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23 de outubro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Nível de água dos principais reservatórios do país é o mais baixo desde 2001

Agência Brasil

A falta de chuvas dos últimos meses fez com que o volume de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas que operam nas regiões Sudeste e Centro-Oeste atingisse na terça-feira (21) o nível mais baixo desde 2001, ano em que o país foi obrigado a adotar o racionamento de energia. Fontes de abastecimento hídrico das principais usinas geradoras de eletricidade do país, os reservatórios atingiram, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS), 20,93% de sua capacidade máxima nessa terça-feira. Na mesma data de outubro de 2001, o volume registrado atingia 21,39% do limite máximo.

Há duas semanas, a ONS divulgou uma projeção apontando que, caso a estimativa de chuvas para os próximos dias se confirme, o nível dos reservatórios do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste continuará caindo e chegará, em 31 de outubro, a apenas 19,9% da capacidade máxima, o mais baixo percentual registrado desde 2000.

Nas duas regiões, as chuvas dos últimos dias foram insuficientes para alterar esse quadro. Nos reservatórios de Ilha Solteira e de Três Irmãos, no noroeste paulista, os níveis de armazenamento chegaram a zero – o que não significa que o rio tenha secado ou que as usinas tenham deixado de operar, embora o façam com restrições.

A situação é preocupante também na Região Nordeste. Na média, os reservatórios operavam, ontem, com apenas 17,5% de sua capacidade máxima. Abastecida pelas águas do Rio São Francisco, o reservatório da Usina de Sobradinho (BA) armazenava apenas 23,7% de seu limite máximo. Já as usinas de Luiz Gonzaga (BA/PE) e de Três Marias (MG) tinham, respectivamente, 17,7% e 3,5% da capacidade de armazenamento.

Repetidas vezes, autoridades do governo federal afirmaram que não há risco de desabastecimento de energia, pois o Sistema Interligado Nacional é “estruturalmente equilibrado” e “dispõe das condições para garantir o abastecimento nacional”, conforme nota divulgada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, em setembro. Uma das medidas adotadas para compensar a eventual queda de geração das usinas hidrelétricas, complementando-a, é o acionamento das usinas térmicas – mais caras.

23 de outubro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Boeing e China desenvolvem combustível de avião a partir de óleo de cozinha usado

Por Gabriela Garcia - Info Online

A Boeing e a empresa estatal chinesa de aviação lançaram um projeto piloto para transformar óleo de cozinha usado em combustível para aviões.

O governo chinês estima que 1,8 bi de litros de gasolina poderão ser produzidos por ano. Foto: Divulgação/SXC/EcoIn.

O governo chinês estima que 1,8 bi de litros de gasolina poderão ser produzidos por ano. Foto: Divulgação/SXC/EcoIn.

A fábrica da joint-venture na cidade de Hangzhou será capaz de converter quase 240 mil litros de óleo de cozinha usado em combustível, anualmente.

A Boeing e o governo chinês estimam que, nos próximos anos, 1,8 bilhões de litros de combustível possam ser produzidos anualmente na China a partir do “óleo de esgoto”, como a substância é conhecida no país.

O óleo de cozinha usado é uma preocupação das autoridades de saúde pública chinesas, devido ao seu uso comum em restaurantes e bares do país.

Segundo a imprensa chinesa, algumas quadrilhas do país retiram o óleo de cozinha usado do esgoto e de sarjetas e depois o revendem como se fosse novo.

No ano passado, um homem foi condenado a prisão perpétua por fazer e traficar o “óleo de esgoto”.

22 de outubro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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EUA e China podem fazer a diferença – para melhor – no balanço do clima

Terra

Estados Unidos e China, os maiores emissores de gases causadores do efeito estufa, poderiam diminuir em quase um quarto a meta de redução de emissões até 2020, exigida para conter o aquecimento global – afirmaram cientistas na terça-feira (21).

Se mudarem rapidamente suas práticas para efetuar cortes profundos nas emissões de combustíveis ricos em carbono, como o carvão e o petróleo, os dois países reduziriam suas emissões em 2,8 gigatoneladas de carbono equivalente (GtCO2e) com base nas projeções atuais para 2020, revelou uma análise da ONG Climate Action Tracker (CAT).

Isso significa que os dois países, sozinhos, poderiam “preencher 23% da lacuna de emissões”, de cerca de 12 GtCO2e, projetada para 2020.

Regularmente atualizada por cientistas da CAT, a lacuna de emissões é a diferença entre os cortes necessários para alcançar a meta das Nações Unidas de limitar o aquecimento global a 2ºC, com base nos níveis anteriores à Revolução Industrial, e o que tem sido alcançado nas atuais políticas nacionais.

Em 2030, as reduções coletivas de Estados Unidos e China poderiam ser de até 6,7 GtCO2e, acrescentou o CAT em seu informe, divulgado enquanto negociadores se reuniam em Bonn, na Alemanha, para negociar um novo pacto climático internacional. A expectativa é de que seja assinado em 2015.

A análise se baseou em um cenário da “melhor prática global”, que prevê reduções muito maiores do que as contempladas tanto pela China quanto pelos Estados Unidos em seus planos nacionais.

“China e Estados Unidos discutem atualmente suas pretendidas ‘contribuições nacionais determinadas’ para um acordo climático internacional em 2015″, destacou o informe.

“Ao determiná-las, eles estarão olhando de perto a proposta da outra parte. Como os maiores emissores de gases de efeito estufa, ambos poderiam se orientar para melhorar significativamente sua ação na direção da melhor prática global”, prosseguiu.

Contudo, a expectativa é de que a utilização de carvão pelos dois países no futuro é compatível com a meta de 2ºC – acrescentou o documento.

“As políticas atuais, segundo as quais os Estados Unidos reduzem o (uso do) carvão em cerca de 20%, e a China estabiliza o uso de carvão até 2030, estão longe das reduções profundas indicadas”, continuou.

As negociações em Bonn devem criar as bases para as negociações em nível ministerial previstas para acontecer em dezembro em Lima.

Já a cúpula peruana deve abrir o caminho para a assinatura de um pacto em Paris em 2015 e que deve reunir, pela primeira vez, 195 países, ricos e pobres, na mesma arena de compromissos a partir de 2020.

22 de outubro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Economia verde requer mudança no consumidor, avaliam líderes do 3GF

Agência Brasil

A construção de uma economia verde só será possível quando houver mudança no modelo de produção adotado pela maioria das nações e no comportamento do consumidor de classe média. Essa foi a conclusão tirada da quarta edição do Fórum Global de Crescimento Sustentável (3GF), que reuniu cerca de 300 líderes de seis países na segunda e terça-feira (21), em Copenhague, na Dinamarca.

No último dia de evento, a primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning Schmidt, disse que “a construção de economias verdes não é uma tarefa fácil, e que as nações precisam trabalhar juntas”. Garantir essa conexão, disse ela, é o que o fórum buscou fazer.

Governos de países desenvolvidos e em desenvolvimento, empresários, instituições financeiras e organizações da sociedade civil se debruçaram sobre os principais desafios para a construção de uma economia verde. Copenhague, a cidade mais sustentável do mundo, serviu de inspiração para dois dias de debates, plenárias, rodadas de conversa e negociação, que resultaram em onze parcerias a serem aplicadas em diversas partes do mundo.

Na última plenária do evento, houve consenso de que o modelo econômico atual, centrado na produtividade a todo custo, precisa ser mudado. O ex-presidente do México e atual chefe da Comissão Global de Economia e Clima, Felipe Calderón, disse que quatro medidas precisam ser adotadas com urgência pelas nações: a redução na emissão de gases de efeito estufa, a busca de eficiência energética na indústria, o controle da urbanização e a proteção dos recursos naturais. “Não é uma alternativa, é algo que precisa ser feito imediatamente”, disse. A boa notícia, segundo ele, é que é possível garantir crescimento econômico e, ao mesmo tempo, frear as mudanças climáticas, mas “para isso, grandes mudanças precisam ser feitas”.

O comportamento do consumidor, especialmente o de classe média, foi alvo de preocupação no fórum. A ministra de Meio Ambiente do Quênia, Alice Kaudia, enfatizou que o crescimento da classe média e o aumento do consumo são tendências preocupantes. Ela disse que, “se o comportamento das pessoas não mudar, se elas não começarem a pensar em reaproveitamento, em uso racional e em reciclagem, em pouco tempo não vai haver recursos suficientes para todos”. O presidente do Conselho Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, Peter Bakker, ressaltou que, se quiserem garantir um mundo melhor para as futuras gerações, as pessoas terão que reconsiderar alguns hábitos comuns. “Ter um carro é mesmo a melhor opção? Ou dividir um carro é um modelo melhor? Os conceitos de propriedade, de compartilhamento, de viver bem, de felicidade, todos terão que ser reconsiderados”, ressaltou.

Criado em 2011, o Fórum Global de Crescimento Sustentável conta com a parceria de seis governos: Dinamarca, China, México, Etiópia, Quênia e Catar. Grandes empresas multinacionais, como Hyundai, Samsung e Siemens também são parceiras, além de organizações internacionais, como a Agência Internacional de Energia (IEA, da sigla em inglês), o Pacto Global das Nações Unidas e a Corporação Financeira Internacional do Banco Mundial (IFC, da sigla em inglês).

Com o encerramento do fórum, as atenções se voltam para o Conselho da União Europeia, que deve aprovar, na próxima quinta-feira (23), um pacote de medidas sobre clima e energia para os próximos 15 anos, com amplos efeitos sobre os governos dos 28 países-membros e sobre a indústria. Entre as metas estão a redução em 40% na emissão de gases de efeito estufa e o aumento da eficiência energética das empresas em no mínimo 30%.

20 de outubro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Brasil e 192 países aceleram ações pelo desenvolvimento sustentável

MMA

O governo brasileiro e os representantes dos outros 192 países que participaram da 12ª Sessão da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), encerrada na sexta-feira (17), em Pyeongchang, na Coreia do Sul, se comprometeram em intensificar as ações destinadas a alcançar, até o final da década, as Metas de Aichi para Biodiversidade, acordadas há quatro anos. Os governos também garantiram aumentar o financiamento e acelerar as ações da agenda de desenvolvimento sustentável.

Um dos principais resultados obtidos em duas semanas de discussões na COP 12 foi a celebração, entre os governos, de acordo referente à alocação de um maior volume de recursos financeiros para a realização do Plano Estratégico de Biodiversidade 2011–2020. Até 2015, cada país representado no evento, inclusive o Brasil, garantiu dobrar recursos financeiros voltados à conservação da biodiversidade nas nações em desenvolvimento, em particular nos países menos desenvolvidos, incluindo os pequenos estados insulares e naqueles com economias em transição, mantendo este nível de investimentos pelos menos até 2020.

Cooperação 

Os resultados da reunião remetem, também, às conclusões contidas na Perspectiva Mundial da Biodiversidade Global 4, que trata dos avanços na implantação do Plano Estratégico de Biodiversidade 2011–2020, segundo as quais, apesar dos progressos obtidos na conservação da diversidade biológica, os governos precisam concentrar esforços para evitar que as perdas continuem ocorrendo. Entre as principais decisões extraídas da COP 12 estão, inclusive, a mobilização de recursos, a capacitação, e a cooperação científica e técnica destinadas a erradicar a pobreza e a monitorar o Plano Estratégico.

De acordo com o secretário executivo da CDB, Bráulio Ferreira de Souza Dias, os resultados formam o chamado Roteiro de Pyeongchang, a implantação do Plano Estratégico e a realização das Metas de Aichi para a biodiversidade. “Essas ações irão fortalecer a capacidade e aumentar o apoio aos países e partes interessadas em implementar suas estratégias nacionais de biodiversidade e planos de ação”, reforçou.

Desenvolvimento 

Em dois dias de conversação de alto nível foram extraídas decisões visando a implantação da agenda de desenvolvimento pós-2015 e reforçadas pela Declaração Ministerial Gangwon. Esta declaração enfatiza a relevância e a contribuição fundamental do Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020 e das Metas de Aichi de Biodiversidade, com foco na agenda de desenvolvimento para 2050.

“Os países partes se comprometeram a redobrar esforços no sentido de tornar realidade as ações previstas no Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020”, insistiu Bráulio Dias. As medidas vão desde a segurança de alimentos e da água para a subsistência à redução do risco de desastres, pois a biodiversidade, disse, é um poderoso motor de desenvolvimento sustentável.

Prioridades 

Sabe-se que o custo da inércia no sentido de deter o declínio da biodiversidade pode gerar, até 2050, perdas econômicas anuais de R$ 36,4 trilhões (US$ 14 trilhões).”As decisões tomadas na COP 12, aqui em Pyeongchang, vão ultrapassar os esforços para alcançar as Metas de Aichi e colocar a biodiversidade em uma base mais forte para as próximas décadas”, ressaltou Dias.

Ele garantiu que o resultado dessa reunião mostra que existem caminhos plausíveis para reduzir a perda de biodiversidade e permite abordar prioridades globais mais amplas no contexto da agenda de desenvolvimento pós-2015 . E acrescentou que os resultados da reunião permitirão o reconhecimento crescente do papel fundamental da biodiversidade na consecução dos objetivos de desenvolvimento sustentável.

Pesquisas 

Outras decisões tomadas durante a COP 12 reforçaram a essencialidade da conservação da biodiversidade para objetivos sociais e econômicos de desenvolvimento pós-2015, com destaque para a saúde e o crescimento sustentável. A questão do conhecimento tradicional e o papel das comunidades locais e dos povos indígenas no âmbito da CDB também foram amplamente discutidos no evento.

A reunião também aprovou decisões relacionadas ao Protocolo de Nagoya sobre Acesso a Recursos Genéticos e Repartição Justa e Equitativa de Benefícios Decorrentes da Utilização dos Recursos Genéticos. Agora, com a entrada em vigor do Protocolo de Nagoya, cumpriu-se o terceiro objetivo da convenção.

20 de outubro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Complexo turístico põe em risco meio ambiente no Rio, dizem especialistas

Agência Brasil

Ambientalistas e a comunidade pesqueira tradicional de Zacarias, no estado do Rio de Janeiro, estão organizados contra a instalação de um grande empreendimento imobiliário na Área de Preservação Ambiental (APA) de Maricá. O projeto, de 840 hectares (um hectare equivale à medida de um campo de futebol oficial), prevê a construção de um grande campo de golfe, centro hípico, quatro hotéis, dois shoppings, dois clubes, prédios de quatro andares e casas residenciais. O empreendimento, que está sob análise do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), também inclui restaurantes, escola e um hospital.

Especialistas alertam que o complexo, para cerca de 20 mil pessoas na Restinga de Maricá, entre o mar e a lagoa, coloca em risco espécies endêmicas, aves migratórias, dunas raras, sítios históricos e arqueológicos, além do sustento de famílias do povoado pesqueiro de Zacarias. Na região moram 200 famílias, que abastecem restaurantes e feiras com seu pescado. A comunidade desenvolveu uma técnica tradicional única, a pesca de galho (ouça aqui sobre a técnica), que pode desaparecer. Na pesca de galho, os pescadores definem um ponto na lagoa onde afundam uma árvore seca (um galho). Nascem microorganismos no galho que atraem peixes. Depois de um tempo os pescadores voltam ao lugar, retiram o galho e pegam os peixes.

“A Restinga de Maricá é uma área que não está pronta para a urbanização intensa, para receber um bairro. Temos ali 50 espécies de insetos, sendo 14 endêmicas, espécies em extinção [de borboleta e de lagarto], uma pesquisa geológica que só pode ser feita porque a restinga é preservada, 400 tipos botânicos e mais de 300 trabalhos científicos”, listou a professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que atua no Fórum de Pesquisadores da Restinga de Maricá e no Movimento Pró-Restinga, Desirée Guichard. A Uerj, a Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal do Rio aprovaram, por meio de seus conselhos universitários, moções contra o megaempreendimento, informou.

Os pescadores também estão apreensivos com os impactos sobre a biodiversidade e a comunidade. Acreditam que a urbanização afetará áreas de brejo e prejudicará o ecossistema da Lagoa de Maricá, reduzindo o já limitado número de peixes. “Esses dias, eu fui pescar e os peixes pulavam tanto que eu não acreditei. Peixe aqui está raro. Antes, a gente pescava 200 quilos por semana, agora, tem vezes que não chega a 5 [quilos]“, disse a presidente da Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias, Arcenir Cedelina Marins, de 57 anos. Para defender a comunidade, a associação quer a regularização fundiária coletiva, decisão que cabe ao governo do estado.

Outra preocupação dos pescadores é com a destruição do caminho que liga Zacarias ao mar, com a retirada de mata nativa – de onde são colhidas plantas medicinais como o camboim –, com a derrubada das primeiras casas da comunidade e da própria sede da associação, que inclui um campo de futebol, o espaço de reunião e o parquinho infantil, inaugurado no último Dia da Criança (12). “São as áreas comunitárias que serão descaracterizadas “, disse a professora da Uerj.

Em Zacarias, no entanto, alguns moradores que desistiram da pesca e mudaram de ramo apóiam o empreendimento. Eles veem no projeto vagas de emprego e a esperada regularização fundiária. “Estamos aqui há 200 anos em uma luta pela terra. A vida está muito difícil, não temos emprego, a pesca está difícil, a lagoa está morrendo, há muito esgoto, está seca, está se acabando”, desabafou Washington da Costa, de 37 anos, presidente da Associação de Moradores e Pescadores de Zacarias, organização que surgiu a partir de uma divergência com outra associação. Ele diz que os empreendedores vão doar os títulos das casas para os moradores.

Com mais de 1,5 mil assinaturas em um abaixo-assinado, o Movimento Pró-Restinga, a Associação de Preservação Ambiental das Lagunas de Maricá (Apalma) e o povoado pesqueiro tradicional propõem que a restinga seja transformada em uma reserva extrativista, com núcleos de estudos para as universidades, projeto que deu certo na Restinga de Jurubatiba, no norte fluminense, como alternativa de desenvolvimento. “A restinga preservada garante a proteção da fauna lagunar, que sustenta várias comunidades pesqueiras de Maricá, sem prejudicar as atividades tradicionais”, acrescentou a professora da Uerj, que há anos acompanha a situação local.

O diretor executivo do IDB, grupo responsável pelo complexo turístico em Maricá, David Galipienzo, explica que o empreendimento será ambientalmente sustentável. Ele esclarece que está prevista, por exemplo, a reutilização da água, a criação de uma reserva particular do patrimônio natural (que segundo a assessoria do empreendimento irá ocupar mais de 50% dos 840 hectares da área de proteção ambiental) aberta para pesquisas e para o público, mais a instalação de duas estações de tratamento de esgoto. Também será criada um centro de pesquisas será criado para incentivar o estudo da fauna e flora. “Não vai ter nenhuma gota de esgoto na lagoa ou no mar”, assegurou Galipenzo, que é mestre em ciências ambientais.

Ele esclarece ainda que somente cerca de 20 famílias das cerca de 100 do povoado de Zacarias precisarão ser reassentadas, mas que o acesso ao mar não será fechado. “Vamos realocar essas pessoas em casas de mesmo padrão na própria comunidade”, assegurou. O restante do empreendimento, acrescentou, foi projetado para áreas autorizadas pela prefeitura e haverá 6,4% de ocupação predial. A assessoria informou que a IDB Brasil irá realizar a regularização fundiária das 200 famílias da Comunidade de Zacarias com o mesmo padrão de urbanização do empreendimento.

A prefeitura de Maricá tem se manifestado a favor do complexo em audiências públicas. Em nota, informa que o empreendimento trará “desenvolvimento econômico com sustentabilidade, proteção ambiental e inclusão social”, mas não especifica as vantagens diretas.

Responsável pelo licenciamento do complexo, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que o projeto segue em análise. Como não envolve impactos em mais de um estado, não há atribuição federal no processo.

20 de outubro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Altamente poluída, Índia lança índice nacional de qualidade do ar

G1

Índia lançou um novo índice nacional de qualidade do ar para ajudar os cidadãos a entender os complexos dados sobre poluição e suas implicações para a saúde, informou o ministro do Meio-Ambiente na sexta-feira (17).

Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) em cerca de 1.600 cidades divulgado em maio revelou que a capital indiana, Nova Délhi, tem o ar mais poluído do mundo, com um média anual de 153 microgramas de pequenas partículas, conhecido como PM2.5, por metro cúbico.

Treze das 20 cidades mais poluídas do mundo estão na Índia, afirmou a OMS, mas o país rejeitou o relatório.
O novo índice, parte da “Missão Índia Limpa” do primeiro-ministro, Narendra Modi, irá proporcionar uma cifra consolidada depois de medir oito poluentes e usará um código de cores para apontar os impactos sanitários correlatos.

“A poluição do ar está aumentando em nossas cidades… precisamos detê-la”, afirmou o ministro do Meio-Ambiente, Prakash Javadekar.

“Este (índice) irá informar ao cidadão comum uma cor, um número e uma descrição para que ele possa entender qual é o nível de poluição do ar”.

A poluição atmosférica matou cerca de sete milhões de pessoas em 2012, fazendo do fenômeno o maior risco ambiental isolado do mundo, declarou a OMS em março.

20 de outubro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Mudanças climáticas diminuíram em 40% os glaciares peruanos

UOL

O aquecimento global provocou o degelo de 40% da superfície das geleiras nos últimos 40 anos e deu origem à formação de 996 novas lagoas no Peru, informou na quinta-feira (16) a Autoridade Nacional da Água (ANA).

“Nos últimos 40 anos, as geleiras das 19 cordilheiras do Peru sofreram a perda de sua superfície em mais de 40% com relação aos resultados do inventário feito em 1970″, segundo o Inventário de Glaciares do ANA.

O relatório revela que foram identificadas 996 novas lagoas relacionadas ao recuo dos glaciares, com base em imagens de satélite. O Peru tem agora 8.355 lagoas em suas 19 cordilheiras com cobertura de neve no país.

O inventário dos glaciares é um documento “muito importante”, porque dá as informações necessárias para possibilitar medidas de adaptação às mudanças climáticas, disse à imprensa o especialista da Direção de Conservação e Planejamento dos Recursos Hídricos da ANA, Fernando Chiock.

O monte nevado Pastoruri, de 5.200 metros de altitude e situado na região de Ancash (norte), uma das joias do turismo do Parque Nacional de Huascarán, é o mais afetado, com 52% de sua superfície derretida por causa direta das mudanças climáticas.

O Peru tem um total de 2.679 glaciares distribuídos em 20 regiões montanhosas que cobrem 2.000 quilômetros quadrados.

O país é um dos dez mais biodiversos do mundo: tem a segunda maior extensão de floresta amazônica, depois do Brasil; a cadeia de montanhas tropical com maior superfície; 71% das geleiras tropicais; 84 das 104 zonas de vida identificadas no planeta; e 27 dos 32 climas do mundo, segundo a ANA.

O Inventário de Glaciares foi elaborado pela Unidade de Glaciologia e Recursos Hídricos da ANA, no âmbito da Conferência das Partes (COP20), que será celebrada em Lima, entre 1º e 12 de dezembro.

Segundo o Ministério peruano do Ambiente, a COP20 sobre mudanças climáticas visa a estabelecer as bases para a assinatura de um acordo vinculante em 2015, em Paris, para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa.

15 de outubro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Para Pentágono, mudanças climáticas são risco para segurança nacional

Terra

A elevação das temperaturas globais, o rápido degelo no Ártico e outros efeitos das mudanças climáticas representam riscos imediatos à segurança nacional e às operações militares e humanitárias, alertou o Pentágono em um relatório divulgado na segunda-feira (13).

No abrangente relatório, considerado um “mapa do caminho”, com diretrizes para a adaptação às mudanças climáticas, o Departamento da Defesa dos Estados Unidos revelou ter começado a adotar medidas para aumentar a sua “resistência” e para garantir que a mobilização de missões não seja afetada pelo aumento do nível dos mares, pela frequência crescente dos desastres naturais, bem como pela falta d’água e de alimentos no mundo em desenvolvimento.

“As mudanças climáticas vão afetar a capacidade do Departamento de Defesa de defender o país e trazer riscos imediatos para a segurança nacional americana”, acrescentou o Pentágono no informe.

“Um clima em mutação terá impactos reais em nossos militares e na forma como vão executar suas missões”, ressaltou.

O mapa visa à adaptação diante das mudanças climáticas, em parte ao integrar os riscos em simulações militares – conhecidas como jogos de guerra – no planejamento estratégico de defesa e na forma de armazenamento e transporte de provisões militares.

Em uma coletiva de imprensa realizada no Peru nesta segunda-feira, o secretário de Defesa, Chuck Hagel fez um retrato sombrio de como o derretimento das geleiras, a ocorrência de tempestades cada vez mais violentas e a queda das colheitas devido à seca já estão afetando milhões de pessoas e podem “provocar ondas de imigração em massa”.

“Nós já vimos esses eventos se desenvolverem em outras regiões do planeta e há indícios preocupantes de que as mudanças climáticas vão criar sérios riscos para a estabilidade no nosso hemisfério”, afirmou Hagel durante uma conferência dos Ministros da Defesa das Américas.

“A prontidão dos nossos militares pode ser testada e nossas habilidades, postas sob pressão”, acrescentou Hagel.

“Um ritmo e uma intensidade maiores dos desastres naturais poderão exigir mais apoio de nossas autoridades civis, e mais assistência humanitária”, prosseguiu.

Os desafios poderão afetar governos já fragilizados e “abrir uma via para ideologias extremistas e condições que vão fomentar o terrorismo”.

O relatório destacou que a “capacidade única (do Pentágono) de fornecer assistência logística, material e de segurança em larga escala e de forma rápida pode ser solicitada com cada vez mais frequência”, à medida que as mudanças climáticas intensificarem os desafios provocados pela instabilidade global.

O documento do Departamento de Defesa insistiu, ainda que parte de seus esforços vão se concentrar nas formas de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, considerados responsáveis pelo aquecimento global.

Hagel lembrou da convenção sobre mudanças climáticas das Nações Unidas, prevista para dezembro, e declarou que “os líderes de Defesa devem participar desta discussão global”.

15 de outubro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Projeto brasileiro de conservação é mostrado em conferência da ONU

Agência Brasil

Uma iniciativa pioneira no Brasil no pagamento por serviços ambientais (PSA), o Projeto Oásis, será um dos destaques do fórum que ocorre nesta quarta-feira (15), durante a 12ª Conferência das Partes (COP 12) da Conferência sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas, na Coreia do Sul. O projeto mescla conservação da natureza e economia e visa à proteção de mananciais de abastecimento público de água, por meio de parcerias entre instituições públicas e privadas e representantes da sociedade civil.

O projeto premia financeiramente os proprietários rurais que protegem suas áreas de vegetação nativa e que adotam práticas de conservação de uso e de manejo do solo. Segundo informou nesta segunda-feira (13) à Agência Brasil o coordenador do Oásis, Guilherme Karam, da Fundação Boticário de Proteção à Natureza, 226 proprietários de terras brasileiros foram beneficiados até hoje, resultando na preservação de quase 2,5 mil hectares de mata nativa.

O projeto foi implantado inicialmente em São Paulo (SP), em 2006, e, em 2011, devido à demanda externa de outros municípios interessados em replicar o modelo de PSA, ele teve sua forma de valoração alterada, de modo que pudesse atender às especificidades de cada cidade.

“O novo modelo do Oásis, replicável, que tem uma fórmula padrão bem didática e bem fácil de ser aplicada, foi lançada na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, no Rio de Janeiro”, disse Karam. A partir daí, foram firmados termos de cooperação técnica com nove municípios interessados em implantar o projeto em suas regiões. Quatro projetos estão pagando aos proprietários rurais envolvidos e que se comprometem a conservar suas áreas naturais.

Além de São Paulo, que no momento discute a renovação do Oásis, as cidades que estão replicando o projeto são a região metropolitana de Curitiba (PR); São Bento do Sul (SC); Brumadinho (MG), em parceria com o Ministério Público estadual; São José dos Campos (SP); o distrito de Taquaruçu, em Palmas (TO); a região da Área de Preservação Ambiental (APA) do Piratigi, no sul da Bahia; Bonito (MS). Em Santa Catarina, se acha também em etapa final consulta pública para inclusão do método do Oásis na legislação estadual, acrescentou Karam.

Karam vê a participação na COP 12 como uma possibilidade de levar o projeto para outros países, por meio de parcerias locais. “É uma possibilidade”. Ele esclareceu que uma das maiores dificuldades hoje em dia é definir quanto deve ser pago por hectare protegido. “A nossa fórmula facilita aos municípios chegarem a essa resposta, porque ela foi construída com apoio do economista Carlos Eduardo Young, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro [UFRRJ]“.

Além da quantidade de hectares que a pessoa está disposta a deixar conservada ou a recuperar , a fórmula considera o custo de oportunidade da região. Ou seja, quando o proprietário decide participar do projeto, ele, “teoricamente”, abdica de uma prática agrícola ou pecuária que poderia desenvolver naquela área. Somam-se então a quantidade de hectares disponibilizados, o custo de oportunidade da região e as práticas conservacionistas que o proprietário está disposto a implantar no projeto, e chega-se a um valor sugerido de pagamento para eles. Um sistema online (SisOasis), também disponibilizado pelo projeto, facilita o gerenciamento do pagamento.

A remuneração aos proprietários depende de município para município e de fatores como vocação agrícola ou pecuária e valor da terra. Guilherme Karam disse ainda que os proprietários que participam do modelo entram recebendo, pelo menos, 25% do custo de oportunidade da região. Em funções de ações que desenvolve na área, pode ir melhorando o índice e chegar a receber até duas vezes o custo de oportunidade da região, “se for uma propriedade perfeita no serviço ambiental”.

As fontes pagadoras podem ser as prefeituras; companhias de águas, que dependem da conservação das bacias hidrográficas; empresas de mineração, por meio de medidas compensatórias acordadas com o Ministério Público, caso de Brumadinho (MG); doações de organizações não governamentais (ONGs) internacionais, conforme ocorreu em São Paulo; empresas de bebidas; e o próprio setor agrícola, que depende da água para o seu negócio, entre outras.