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18 de abril de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Poluição do ar atinge nível crítico em cidades alemãs

Terra

Nos primeiros quatro meses do ano, o nível de poluição no ar em algumas cidades da Alemanha já atingiu a quantidade máxima permitida para o ano todo. A última medição da Agência Federal do Meio Ambiente (UBA) alemã revelou que a concentração de material particulado na atmosfera aumentou significativamente em 2014.

A União Europeia (UE) estabelece um limite de 50 microgramas por metro cúbico de material particulado em no máximo 35 dias por ano. Segundo a UBA, esse nível de poluição já foi registrado em Stuttgart em 36 dias. Também na capital Berlim a situação crítica se repetiu por 33 dias desses meses de 2014. Frankfurt do Oder (leste da Alemanha) Halle e Leipzig também estão perto do limite.

O material particulado é um conjunto de poluentes que permanecem suspensos no ar devido ao seu tamanho, podendo ser aspirado. Essas partículas são prejudiciais à saúde, podem causar câncer no pulmão e infarto. Segundo a UBA, cerca de 47 mil pessoas morrem na Alemanha anualmente em decorrência de doenças causadas pela poluição do ar.

Um dos principais poluentes são os carros. Essas partículas surgem através de processos de queima em motores, fábricas, sistemas de aquecimento e usinas de energia. Além disso, o desgaste de freio e pneus de automóveis, a criação de animais, a agricultura e processos naturais, como erosão do solo, também contribuem para aumentar o volume da poluição.

Para o especialista em qualidade do ar da UBA, Arno Graff, o aumento da quantidade de material particulado no ar entre janeiro e abril é normal, devido às condições meteorológicas do período e ao uso do sistema de aquecimento em casas.

Neste ano, porém, diversos eventos contribuíram para elevar ainda mais esse nível, como as emissões de amoníaco provenientes da agricultura, pouca chuva e a poeira do Saara que chegou ao país em abril.

Incentivar a bicicleta 

“As medidas descentralizadas para combater a poluição do ar nas cidades não são suficientes para controlar o problema”, afirma Jens Hilgenberg, especialista em trânsito da Federação para Meio Ambiente e Proteção da Natureza da Alemanha (Bund).

Organizações ambientais no país exigem que o governo tome medidas para reduzir o trânsito de veículos nas cidades, incentivar o uso de bicicleta e ampliar a malha de ciclovias, estabelecer a obrigatoriedade de filtros para locomotivas movidas a diesel, navios fluviais, máquinas de construção antigas, além de impor regras mais rigorosas para sistemas de aquecimento e lareiras.

Em 2012/2013, a concentração de material particulado no ar nas cidades alemãs foi relativamente pequena, apenas em algumas estações foram medidos níveis acima do limite europeu. Mas em 2010/2011, a poluição ultrapassou o limite estabelecido em 40% das estações.

18 de abril de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Brasil concentra metade das mortes de ecologistas, diz ONG

Terra

O grupo Global Witness denunciou esta semana o aumento de mortes de ativistas defensores do meio ambiente e o direito à terra entre 2002 e 2013 no mundo, sobretudo na América Latina, onde o Brasil é o país mais perigoso para o grupo. Quase metade das mortes foram registradas no País.

Em um relatório divulgado nesta terça-feira em Londres, a ONG afirma que pelo menos 908 pessoas morreram em 35 países defendendo o meio ambiente e o direito à terra nesse período, embora os últimos anos tenham sido os piores. De acordo com o documento, mais de 80% das mortes registradas corresponderam à América Latina.

De acordo com o documento, o Brasil é país mais perigoso para defender o direito da terra, pois houve 448 mortes nesse período, seguido por Honduras, com 109, e Filipinas, com 67, enquanto o número correspondente ao Peru é de 58.

Segundo a ONG – que luta contra a corrupção, a pobreza e defende os direitos humanos – esse aumento alarmante de mortes corresponde à forte concorrência para chegar aos recursos naturais, especialmente em países latino-americanos como o Brasil, Honduras e Peru, e também em outros da zona da Ásia-Pacífico.

Por ocasião do 25º aniversário da morte do ativista e seringueiro Chico Mendes, o relatório da Global Witness, intitulado “Ambiente Mortal”, assinala que a falta de informação sobre o problema dos ativistas faz pensar que o número total de mortes pode ser ainda maior.

O grupo acrescenta que 2012 foi o pior ano para os ativistas, pois foram registradas 147 mortes, quase três vezes mais que em 2002, enquanto a impunidade está estendida já que apenas dez responsáveis desses falecimentos foram condenados.

Oliver Courtney, representante da Global Witness, advertiu sobre o risco atual para os ativistas e disse confiar em que este documento chame atenção sobre a situação para os governos nacionais e a comunidade internacional.

A Global Witness assinala que as comunidades indígenas se veem afetadas pois em muitos casos o direito a suas terras não foi reconhecido por lei ou na prática, por isso são vulneráveis à “exploração de poderosos interesses econômicos”.

Nesse sentido, a ONG diz que os principais problemas no Brasil são as disputas pelas terras, enquanto a situação nas Filipinas está ligada ao setor minerador.

A Global Witness pede um esforço coordenado para acompanhar de perto a situação, especialmente da ONU.

Além disso, a organização solicita aos organismos regionais defensores dos direitos humanos e aos governos nacionais que acompanhem de perto os casos de abusos contra os ativistas e que os responsáveis de suas mortes sejam levados à Justiça.

18 de abril de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Urbanização é chave no controle de mudanças climáticas, diz ONU

G1

green-buildings_Symbol-redimensiondaAs áreas urbanas do mundo devem crescer em quase duas vezes o tamanho de Manhattan por dia até 2030, e os projetos de urbanização de futuras cidades da Ásia e da África será crucial para reduzir o aquecimento global, apontou um estudo da ONU divulgado em 14/04/2014.

A expansão vertiginosa significa oportunidades de bilhões de dólares para as empresas, que vão desde a construção mais sustentável de casas e escritórios até a melhoria das redes ferroviária e rodoviária, de acordo com um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU (IPCC).

“Há uma janela de oportunidade” para se associar a arquitetura urbana com a redução do aquecimento global, disse Karen Seto, professora da Universidade de Yale, que participou da elaboração do relatório do IPCC de 2.000 páginas sobre o controle de mudanças climáticas.

Um resumo de 33 páginas com uma foto de Xangai na capa foi divulgado no domingo. O documento informa que cidades ainda a serem construídas podem ajudar o conter o aquecimento, mas a maioria dos detalhes está em um capítulo de 116 páginas obtido pela Reuters antes da publicação na terça-feira (15).

Em um cenário, a expansão urbana entre 2000 a 2030 irá adicionar 1,2 milhão de quilômetros quadrados para as cidades, principalmente na Ásia e na África.

Essa expansão significa 110 quilômetros quadrados todos os dias durante três décadas, quase duas vezes o tamanho de Manhattan ou 20 mil campos de futebol norte-americano.

“Vinte mil campos de futebol vão passar de fazendas para cidades, de florestas para as cidades, todos os dias”, disse Seto à Reuters. As áreas urbanas representam entre 71 e 76 por cento das emissões de dióxido de carbono do mundo de energia.

Projetos de cidades mais compactas, que reduzem trajetos, aquecimento para poupar energia, transporte público melhor, ciclovias e áreas de pedestres podem reduzir as emissões, principalmente de combustíveis fósseis.

Os obstáculos incluem a falta de regulamentação para o planejamento, especialmente em países em desenvolvimento.

“A cada semana, a população urbana mundial aumenta em 1,3 milhão”, informa o capítulo. Em 2050, a população urbana deve ser cerca de dois terços de todas as pessoas na Terra.

18 de abril de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Países de língua portuguesa terão metas ambientais compartilhadas

MMA

Nesta semana, aconteceu a VI Conferência de Ministros de Meio Ambiente da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Maputo, Moçambique. Durante o encontro, os participantes assinaram a Declaração de Maputo com metas comuns para o desenvolvimento sustentável nos oito países-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Paulo Guilherme Cabral, representou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, no encontro. “Esta VI Conferência permitiu fortalecer a cooperação mútua e a definição de pontos comuns em relação aos acordos internacionais, especialmente em relação às convenções do Rio: desertificação, biodiversidade e clima”, destacou.

Tela verde 

Segundo Cabral, as preocupações com as mudanças do clima e o estabelecimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram os principais temas tratados. “O Brasil tem muito a contribuir em função dos resultados alcançados e por ser um líder no desafio da redução da pobreza extrema”, afirmou.

O governo brasileiro estabeleceu acordos de cooperação com a CPLP para ações na área de educação ambiental, por meio do Circuito Tela Verde de vídeos com temática de proteção ao meio ambiente; capacitação para monitoramento da água, com a atuação da Agência Nacional de Águas (ANA); e ações de combate à desertificação, no âmbito dos esforços para a implantação da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).

Saiba mais 

Em 2006, o MMA realizou, em Brasília, a III Reunião de Ministros de Meio Ambiente da CPLP, na qual foi aprovada a Declaração de Brasília e a Plataforma de Cooperação da CPLP na Área Ambiental. A Plataforma de Cooperação da CPLP na Área Ambiental constitui a principal referência do grupo para o estabelecimento de ações de cooperação, mas sua implantação é dificultada pela falta de recursos financeiros e pela fragilidade das instituições em alguns dos estados-membros.

18 de abril de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Relatório da ONU vê ações contra mudança climática como insuficientes

G1

A terceira e última parte do quinto Relatório de Avaliação feita por cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma que são necessárias mais ações para cortar as emissões de gases de efeito estufa para limitar o aquecimento do planeta a 2ºC até 2100.

Segundo os cientistas, é preciso abandonar os combustíveis fósseis poluentes e utilizar fontes mais limpas para evitar o efeito estufa, que poderá provocar um aumento da temperatura do planeta entre 3,7ºC e 4,8ºC antes de 2100, o que seria um nível catastrófico.

“Há uma clara mensagem da ciência: para evitar uma interferência perigosa com o sistema climático, temos que deixar de continuar operando igual”, explicou Ottmae Edenhofer, copresidente do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU, que elaborou o documento.

O documento chamado de “Sumário para os Formuladores de Políticas”, divulgado neste domingo (13), em Berlim, apresenta ideias de como limitar o impacto das alterações do clima a partir da análise de 900 modelos econômicos, formulados por governos e pesquisadores, além dos resultados das negociações sobre o clima.

Segundo a brasileira Suzana Kahn Ribeiro, vice-presidente do grupo de mitigação do IPCC e uma das autoras do novo capítulo, o texto quer chamar a atenção de governantes para a inércia climática. “Se não tiver uma atitude drástica, não tem a menor chance de limitar em 2ºC até o final do século”, disse ela.

Emissões mais altas 

De acordo com o sumário, é “altamente confiável” que entre 2000 e 2010 houve um crescimento anual de 2,2% das emissões de gases de efeito estufa no mundo. E isso teria ocorrido mesmo com o conhecimento prévio de que entre 1970 e 2000 as emissões haviam aumentado 1,3% ao ano.

O texto diz ainda que 80% dos lançamentos ocorridos entre 2000 e 2010 vieram da queima de combustíveis fósseis, principalmente da geração de energia e indústria.

Principais ações 

De acordo com as previsões do relatório, até 2050 o setor de energia deve emitir o dobro ou talvez o triplo da quantidade de gases em comparação às 14 gigatoneladas de CO2 equivalente lançadas em 2010. Por isso, “descarbonizar” a geração de eletricidade é um componente chave para o funcionamento das estratégias de redução de emissões.

O texto afirma que é preciso investir em formas alternativas que usem o vento, o sol e a água para gerar energia. Há ainda uma discussão em torno da matriz nuclear, considerada pelos cientistas uma tecnologia de baixo carbono, mas com barreiras operacionais e de segurança, necessitando, desta forma, mais progressos em pesquisas.

Na área de transportes, o relatório sugere a necessidade de diversificar os modais, com maior investimento em meios de massa, como trens e ônibus, e pede incentivos no desenvolvimento de combustíveis menos poluentes e veículos que usem a eletricidade.

No setor de construção, o documento menciona avanços tecnológicos para redução de gases, principalmente em países em desenvolvimento, que contribuíram para a estabilização ou redução de emissões. No trecho que trata da indústria, o IPCC sugere um corte de 25% nas emissões em comparação aos níveis atuais com a implementação de inovações tecnológicas.

Sobre uso da terra, agricultura e florestas, o relatório indica um declínio de emissões nessas áreas, principalmente pela diminuição do desmatamento. Os cientistas apontam que boas práticas na agricultura, a conservação de florestas e a recuperação de áreas degradadas são formas efetivas de mitigar a mudança climática.

Brasil na contramão 

Apesar dos cientistas apontarem a inovação no setor de energia como forma de reduzir as emissões de carbono, Suzana comenta que o Brasil segue atualmente na contramão ao não aumentar a participação de fontes renováveis e ainda acionar termelétricas para aumentar a oferta de eletricidade do país.

Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) divulgados na semana passada apontam que o uso da energia térmica no Brasil aumentou 11% entre fevereiro de 2013 e 2014. O baixo nível dos reservatórios utilizados pelo sistema hidrelétrico obrigou o país a acionar as termelétricas, que geram energia por meio da queima de combustíveis como óleo, gás, carvão e biomassa.

“Tirando a parte de desmatamento, floresta e agricultura, não temos um programa forte de eficiência energética, transporte de massa, com incentivos ao transporte individual”, disse ela.

Previsões científicas 

As informações são complementares a dois outros capítulos do relatório, divulgados em setembro de 2013 e março de 2014.

O primeiro capítulo afirmava que há mais de 95% (extremamente provável) de chance de que o homem tenha causado mais de metade da elevação média de temperatura registrada entre 1951 e 2010, que está na faixa entre 0,5 a 1,3 grau.

Sobre as previsões, a primeira parte trouxe também a informação de que há ao menos 66% de chance de a temperatura global aumentar pelo menos 2ºC até 2100 em comparação aos níveis pré-industriais (1850 a 1900). Isso se a queima de combustíveis fósseis continuar no ritmo atual e sem o cumprimento de políticas climáticas já existentes.

Os 259 pesquisadores-autores de várias partes do mundo, incluindo o Brasil, estimaram ainda que, no pior cenário possível de emissões, o nível do mar pode aumentar 82 centímetros, prejudicando regiões costeiras do planeta, e que o gelo do Ártico pode retroceder até 94% durante o verão no Hemisfério Norte.

Impactos e adaptação 

Já o segundo capítulo, lançado no fim de março, concluiu que são “altamente confiáveis” as previsões de que danos residuais ligados a eventos naturais extremos ocorram em diferentes partes do planeta na segunda metade deste século. E isso deve acontecer mesmo se houver corte substancial de emissões nos próximos anos.

O texto aponta que populações pobres de regiões costeiras podem sofrer com o aumento do nível do mar, altas temperaturas acentuariam o risco de insegurança alimentar e que áreas tropicais da África, América do Sul e da Ásia devem sofrer com inundações causadas pelo excesso de tempestades.

O documento afirma também que há fortes evidências de uma redução da oferta de água potável em territórios subtropicais secos, o que aumentaria disputas pelo uso de bacias hidrográficas, além de uma possível perda de espécies de plantas e animais pela pressão humana, como a poluição e o desmatamento de florestas.

Todo o conteúdo vai servir de base para as Conferências das Partes, as COPs, que ocorrem todos os anos e reúnem países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês). É nessa reunião que se desenhará um novo acordo global que vai obrigar todas as nações a cortar suas emissões de gases de efeito estufa e, com isso, frear o aquecimento global.

18 de abril de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Japão confirma fim do programa de pesca de baleias na Antártida

UOL

O governo do Japão confirmou recentemente que acatará a recente sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que, em março passado, ordenou o país asiático a revogar as permissões de caça de baleias na Antártida por considerar uma atividade ilegal.

Divulgação/SXC/EcoIn

Divulgação/SXC/EcoIn

O Executivo japonês enviou um escrito a um parlamentar que já havia questionado o cumprimento dessa ordem e cobrado uma decisão definitiva a respeito.

O Japão está “profundamente decepcionado” com a decisão da CIJ, mas “cumprirá com a sentença” como um país que respeita a legalidade, dizia o texto encaminhado ao parlamentar.

Em 2010, a Austrália denunciou o Japão perante o CIJ por considerar que seu “programa de pesquisa científica” no oceano Antártico, na realidade, escondia um programa de pesca com fins comerciais.

Em seu veredicto, divulgado no último dia 31 de março, a CIJ apontou que este programa não era legal porque não se ajustava aos “fins científicos” exigidos pela legislação internacional para poder realizar este tipo de práticas.

No texto enviado ao parlamentar, o governo também disse que estudará a fundo a sentença e estudará futuros passos, o que não descarta a possibilidade de uma possível adequação.

Neste aspecto, o país asiático pode propor no futuro um novo programa científico, cujas características seriam diferentes das atuais, para poder pescar de novo na Antártida.

Nesta semana, o Japão informou que durante a última campanha no oceano Antártico pescou 251 baleias, mais que o dobro do ano anterior (quando pescou seu mínimo histórico). No entanto, devido ao assédio realizado contra os baleeiros japoneses pelo grupo ecologista Sea Shepherd, esse número supõe apenas uma quarta parte do previsto.

O Japão tem vigente outra campanha de captura de baleias com fins científicos no Pacífico Norte e, além disso, segue pescando espécies menores de cetáceos com fins comerciais, inclusive golfinhos, em suas costas judiciais.

18 de abril de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Para presidente do Banco Mundial, aquecimento global não é levado a sério

UOL

O aquecimento global não está sendo levado a sério e o tempo está se esgotando para evitar suas consequências, como inundações nas cidades e seca nas fazendas, advertiu o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, em 10 de abril.

“Estamos rapidamente chegando ao ponto em que não seremos capazes de manter o aquecimento global abaixo dos dois graus Celsius”, disse Kim no início das reuniões de primavera do Banco Mundial, em Washington.

“O aquecimento até dois graus Celsius terá grandes implicações… Quarenta por cento das terras aráveis na África desaparecerão com dois graus Celsius [a mais]; Bangcoc poderá facilmente ficar submersa com dois graus Celsius [a mais]“, afirmou, em alusão à meta da ONU de limitar o aquecimento do planeta a dois graus Celsius.

O Banco Mundial está fazendo esforços em várias regiões para combater as mudanças climáticas, inclusive com o desenvolvimento de programas de taxação e comércio de carbono, o financiamento de energias renováveis e a pressão para que os governos retirem subsídios energéticos.

Mas Kim expressou preocupação de que muitos tenham parado de pensar nas mudanças climáticas como um problema urgente.

“Mas em 10, 15 anos, quando começarem os conflitos por falta de acesso a água e comida, então todos pensaremos: Caramba, por que não fizemos antes?”, afirmou.

“Estou muito preocupado com isso. Não acho que o mundo esteja levando o assunto a sério”, concluiu.

9 de abril de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Investimento em energia renovável no mundo caiu 14% em 2013, diz ONU

G1

Os investimentos mundiais em energias renováveis caíram 14% em 2013 e a China pela primeira vez liderou os aportes no setor passando a Europa, de acordo com um comunicado da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado na segunda-feira (7).

Os investimentos em energias renováveis, exceto a hidroeletricidade, despencaram para US$ 214,4 bilhões em 2013, um recuo de US$ 35,1 bilhões em comparação com o ano anterior e 23% abaixo do recorde anterior de 2011, revelou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

A queda ocorreu devido à “incerteza política em vários mercados”, o que se traduziu em falta de clareza sobre o apoio governamental ao setor e ao custo decrescente de sistemas solares, acrescentou o informe.

“Embora alguns possam apontar para o fato de que o investimento geral nas renováveis caiu em 2013, a queda disfarça os vários sinais positivos de um mercado dinâmico que está evoluindo e amadurecendo rapidamente”, disse Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma.

Dados regionais 

Os números foram divulgados dias após a publicação do mais recente informe com os alertas mais contundentes sobre os riscos para as futuras gerações de um sistema climático combalido, elaborado por um painel de especialistas em clima da ONU.

“Os impactos das mudanças climáticas não deixarão intocada ou impassível nenhuma parte do mundo”, afirmou nesta segunda-feira o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri.

Na Europa, que tem sido líder mundial no apoio ao desenvolvimento das renováveis, os investimentos despencaram 44% para US$ 48 bilhões no ano passado, informou o Pnuma. Na China, a queda foi de 6% para US$ 56 bilhões, enquanto nos Estados Unidos a redução foi de um décimo, para US$ 36 bilhões.

Após nove anos de crescimento, o ano passado foi o primeiro em que os investimentos em renováveis caíram nos países emergentes, destacou o relatório. Apesar disso, o setor das energias renováveis não recebeu só más notícias.

Em toda a parte, a proporção de geração global de eletricidade subiu para 8,5% contra 7,8% em 2012. Excluindo a hidroeletricidade, as renováveis corresponderam a 43,6% da capacidade geradora recém-instalada em 2013.

A energia solar ainda tem o maior suporte dos investidores, enquanto o preço médio de instalação de um painel solar caiu 60%.

Companhias de energias renováveis também receberam mais apoio de investidores privados, com a captação de recursos dobrando para um recorde de US$ 11 bilhões ao longo do ano, destacou o Pnuma. “Fundações para o crescimento futuro do mercado foram criadas em 2013″, afirmou Michael Liebreich, presidente do Conselho para Finanças de Novas Energias da Bloomberg, que colaborou no estudo.

9 de abril de 2014
por Adalberto de Bruyn
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El Hierro, a ilha espanhola que viverá do vento e da água

Terra

Ela é a menor das ilhas Canárias e a menos conhecida pelos turistas, mas El Hierro se prepara para se tornar a primeira ilha a se abastecer com eletricidade de forma 100% autônoma, graças às energias renováveis.

Para tanto, aposta principalmente em sua principal riqueza, o vento que sopra durante todo o ano nos 278 quilômetros quadrados de sua atípica paisagem, de verdes montanhas e grandes esplanadas de rocha vulcânica, em frente à costa africana.

Mas, “o vento não é constante” e, por isso, surgiu a ideia de combiná-lo com outro recurso, a água, explica Juan Manuel Quintero, diretor-geral da usina Gorona del Viento, localizada perto da capital, Valverde.

Visão geral de reservatório e estação de energia em El Hierro Foto: DESIREE MARTIN / AFP

Visão geral de reservatório e estação de energia em El Hierro
Foto: DESIREE MARTIN / AFP

Segundo um esquema único no mundo, a instalação une cinco aerogeradores e duas balsas d’água, uma 700 metros acima do nível do mar e outra, 650 metros abaixo.

O parque eólico, com potência de 11,5 megawatts, atenderá amplamente a demanda das usinas dessalinizadoras da água do mar e dos cerca de 10.000 moradores da ilha (uns 8 megawatts nos horários de pico).

O excedente servirá para bombear água do mar dessalinizada da balsa inferior à superior.

E quando não houver vento, a energia hidráulica tomará seu lugar, deixando cair água de cima para baixo, gerando uma potência de 11,3 megawatts.

Este sistema “nos dá uma garantia de abastecimento” de eletricidade, destaca Quintero, que supervisiona os últimos testes da implantação da usina, dentro de algumas semanas.

Na inauguração oficial, prevista para o final de junho, a usina atenderá a 50% da demanda de eletricidade e ao longo dos meses, espera aumentar esse percentual até chegar aos 100%.

Esta instalação permitirá à ilha, reserva da biosfera da Unesco, parar de emitir 18.700 toneladas de CO2 ao ano e de consumir 40.000 barris de petróleo. A usina a diesel permanecerá como uma solução de reserva para casos excepcionais.

“É um projeto considerado, em nível mundial, um dos pioneiros e mais importantes na produção de energias renováveis”, afirma Alpidio Armas, presidente do Cabildo, a instituição administrativa local.

“A verdadeira novidade de El Hierro é que os técnicos conseguem, sem estar ligados a uma rede nacional ou insular, garantir uma produção elétrica estável, gerada 100% por energias renováveis, superando as intermitências do vento”, confirma Alain Gioda, historiador do clima do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD) em Montpellier, que visitou a ilha uma dezena de vezes.

O projeto vai além e espera converter até 2020 a frota automobilística (6.000 carros) à eletricidade, graças a um acordo com a Renault-Nissan. Uma usina de reciclagem de óleo para transformá-lo em biodiesel também começou a funcionar recentemente.

Devido ao tamanho reduzido e à pequena população, “El Hierro pode ser uma espécie de laboratório”, avalia Armas, e um exemplo para as ilhas de todo o mundo, onde vivem 600 milhões de pessoas. Já manifestaram interesse no projeto Havaí, Samso (Dinamarca), Oki (Japão), Aruba (Holanda) e Indonésia.

Os administradores da ilha, uma rocha perdida no extremo oeste das Canárias, também foram convidados a expor o caso em vários congressos internacionais, em Malta e na Coreia do Sul, principalmente.

Com um orçamento de 80 milhões de euros, a usina pertence 60% ao Cabildo, 30% à elétrica Endesa (Enel) e 10% ao Instituto Tecnológico das Canárias.

“O Cabildo, isto é, a população de El Hierro, quis ser a dona da maior parte da propriedade de Gorona del Viento: isto significa que os lucros e também os possíveis prejuízos, definitivamente o destino de Gorona del Viento, está nas mãos dos próprios Herreños” (habitantes de El Hierro), afirma Alpidio Armas.

Não haverá preços especiais para eles (a tarifa de eletricidade é igual em todo o país), mas os ganhos da central aumentarão o orçamento da ilha: “Falamos de algo em torno de 1 a 3 milhões de euros” ao ano, diz.

“Estes são recursos para a ilha, que podem ser novamente revertidos à população, no preço da água, na manutenção das infraestruturas, nas políticas sociais…”, acrescenta Armas.

Com taxa de desemprego de 32%, El Hierro também espera atrair muitos visitantes. “Não podemos renunciar aos lucros que o turismo dá, mas não queremos um turismo de massa”, como em outras partes das Canárias, afirma o presidente do Cabildo.

A ilha aposta em amantes da natureza e da ciência, como os bolsistas alemães que visitam a usina.

9 de abril de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Poluição deixa patos verdes no interior de São Paulo

Por Eduardo Schiavoni – UOL

A poluição no rio Atibaia, causada por despejo de esgoto sem tratamento, gerou a reprodução descontrolada de cianobactérias e algas na represa de Salto Grande, em Americana (127 km de São Paulo). Lá, a plumagem de patos, geralmente branca, foram tomadas pelo verde, cor conferida à água pelos microoganismos. Em alta quantidade, a presença das cianobactérias é prejudicial à saúde humana.

A plumagem de patos, geralmente branca, foi tomada pelo verde, cor conferida devido à poluição no rio Atibaia, causada por despejo de esgoto sem tratamento. Foto: Divulgação/Barco Escola.

A plumagem de patos, geralmente branca, foi tomada pelo verde, cor conferida devido à poluição no rio Atibaia, causada por despejo de esgoto sem tratamento. Foto: Divulgação/Barco Escola.

As algas e cianobactérias, de coloração verde, liberam toxinas e, em casos extremos, a morte dos animais. Na semana passada e nesta semana, houve o registro de mortandade de patos sem causa aparente.

Ao homem, entre as consequências da ingestão da água da represa estão a diminuição dos movimentos, prostração, cefaleia, febre, dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia e hemorragia intra-hepática.

Já para quem tiver contato com a água contaminada, pode haver irritação ou erupções na pele, inchaços dos lábios, irritação dos olhos e ouvidos, dor de garganta e inflamações nos seios da face, além de asma.

Segundo o biólogo Carlos Zappia, presidente da Associação Barco Escola, que desenvolve trabalhos de preservação ambiental na represa e que registrou a coloração verde na área e nos animais, há, hoje, o total de cianobactérias e algas na represa aumentou pelo menos 500% em quatro anos.

“Esses organismos representam significativos níveis de toxicidade que acabam sendo incorporados à cadeia alimentar, incluíndo peixes, podendo levar a um desequilíbrio do ecossistema local, além de causar danos à saúde humana”, disse.

Tratamento 

A represa de Salto Grande, utilizada para a produção de energia, é formada a partir do represamento do rio Atibaia. Segundo Zappia, o risco da multiplicação sem controle de microrganismos no reservatório começou a ser debatido há quatro anos.

Em 2010, o alerta foi lançado no Comdema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente) de Americana, mas poucas ações foram tomadas desde então.

Para que o problema seja resolvido, é necessário que todas as cidades que despejam efluentes no Atibaia passem a tratar o esgoto de forma completa.

“Alguns esforços se mostram necessários para a solução desse problema, mas nenhum destes será eficaz enquanto não houver um tratamento pleno e eficaz dos efluentes lançados no Rio Atibaia e seus afluentes”, afirma o biólogo e gestor ambiental Denis Marto.