. Participam gestores e beneficiários de programas que agregam proteção ambiental com redução da pobreza em vários países amazônicos.

A ideia é promover a troca de experiências e avaliar a ampliação das iniciativas que associam a inclusão de povos que vivem e trabalham em regiões relevantes para o patrimônio natural, especialmente a Floresta Amazônica. Serão debatidas políticas públicas que contribuem para assegurar o direito à proteção social às populações mais pobres, historicamente as mais afetadas por alterações das condições climáticas e ambientais.

Além do Bolsa Verde, os programas de Transferência Condicionada de Renda (TCR), adotados em alguns países, os de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e os projeto de REDD+ serão abordados no seminário. São iniciativas que integram o que os especialistas chamam de Rede de Proteção Socioambiental.

Na América Latina, além do Bolsa Verde, existem o Pago de Servícios Ambientales, na Costa Rica, o Programa Sociobosque, no Equador, e o Conserbo, na Bolívia. Com base nessas experiências, será proposta no seminário a criação de uma Rede PanAmazônica de Proteção Socioambiental. O encontro prevê, ainda, em seu encerramento, de uma visita em campo, ao Alto Juruá, na Amazônia brasileira, onde são desenvolvidos projetos de inclusão socioambiental bem-sucedidos.

21 de setembro de 2016
por Adalberto de Bruyn
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Diversidade da Amazônia pode ajudar economia e floresta, diz estudo

G1

Mata atlantica_Folha_SymbolO uso econômico da biodiversidade da Amazônia, em diálogo com os avanços da chamada Quarta Revolução Industrial (inteligência artificial, robótica, internet das coisas, genômica, edição genética, nanotecnologias, impressão 3D ) é uma via capaz de mudar o destino a que a maior floresta do planeta parece estar condenada caso sigamos no atual modelo de desenvolvimento da região, diz um estudo publicado na segunda (19) no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS).

O trabalho é liderado pelo pesquisador brasileiro Carlos Nobre, climatologista formado pelo MIT. Os autores defendem que floresta amazônica tem recursos biológicos para impulsionar a nova revolução industrial se a sua biodiversidade for protegida.

Novas tecnologias digitais como impressão 3D e computação quântica criam o potencial para que as plantas únicas da Amazônia conduzam a avanços importantes na medicina e na engenharia, diz o estudo, segundo a agência Reuters.

“Promovendo os vastos bens da biodiversidade e da biomimética da Amazônia podemos aspirar desenvolver inovações revolucionárias em campos diversos”, afirmou Juan Carlos Castilla-Rubio, um dos autores do estudo e presidente da Space Time Ventures, uma empresa de tecnologia brasileira.

“Por exemplo, uma duradora espuma produzida por uma espécie de sapo tem inspirado a criação de novas tecnologias para capturar dióxido de carbono da atmosfera.”

Plantas amazônicas também poderiam levar a descobertas em relação a antissépticos, cremes contra rugas, remédios ginecológicos e drogas anti-inflamatórias, se elas forem combinadas com novas tecnologias, afirmou o estudo publicado.

O desmatamento e as mudanças climáticas estão ameaçando tornar a maior floresta tropical do mundo numa savana seca, destruindo o potencial biológico, declarou o estudo.

Se mais de 40% da floresta for arrancada, o processo resultante de savanização poderia se tornar irreversível, segundo o estudo. Atualmente cerca de 20 por cento da floresta da bacia amazônica foi derrubada.

“Se as coisas continuarem como estão, a Amazônia vai se transformar em savana. Isso tem enormes consequências”, afirmou Castilla-Rubio.

O Brasil reduziu o índice de desmatamento ilegal em quase 80% na última década, de acordo com o estudo, o que mostra que ainda há tempo de impedir que a floresta se torne uma savana.

A proteção dos direitos indígenas à terra, o combate às mudanças climáticas e a concessão dos incentivos corretos para que empresas deixem de extrair os recursos naturais são cruciais para reduzir ainda mais o desmatamento, disse Castilla-Rubio.

5 de setembro de 2016
por Adalberto de Bruyn
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Mundo se aproxima da meta de restaurar florestas danificadas

G1

O mundo se aproximou da meta de restaurar até 2020 vastas áreas de terras e florestas danificadas, disseram no sábado (4) especialistas reunidos no maior encontro mundial de conservacionistas.

Os compromissos são parte do Desafio de Bonn, lançado em 2011 para alcançar em 2020 a restauração de 150 milhões de hectares desmatados e degradados.

“Já cruzamos o marco de 100 milhões de hectares, com 113 milhões, e estamos bem encaminhados para atingir o objetivo do Desafio de Bonn”, disse a ativista de direitos humanos Bianca Jagger em uma coletiva de imprensa.

“Para aqueles que não acham que este é um anúncio importante, vocês deveriam pensar duas vezes. Esta é provavelmente uma das iniciativas mais importantes que existem no mundo hoje”, disse.
Jagger indicou que as terras recuperadas protegerão os recursos hídricos, estimularão a agricultura, gerarão trabalho e combaterão as mudanças climáticas.

Malauí e Guatemala se comprometeram a recuperar 4,54 milhões de hectares de terras degradadas, informaram participantes do simpósio da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
No total, 36 governos, organizações e companhias estão comprometidos com o Desafio de Bonn, lançado há cinco anos pela Alemanha e pela UICN e apoiado pela Cúpula do Clima da ONU de 2014.

Sua meta final é chegar a 2030 com 350 milhões de terras restauradas.

A UICN diz que alcançar esse objetivo geraria US$ 170 bilhões por ano em lucros líquidos pela proteção de bacias hidrográficas, melhoria da produtividade das colheitas e produtos florestais, e poderia capturar até 1,7 gigatoneladas de dióxido de carbono por ano.
Outros países que se comprometeram com o plano recentemente incluem Panamá, Costa do Marfim, República Centro Africana, Guiné e Gana.