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21 de novembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Garrafa criada por estudante transforma ar em água potável

Terra

Uma garrafa que consegue produzir meio litro de água por hora em regiões úmidas, através do condensamento do ar, foi desenvolvida pelo estudante austríaco Kristof Retezár. Detalhe: o recurso é potável.

Batizado de Fontus, o aparelho é acoplado no quadro de uma bicicleta e contém um condensador e uma garrafa, que armazena o líquido produzido. No topo do sistema, há um painel de energia solar que alimenta o funcionamento do condensador.

Cada uma das garrafas deva custar entre 25 e 40 dólares. Imagem: Divulgação/Eco Desenvolvimento.

Cada uma das garrafas deva custar entre 25 e 40 dólares. Imagem: Divulgação/Eco Desenvolvimento.

Funciona assim: quando a bicicleta entra em movimento, o vento esfria o ar úmido, condensando-o. As gotas de água geradas descem pelo sistema, que armazena o líquido na garrafa acoplada.

Um filtro ainda é fixado na abertura por onde o vento assopra, impedindo que insetos e sujeira danifiquem os componentes ou contaminem a água.

Viabilidade comercial 

Atualmente, o protótipo é capaz de produzir uma gota d’água por minuto, em atmosferas com 50% de umidade e temperaturas de pelo menos 20ºC.

Retezár, que estuda Desenho Industrial, afirma que cada uma das garrafas deva custar entre 25 e 40 dólares, valor que ele espera diminuir com crowdfunding (financiamento coletivo) e a produção em larga escala do sistema.

21 de novembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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ONU publica mapa do caminho de combate às mudanças climáticas

G1

O Fundo Ambiental das Nações Unidas (UNEF) apresentou na quarta-feira (19) um mapa do caminho de longo prazo para limitar o aquecimento do planeta em dois graus durante este século e evitar consequências desastrosas pelas mudanças climáticas.

Destacando a urgência, os autores deste documento estimam que as emissões de dióxido de carbono, que provêm especialmente da combustão de energias fósseis, deverão chegar ao seu limite por volta de 2020 e começar a diminuir até 2030.

Em seguida, as emissões de gases de efeito estufa deverão ser pelo menos 50% mais baixas até 2050 para chegar a zero em algum momento da segunda metade do século. Todo o restante das emissões de carbono que venha de atividades humanas deverá ser compensada pelo desmatamento e outras medidas, propõe o informe da ONU.

O documento foi apresentado a poucos dias da conferência da ONU em Lima (Peru), onde os 190 países-membros da Convenção sobre o Clima vão preparar um acordo que deverá ser assinado no final de 2015 em Paris.

Há poucos dias, também foi publicado um acordo “histórico” entre os Estados Unidos e a China, os dois maiores poluidores do planeta, para combater o aquecimento. “Mantendo o cenário atual, com pouco avanço na elaboração e aplicação de políticas climáticas mundiais, as emissões globais de CO2 poderiam aumentar 87 gigatons (milhões de toneladas) até 2050″, avaliou Achim Steiner, vice-secretário-geral da ONU e diretor da UNEF.

As emissões podem ser reduzidas com o desenvolvimento de energias renováveis e a eficiência energética, que também permitiriam criar até sete milhões de empregos em todo o mundo, segundo o informe.

Arte: Divulgação/Ipcc/G1

Arte: Divulgação/Ipcc/G1

21 de novembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Dez primeiros meses de 2014 foram os mais quentes já registrados, diz NOAA

G1

Os dez primeiros meses de 2014 foram os mais quentes já registrados no planeta desde que a temperatura global começou a ser medida por cientistas, em 1880, de acordo com informações da Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (20).

De acordo com o departamento ligado ao governo americano, o mês de outubro bateu recordes de calor e, por isso, há indícios de que este ano possa ficar conhecido como o mais quente desde o início das constatações oficiais.

No mês passado, considerado o outubro mais quente desde 1880, a temperatura média global, combinação de medições feitas nas superfícies terrestre e oceânica, ficou 0,74ºC acima da média do século 20, que é de 14ºC.

No período de janeiro a outubro deste ano, a temperatura ficou 0,68ºC acima da média registrada pelos termômetros ao longo do século passado (14,1ºC).

12 de novembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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O impacto da urbanização na biodiversidade

MMA

green-buildings_Symbol-redimensiondaAté 2050, estima-se que 6,3 bilhões de pessoas viverão nas cidades em todo o mundo, número que representa um aumento de 3,5 bilhões em relação aos dados de 2010.

Este é considerado o maior e mais rápido período de expansão urbana da história da humanidade, segundo considerações do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, no prefácio do livro “Panorama da Biodiversidade nas Cidades – Ações e Políticas – Avaliação global das conexões entre urbanização, biodiversidade e serviços ecossistêmicos”, que acaba de ser publicado em português com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

De acordo com o titular da ONU, as novas demandas transformarão a maioria das paisagens, tanto as naturais quanto as edificadas. “O crescimento urbano terá impactos significativos sobre a biodiversidade, os habitats naturais e muitos serviços ecossistêmicos dos quais depende a nossa sociedade”, alerta Ban Ki-moon, enfatizando que os desafios da urbanização são profundos, mas também representam oportunidades.

Ocorre que as cidades, segundo a própria ONU, têm um grande potencial de gerar inovações e instrumentos de governança e, portanto, podem “e devem” assumir a liderança no desenvolvimento sustentável.

Olho no futuro 

Os textos do livro de 70 páginas trazem uma avaliação global dos vínculos entre a urbanização, a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, elaborados por mais de 75 cientistas e formuladores de políticas de diversas partes do mundo.

A publicação sintetiza como a urbanização afeta a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, além de apresentar as melhores práticas e lições aprendidas, com informações sobre como incorporar os temas da biodiversidade e serviços ecossistêmicos às agendas e políticas urbanas.

Para o secretário-executivo da CDB, Bráulio de Souza Dias, entre os principais objetivos do “Panorama da Biodiversidade nas Cidades – Ações e Políticas” está o de servir como a primeira síntese global de pesquisas científicas sobre como a urbanização afeta a biodiversidade e a dinâmica ecossistêmica.

O livro apresenta uma visão geral, com análise e resposta a lacunas de conhecimento em nossa compreensão sobre processos de urbanização e seus efeitos sobre os sistemas socioambientais e aborda abordar maneiras como a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos podem ser geridos e restaurados de formas inovadoras para reduzir a vulnerabilidade das cidades à mudança do clima e outras perturbações.

Ainda segundo Souza Dias, o conteúdo serve como referência para os tomadores de decisões e formuladores de políticas, no que tange aos papéis complementares de autoridades nacionais, subnacionais e locais na preservação da biodiversidade. “Nosso mundo está cada vez mais urbano e as cidades, seus habitantes e governos, podem, e devem, assumir a liderança na promoção de uma gestão mais sustentável dos recursos vivos do nosso planeta”, explica.

O subsecretário geral da ONU e diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, avalia que as cidades abrigam um celeiro de inovações e novas ideias, além de exercerem um papel essencial na conservação da biodiversidade, “proporcionando oportunidades excelentes para fazermos a transição para uma economia verde inclusiva no mundo em desenvolvimento e desenvolvido”.

12 de novembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Iniciativas privadas mostram bons resultados na coleta de lixo reciclável

G1

Recycle symbol_150Quando se fala de reciclagem de lixo, o Brasil ainda tem que avançar muito. Mas algumas iniciativas mostram como esse caminho pode ser proveitoso para todo mundo.

Quem mora nas grandes cidades brasileiras pode não ter notado, mas o número de pontos de entrega voluntária de lixo para reciclagem está aumentando. São recipientes coloridos que, graças à boa vontade da população, recebem os resíduos sólidos separados dos restos de alimentos, o material orgânico.

O investimento é consequência de um acordo feito, desde 2012, entre 22 associações de catadores e 500 empresas privadas, que fazem parte da Cempre, uma ONG criada para atender as exigências da lei de resíduos sólidos. Embora o acordo ainda não tenha sido assinado pelo órgão responsável do governo federal, na prática ele já mostra que é possível.

Outro dado apresentado pela ONG é que 206 cooperativas de catadores de 111 municípios do país receberam investimentos em maquinário e na capacitação dos trabalhadores. Os resíduos sólidos do lixo, que a população separa em casa, chegam no local, aí eles fazem uma outra seleção: eles separam entre plástico, papel, vidro, metal e também o lixo eletrônico. Tudo é prensado e aí formam-se fardos. Que é vendido para a indústria que vai então reciclar o material. O desafio é mudar a cultura de como se trata o lixo.

“A gente sabe que quando dá resultado todo mundo passa a fazer de uma forma equilibrada, organizada e ver que os frutos que a gente colhe são produtivos”, afirma Camile Oliveira, coordenadora da cooperativa.

Cidades como Porto Alegre e Curitiba estão entre as mais adiantadas. Em São Paulo, 25% dos resíduos sólidos já são reciclados.

Para André Vilhena, a iniciativa tem sido quase toda privada porque as prefeituras ainda colaboram muito pouco. Mesmo assim, ele acha que vão conseguir cumprir as metas estabelecidas.

“Uma redução de 22% da quantidade de embalagens para aterros sanitários até o final de 2015 e depois pular para 28%, 29% de desvio. Com isso a gente vai caminhando para, no futuro, levar para os aterros sanitários, nunca lixões, aquilo que não puder eventualmente ser reciclado”, diz André Vilhena, diretor executivo do Cempre.

12 de novembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Termelétricas dificultam redução de emissões pelo Brasil

Terra

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês), divulgado no final de outubro, mais uma vez coloca o futuro do planeta em alerta. As previsões do documento não são nada animadoras: caso seja mantido o aumento dos níveis atuais de emissões de gases de efeito estufa, a Terra pode registrar acréscimo de quatro graus nos próximos 85 anos, o que teria consequências desastrosas para o planeta.

Conforme o relatório, o tempo para limitar o aquecimento global a apenas 2ºC até 2100 está se esgotando. De acordo com o painel, as atuais emissões levaram os três principais gases – dióxido de carbono (o gás carbônico, conhecido também pela fórmula CO2), metano e óxido nitroso – a seus maiores níveis em 800 mil anos.

A perspectiva é alarmante, mas não catastrófica, indica Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Com o quadro atual, mudanças climáticas podem ser esperadas, como mais tempestades e inversões de temperatura. “A única coisa que a humanidade pode fazer agora é reduzir as emissões de gases de efeito estufa e se preparar para um clima mais inóspito, já que aumentará a frequência de eventos climáticos extremos”, explica.

O terceiro principal responsável pelos gases de efeito estufa, a União Europeia, anunciou, no último dia 23, objetivo de reduzir em 40% suas emissões até 2030, em comparação com os índices de 1990. O bloco é responsável hoje por 15,6% dos gases, atrás de China e Estados Unidos. Na reunião que definiu essas medidas, foi feito um pacto para que ao menos 27% do suprimento energético seja de fontes renováveis, e também que a eficiência energética aumente 27% até 2030.

De acordo com Naomi Oreskes, professora de história da ciência na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e conferencista do ciclo de palestras TED, as medidas anunciadas pela União Europeia são apenas o primeiro passo para reduzir o impacto ambiental causado pela humanidade nas últimas décadas. “Não temos como saber hoje se essas medidas serão efetivas. São, certamente, na direção correta, mas apenas um passo. Ainda há muito mais para fazer”, diz.

Conforme Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, a solução não deve passar apenas pelos países desenvolvidos. “Para que essa medida seja eficiente, precisamos de um corte de 70% nas emissões até 2030. E esse corte tem que ser global, pois se os países em desenvolvimento ficarem de fora, União Europeia e Estados Unidos teriam que reduzir ainda mais o percentual”, explica.

Brasil 

O Brasil faz parte da lista de países que precisa cortar suas emissões. Apesar de não ter grandes emissões de gás carbônico – é apenas o 13º colocado no ranking mundial, com 2,3 toneladas de CO2 per capita –, o País tem números altos na emissão de metano e de óxido nitroso, gases típicos da agricultura, pecuária e dos desmatamentos: é o sexto colocado, representando 2,6% do total mundial, de acordo com o Instituto de Recursos Mundiais (WRI). Por isso, o Ministério do Meio Ambiente tem uma meta ambiciosa para os próximos seis anos: reduzir, até 2020, em pelo menos 36,1% a emissão dos gases de efeito estufa, frente aos índices apresentados em 2009, quando o país assumiu esse compromisso com a ONU.

A Floresta Amazônica é parte essencial da preocupação climática brasileira. Para Artaxo, o Brasil tem feito um bom papel em reduzir o desmatamento, apesar dos números de agosto e setembro, que apontam elevação do problema em relação ao ano passado. “O Brasil fez um excelente esforço em reduzir o desmatamento na Amazônia de 27 mil km2 por ano em 2005 para 5 mil em 2013. Esse esforço tem que continuar”, afirma o pesquisador.

Entre as iniciativas apontadas pelo Ministério do Meio Ambiente para frear o desmatamento, estão o Plano de Ação para Prevenção e Controle de Desmatamento na Amazônia (PPCDAM), o Fundo Amazônia e o Plano e a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Uma das intervenções do governo levou à criação de 240.000 km2 de novas áreas protegidas na Amazônia em regiões onde o desmatamento é mais intenso. Essas áreas, caso sejam devidamente protegidas, poderão evitar, nos próximos anos, a liberação de aproximadamente 600 milhões de toneladas de carbono para a atmosfera, segundo estimativas do governo.

Conforme Artaxo, o principal problema do Brasil é no setor energético, com o crescimento recente – e não a diminuição – do uso de combustíveis fósseis na produção de energia elétrica. “A saída é implantar grandes projetos de aproveitamento de energia eólica e solar, especialmente no Nordeste”, aponta.

Ceticismo

Para que essas medidas tenham alguma chance de sucesso, o debate acerca do tema é essencial. Ainda hoje, há cientistas que não acreditam que a influência humana seja determinante para as mudanças climáticas. “As ações humanas têm sido bem documentadas pelo IPCC e outros órgãos, e as emissões humanas de combustíveis fósseis mudaram a temperatura do planeta – e vão continuar a mudar – de forma constante”, afirma Naomi, da Universidade Harvard.

As “evidências gritantes”, segundo a professora, estão no relatório e em outras constatações de cientistas de todo o mundo. “O aquecimento global está acontecendo e nós sabemos que está acontecendo agora. Temos evidências gritantes com relação a isso, baseadas na física e em observações a respeito do meio ambiente. O aumento na temperatura registrado é consequência, sim, dos gases do efeito estufa, do desmatamento e das atividades humanas”, sentencia.

Futuro 

Para Naomi, a menos que a ação humana sobre o clima global seja contida, a vida será pior para muita gente. “Não acho que as coisas vão dar errado de uma vez”, acredita a professora. “Os danos ambientais não devem representar uma catástrofe, mas uma morte causada por uma sucessão de pequenos cortes. Os países pobres verão muito mais gente pobre passando fome e sofrendo com doenças. Já os países ricos terão que gastar muito mais do que já gastam para combater esses problemas. Nós todos vamos ficar mais pobres, também em termos culturais, se locais como as florestas e a Grande Barreira de Corais deixarem de existir. As democracias terão que enfrentar problemas nunca antes vistos. Não quero dizer que o progresso vá acabar – isso seria muito histriônico –, mas que vamos, sim, ter desafios bem complicados”.

11 de novembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Para conservação das espécies, Instituto Mamirauá monitora quelônios da Amazônia

Instituto Mamirauá

A chegada da estação seca na Amazônia transforma a paisagem e interfere nas relações entre os animais e o ecossistema. Algumas áreas, antes alagadas, se convertem em belas praias arenosas, com a diminuição dos níveis dos rios. Essa época indica o momento do início do ciclo reprodutivo dos quelônios amazônicos.

Uma das linhas de pesquisa do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios, realizado pelo Instituto Mamirauá, estuda a ecologia reprodutiva de três espécies de quelônios da região do Médio Solimões: a iaçá (Podocnemis sextuberculata), o tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa). Nesse trabalho, os pesquisadores monitoram áreas de desova dessas espécies, que são principalmente as praias que se formam na estação seca.

“Com essa pesquisa, a longo prazo, podemos avaliar diversos aspectos da biologia e ecologia reprodutiva desses animais. Ampliando o conhecimento científico sobre eles e colhendo dados que poderão subsidiar estratégias de conservação dessas espécies de quelônios”, afirma Ana Júlia Lenz, pesquisadora do Instituto.

O monitoramento acontece desde a desova até a saída dos filhotes do ninho. Os pesquisadores percorrem as praias durante toda a noite, período preferido pelas fêmeas para desovar, em busca de ninhos novos ou fêmeas. Quando são encontradas, as fêmeas são capturadas e é feita a medição, pesagem e marcação nos cascos, sendo em seguida liberadas.

Os ninhos encontrados são marcados por GPS, e é feita a biometria dos ovos (medição e pesagem). Esses ninhos são acompanhados durante toda a temporada reprodutiva, até a emergência dos filhotes. Após o nascimento, esses animais também têm seus dados individuais coletados e, após a marcação, são devolvidos ao local de nascimento.

Essas três espécies são classificadas como “quase ameaçadas” na lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “Apesar de terem um grau de ameaça, ainda existem muitas lacunas no conhecimento da ecologia e biologia dessas espécies. Por meio dessa pesquisa de longo prazo, conseguimos avaliar diversos aspectos da biologia e ecologia reprodutiva, ampliando o conhecimento científico sobre essas espécies e podendo subsidiar estratégias de conservação”, enfatizou a pesquisadora.

Os pesquisadores estudam parâmetros como o sucesso de eclosão; o número de ovos que realmente geram filhotes viáveis; se existe relação entre o tamanho da fêmea e o tamanho dos ovos ou filhotes; temperatura de incubação do ninho; os locais preferidos pelas fêmeas para fazer seu ninho. Para esse último, é feita a coleta de sedimento do local do ninho, a medição da distância entre o ninho e a vegetação, e entre o ninho e a água. “Tudo isso nos dá informação sobre aquele ambiente que a fêmea escolhe, o que pode ajudar a futuramente selecionar áreas prioritárias pra conservação”, reforçou Ana Júlia.

 Assista ao vídeo explicativo abaixo:

Monitoramento Populacional 

Outra linha de pesquisa do programa é o monitoramento populacional dessas três espécies de quelônios amazônicos, visando o entendimento sobre o status das populações dessas espécies na Reserva Mamirauá. Ou seja, buscar informações sobre como essas populações estão estruturadas, qual sua abundância nos diversos pontos da reserva, qual a proporção entre machos e fêmeas, juvenis e adultos, entre outras.

Para a realização da pesquisa, é feita a amostragem dessas espécies, com a utilização de malhadeiras em diversos pontos da reserva periodicamente. O trabalho é realizado em 48h, com acompanhamento frequente das redes e captura dos animais. Esses animais são devolvidos à natureza após a coleta dos dados individuais. De acordo com Ana Júlia, com a coleta desses dados periódicos, considerando a recaptura desses animais, é possível avaliar parâmetros como crescimento, deslocamento, e como essas populações variam ao longo do tempo, de acordo com a sazonalidade hídrica.

“Conseguimos verificar como as populações estão variando anualmente, se estão se mantendo estáveis, aumentando ou diminuindo, através de uma coleta de dados ao longo do tempo é possível avaliar todos esses parâmetros”, afirma.

Comunidade envolvida, conservação garantida

“Meu irmão, meu amigo, preserve a natureza. Porque sem ela, ninguém vive”. A frase é de Baltazar Ferreira, da comunidade Santa Luzia do Horizonte, localizada no município de Uarini. A comunidade possui um histórico longo de proteção das praias de desova. Seu Baltazar é um dos que iniciaram o trabalho de engajamento dos comunitários para vigia das praias. “No futuro, para outras gerações, o que a gente faz deve ter um grande valor. Tenho setenta e poucos anos e conheci o Amazonas muito rico. Se as pessoas continuarem atacando a natureza em grande escala, de forma predatória, daqui um tempo nada disso vai existir”, reforçou Seu Baltazar.

Na Reserva Mamirauá, localizada na região do Médio Solimões, as comunidades ribeirinhas contribuem para a preservação das praias de desova dos quelônios. Os comunitários fazem uma escala de revezamento para vigiar as praias durante o dia e a noite, em todo o período da seca.

Os ovos e a carne de algumas espécies de quelônios são muito apreciados como alimentação na Amazônia, por isso, possuem valor comercial. A caça tem sido uma ameaça à conservação dessas espécies. “Os invasores levam tudo: os quelônios, os pássaros e os peixes. Porque isso tudo dá dinheiro. Acham que tem o direito de tirar das praias o que bem querem, na quantidade que quiserem. A gente tem que utilizar os recursos para nossa sobrevivência, sem atacar a natureza de forma brutal”, reforçou Baltazar.

11 de novembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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EUA construirão primeiro abrigo para tsunamis

UOL

Há décadas, cientistas sabem que a costa noroeste dos Estados Unidos é vulnerável e pode enfrentar um grande tsunami como a que devastou o Japão em março de 2011.

O maremoto poderia ter causado a ruptura da falha de Cascadiam que, com uma largura de 1 mil quilômetros, vai desde a província canadense da Columbia Britânica até o norte da Califórnia.

Esta falha se encontra na junção entre as placas de Juan de Fuca e do Pacífico e é capaz de produzir tremores de uma magnitude superior a nove graus na escala Richter.

Apesar deste risco ser conhecido desde os anos 1980 e saber-se que um tsunami de grande magnitude poderia afetar grandes cidades como Seattle e Portland, ainda não havia sido construído na região uma estrutura para abrigar a população em caso de uma catástrofe desse tipo.

Agora, no condado de Greys Harbour, no sul do Estado de Washington, será erguido o primeiro abrigo contra tsunamis dos Estados Unidos.

O “refúgio de evacuação vertical” será erguido no telhado do ginásio a ser construído na escola primária Ocosta e poderá abrigar 1 mil pessoas.

O projeto deverá estar concluído em meados de 2015. Participaram de seu desenvolvimento engenheiros estruturais, oceanógrafos, geógrafos e especialistas de diversas outras disciplinas.

Os cientistas usaram um programa de computador para identificar as áreas do condado de Greys Harbour que seriam mais afetadas por um tsunami gerada por um grande terremoto e, assim, eleger o melhor lugar para a construção do abrigo.

A zona de evacuação no teto do ginásio está a 17 metros acima do nível do mar, acima da altura que o tsunami poderia alcançar nesta região.

Também foi calculada a força a qual a estrutura teria que ser capaz de resistir para manter a salvo seus ocupantes. Por isso, o refúgio terá pilares de concreto reforçado com cabos de aço.

Construções erguidas no Japão com o mesmo propósito foram usadas como referência.

Riscos 

O projeto é um resultado do Programa Nacional de Mitigação de Riscos de Tsunamis, criado em 1996.

Uma vez estabelecidos os parâmetros para este tipo de abrigo, foram buscadas as comunidades sob risco de tsunami e que não estão em regiões onde não há elevações geográficas naturais onde a população possa se abrigar.

Timothy Walsh, do Serviço Geológico de Washington e especialista integrante do programa, explica que o último grande terremoto produzido na falha de Cascadia ocorreu em 26 de janeiro de 1700.

Cientistas calculam que tremores desta magnitude se repetem dentro de um período que varia entre 300 e 700 anos.

O tsunami que atingiu o Japão fez com que muita gente se preocupasse com um desastre semelhante nos Estados Unidos.

“Trabalhamos para conscientizar a população de que estes projetos são importantes, mas o problema é que não há dinheiro para financiá-los”, diz Walsh.

“Além disso, as pessoas têm memória curta. Muita gente já está se esquecendo que o que ocorreu no Japão em 2011 pode também acontecer aqui. Por isso, é importante construir o primeiro abrigo e mostrar que podemos fazer isso a um custo não muito alto para que outras escolas tenham estruturas desse tipo.”

Paula Akerlund, superintendente do distrito escolar de Ocosta, teve que brigar por anos com os moradores da região em um referendo para garantir o financiamento para a construção no ginásio e do abrigo.

“Estamos a pouco mais de 1km do Oceano Pacífico e conhecemos o risco”, disse ela.

“Queríamos ter certeza que a comunidade terá um lugar onde se refugiar caso isso ocorra.”

11 de novembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Municípios montam estratégias para atingir metas sustentáveis da ONU

Por Fernanda Cruz – Agência Brasil

Prefeitos de todo o país debateram na segunda-feira (10) estratégias que precisarão ser adotadas pelos municípios para alcançar os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que serão propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU), no próximo ano.

A discussão ocorreu durante a 66ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que começou na segunda-feira (10) e segue até esta terça (11), em Campinas, interior de São Paulo.

Segundo Haroldo Machado Filho, representante da ONU, nos últimos dois anos houve intenso debate envolvendo os governos, universidades e setor privado num processo de elaboração desses objetivos. “Em julho de 2014, um grupo de trabalho aberto com 70 governos fizeram as propostas para um conjunto [de medidas], que reflete uma agenda inovadora”, declarou.

Indústria

Os 17 objetivos serão anunciados na próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2015. De acordo com Haroldo, o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza envolve temas como saúde, educação, sustentabilidade econômica, emprego, infraestrutura, industrialização, sustentabilidade ambiental, mudança do clima, oceanos, consumo e produção sustentável. O ODS terá 169 metas associadas.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, comentou sobre a agenda socioambiental que implementou na capital paulista. Segundo ele, a estratégia do município é olhar não apenas para o lado ecológico, mas social das questões.

Haddad citou as mudanças na mobilidade urbana implementada na cidade, como os corredores de ônibus. “Estamos fazendo o óbvio, como impedir que um ônibus, às vezes com 100 pessoas, fique preso no trânsito. Não tem cabimento [o coletivo] ficar preso no trânsito provocado pelo transporte individual motorizado”. Os ônibus tiveram um ganho de 50% na velocidade e as queixas dos usuários caíram 48%, segundo ele.

O prefeito destacou que além de favorecer quem utiliza o transporte público, o corredor Norte-Sul, por exemplo, caiu, diariamente, em 2 toneladas a emissão de monóxido de carbono. Outra medida para amenizar a poluição do ar na cidade foi a demarcação de ciclovias. “Mobilidade ambiental e saúde pública estão juntas. Temos que atuar em relação a saúde pública, combatendo o sedentarismo e as doenças crônicas”, disse o prefeito.

O prefeito de Belo Horizonte (MG), Márcio Lacerda, disse que o protagonismo do município na sustentabilidade começou em 2005. A ONU escolheu Belo Horizonte como piloto de acompanhamento, tonando-se um observatório da ONU.

Márcio acredita que, antigamente, sustentabilidade era vista puramente como uma questão ambiental. “A medida que o ambiental se associa à nossa sobrevivência, esse conceito muda”, declarou.

11 de novembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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‘Bomba do Bem’ ajuda a reflorestar área queimada no Sul de Minas

G1

Um grupo de voluntários de São Tomé das Letras (MG) começou a fabricar um tipo de adubo orgânico que ganhou o apelido carinhoso de “bomba do bem”. O material, feito à base de terra, argila, esterco, água e sementes de árvores nativas e frutíferas da região, é uma tentativa de agilizar a recuperação de mais de mil hectares de mata destruídos por um incêndio este ano.

A técnica de adubação foi descoberta pela internet. A proposta é que o material orgânico e a argila garantam a umidade necessária para o desenvolvimento das sementes. Confeccionada em forma de bola, a “bomba do bem” é arremessada nos pontos atingidos pelo fogo. Em contato com o solo, o material se desfaz e espalha as sementes.

'Bomba do Bem' ajuda a reflorestar área queimada em São Tomé das Letras, MG. Foto: Reprodução EPTV.

‘Bomba do Bem’ ajuda a reflorestar área queimada em São Tomé das Letras, MG. Foto: Reprodução EPTV.

Cerca de três mil bombas de sementes já foram lançadas. Os voluntários acreditam que em poucos meses uma nova vegetação irá nascer na área queimada.