Governo brasileiro não quer ligar Rio+20 às negociações climáticas

Por Carolina Cimenti -  Portal iG

O governo brasileiro não quer ligar a conferência ambiental Rio+20, que acontecerá em junho no País, às negociações sobre emissões de carbono e aquecimento global, pois teme que se esse for o tema principal, a conferência já começa seriamente problemática.

Por outro lado, se a conferência não tratar de temas ambientais delicados e não criar pressão para que países como os Estados Unidos e a China façam mais pelo ambiente, inclusive reduzindo emissões de gás carbono, teme-se em Nova York que ela possa acabar sendo irrelevante.

A Rio+20, que tem o apoio das Nações Unidas (ONU), não pretende estipular regras ou negociar cortes de emissões de carbono. O documento final do evento não pretende ser um tratado, apenas um diálogo entre nações.

O esboço inicial do documento, que está sendo elaborado em Nova York essa semana, está publicado no site do evento em português como “esboço zero”.

“A Rio+20 faz parte da família das conferências que nos fazem parar para pensar. Você para tudo, olha para a agenda atual e reflete sobre o caminho a ser tomado”, explicou o embaixador André Corrêa do Lago, diretor do Departamento de Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, que se encontra em Nova York para participar de reuniões preparatórias para o evento na ONU.

O que o governo brasileiro mais quer desta conferência é que ela obtenha um tipo de consenso e resultado, segundo o embaixador Corrêa do Lago.

“Mas é preciso ter cuidado porque para obter consenso temos que fazer concessões, e também não podemos aguar e diluir todas as discussões, é preciso que haja um balanço e que se avance na agenda ambiental e de desenvolvimento sustentável”, disse ele ao iG em Nova York.

Por isso, em vez de tratar agressivamente do aquecimento climático, a estratégia do governo brasileiro será discutir o desenvolvimento sustentável como uma possível e ecológica saída da crise econômica mundial. “A discussão ambiental não pode caminhar sozinha, ela tem que ser feita juntamente com a discussão econômica. Só assim ela pode funcionar”, diz Corrêa do Lago.

Segundo ele, os temas principais da Rio+20 serão transporte, energia, a criação e eliminação de lixo e a necessidade de mudar os padrões de consumo do mundo, ou seja, fazer com que as pessoas comprem menos.

“O maior desafio para o Brasil será o de convencer países ricos e pobres que o desenvolvimento sustentável é uma questão econômica, e não ambiental, e que existem milhares de oportunidades e empregos a serem criados com ele, e não o contrário”, disse o embaixador.

A Rio+20 pretende discutir metas para o desenvolvimento sustentável, assim como a ONU criou metas para combater a pobreza 12 anos atrás, os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.Os diplomatas envolvidos nessas discussões falam abertamente da possibilidade dessas metas, porém afirmam que politicamente ainda não seja possível coloca-las em prática.

Na conferência, haverá discussão sobre temas a serem seguidos, mas provavelmente ainda não se tratará das metas propriamente ditas que possam impulsionar e medir o desenvolvimento sustentável no mundo.

Elefante de Sumatra pode desaparecer em menos de 30 anos

France Presse

O elefante de Sumatra (Indonésia) desaparecerá “em menos de 30 anos” se ninguém impedir a destruição de seu habitat, advertiu na terça-feira (24) a organização de proteção do meio ambiente WWF.

“Restam apenas de 2.400 a 2.800 elefantes de Sumatra em estado selvagem, o que representa uma queda da população de 50% em relação a 1985″, indicou um comunicado da ONG.

“Os cientistas acreditam que, se a tendência atual prosseguir, os elefantes de Sumatra desaparecerão em estado selvagem em menos de 30 anos”, acrescenta a organização.

O animal está protegido por uma lei indonésia, mas é vítima da destruição acelerada de seu habitat.

A selva da ilha de Sumatra, no noroeste do arquipélago indonésio, está cada vez mais limpa para abrir espaço às plantações de palmas ou para áreas agrícolas.

Itália corre o risco de ter pior desastre ambiental em 20 anos

Por Silvia Aloisi  – Reuters // Tradução Jéssica Lipinski – Instituto CarbonoBrasil

A Itália corre o risco de ter seu pior desastre ambiental em mais de duas décadas se as 2,4 mil toneladas de combustível do Costa Concórdia, que naufragou parcialmente em 13 de janeiro, poluírem uma das reservas marítimas mais intocadas a e valorizadas do Mediterrâneo.

Sete dias depois que o navio de 114,5 mil toneladas naufragou parcialmente na costa toscana, a grande embarcação está se movendo sobre uma formação rochosa submarina, ameaçando afundar ainda mais e minando os planos de retirar o combustível de forma segura.

O navio tombou após bater em uma pedra e está agora virado de lado em uma plataforma, com cerca de 20 metros de profundidade de água, perto da pequena ilha de Giglio. Onze pessoas morreram e 21 ainda estão desaparecidas.

Com as buscas de achar algum sobrevivente quase encerradas, especialistas alertam que além da perda de vidas, isso pode se tornar a pior emergência ambiental marítima desde o naufrágio do Amoco Milford Haven, carregado com 144 mil toneladas de combustível, na costa de Gênova, em 1991.

 A limpeza na área foi concluída em 2008, 17 anos depois do acidente, e a carcaça do Haven ainda está no fundo do mar, disse Luigi Alcaro, diretor de emergências marítimas da ISPRA, a agência governamental da Itália para o meio ambiente.

“Se o Costa Concórdia deslizar mais e o combustível começar a vazar para a água, podemos falar em anos e dúzias de milhões de euros antes que isso possa ser limpo”, afirmou Alcaro à Reuters.

A quantidade de combustível a bordo do Costa Concórdia, 2.380 toneladas de combustível diesel e óleo de lubrificação, é comparável ao que é transportado por um petroleiro pequeno, declarou o ministro do meio ambiente, Corrado Clini, ao parlamento na última semana.

O tanque de combustível parece estar intacto por agora.

Altamente tóxico

Clini disse que mesmo um vazamento controlado seria altamente tóxico para a flora e a fauna da área, que é um parque natural marítimo conhecido por suas águas claras e pela vida marinha e corais variados.

A ilha de Giglio é um local renomado de mergulho e o arquipélago ao redor é lar de mais de 700 espécies botânicas e animais, incluindo tartarugas, golfinhos e focas.

Alcaro disse que o cenário mais otimista seria estabilizar o navio e retirar o combustível através de uma técnica conhecida como “hot tap”.

“O combustível no navio é muito grosso e pegajoso, então você tem que perfurar um buraco no casco e aquecê-lo para torná-lo mais fluido e mais fácil de retirar”, afirmou ele à Reuters.

“Isso poderia ser feito em cerca de um mês nos 13 tanques externos do navio. Há outros dez tanques interiores, e esses são muito mais difíceis de alcançar”, declarou ele.

Mas se o navio deslizar mais para dentro da água, seria melhor que os tanques se rompessem e que o combustível flutuasse até a superfície, disse ele.

“Haveria pânico por umas duas semanas, é claro, mas um ‘mar negro’ de combustível o tornaria visível e mais fácil de recuperar. O pior cenário é ter combustível vazando lentamente.”

Ele citou o incidente do navio de cruzeiro Sea Diamond, que afundou na ilha grega de Santorini em abril de 2007, afirmando que o combustível do navio naufragado ficou escoando para a água por três anos a um ritmo de 30 kg por dia.

O turismo é a principal indústria de Giglio e os habitantes locais estão preocupados com o impacto potencialmente devastador da poluição.

“Se houver um vazamento massivo de combustível, podemos muito bem fechar tudo, jogar a chave fora e voltar em dez anos”, declarou Massimiliano Botti, 40, proprietário do restaurante Porta Via, no cais de Giglio. “O dano ambiental é o que mais nos preocupa. Se o combustível poluir a costa, estamos arruinados.”

O prefeito de Giglio, Sergio Ortelli, disse que a recuperação do combustível deveria começar nas próximas 48 horas, mas a embarcação se deslocou mais na sexta-feira à medida que o clima piorava, forçando uma nova suspensão do trabalho de resgate.

“Podemos apenas esperar que o clima continue aceitável, que os esforços para estabilizar a embarcação continuem rapidamente e que Deus nos dê uma mão para preservar o que muitos consideram um pequeno paraíso mediterrâneo” escreveu Fulco Pratesi, fundador do grupo conservacionista WWF na Itália, no jornal Corriere della Sera.

•Acompanhe a versão em inglês:

Italy risks worst environmental disaster in 20 years

Seven days after the 114,500 tonne liner capsized off the Tuscan coast, its vast wreck is shifting precariously on an undersea ledge, threatening to slide further and undermining plans to pump the oil out safely.

The ship keeled over after striking a rock and is now lying on its side on a shelf in about 20 meters of water off the little island of Giglio. Eleven people were killed and 21 are still unaccounted for.

With hopes of finding any survivors all but gone, experts warn that beyond the loss of lives, this could turn into Italy’s worst maritime environmental emergency since the sinking of the Amoco Milford Haven, loaded with 144,000 tonnes of oil, off the coast of Genoa in 1991.

The clean up of that area was completed in 2008, 17 years after the accident, and the Haven shipwreck is still on the seabed, said Luigi Alcaro, head of maritime emergencies at ISPRA, Italy’s government agency for the environment.

“If the Costa Concordia slides further down and the fuel begins seeping into the water, we could be talking years and dozens of millions of euros before it can be cleared up,” Alcaro told Reuters.

The amount of fuel on board the Costa Concordia, 2,380 tonnes of heavy diesel fuel and lubricating oil, is comparable to that carried by a small oil tanker, Environment Minister Corrado Clini told parliament this week.

The fuel tanks appear to be intact for now.

Highly Toxic

Clini said even a contained leakage would be highly toxic for the flora and fauna in the area, a natural maritime park noted for its clear waters, varied marine life and coral.

The Giglio island is a renowned diving site and the surrounding archipelago is home to more than 700 botanical and animal species, including turtles, dolphins and seals.

Alcaro said the most optimistic scenario would be to stabilize the ship and pump the oil out through a technique known as “hot tap.”

“The oil on the ship is very thick and sticky, so you’d have to drill a hole in the hulk and warm it up to make it more fluid and easier to extract,” he told Reuters.

“That could be done in about a month for the 13 external tanks on the ship. There are another 10 tanks inside, and those are a lot more difficult to reach,” he said.

But if the ship slips deeper underwater, it would actually be better if the tanks ruptured open and the fuel floated up to the surface, he said.

“There would be panic for a couple of weeks of course but a ‘black sea’ of fuel would make it visible and easier to recover. The very worst scenario is having oil slowly leaking out.”

He pointed to the precedent of the cruise ship Sea Diamond, which sank off the Greek island of Santorini in April 2007, saying oil from the wrecked vessel kept seeping into the water for three years at the rate of 30 kg a day.

Tourism is the top industry on Giglio and locals are worried about the potentially devastating impact of pollution.

“If there’s a massive fuel spill, we might as well close everything down, throw away the key and come back in 10 years,” said Massimiliano Botti, 40, owner of the Porta Via restaurant along the Giglio quay. “Environmental damage is what concerns us most. If the oil pollutes the coast, we’re ruined.”

Giglio’s mayor Sergio Ortelli said the recovery of the fuel was likely to start within the next 48 hours, but the wreck shifted further on Friday as the weather worsened, forcing a new suspension in the rescue work.

“We can only hope that the weather remains acceptable, that efforts to stabilize the wreck continue speedily, and that God gives us a hand to preserve what many consider a little Mediterranean paradise,” Fulco Pratesi, founder of the conservation group WWF in Italy, wrote in the Corriere della Sera newspaper.

*(additional reporting by Steve Scherer in Giglio; Editing by Philip Pullella and Janet Lawrence)

 

Um desastre ambiental com impacto por 80 anos

Por Pamela Sepúlveda – IPS/Envolverde

Santiago, Chile – “É um fato gravíssimo, uma catástrofe ambiental em toda sua magnitude”, resumiu para a IPS a ecologista Sara Larraín o impacto do incêndio que desde 27 de dezembro dizima o Parque Nacional Torres del Paine, na Patagônia chilena. As chamas, em cumplicidade com fortes ventos, tomaram conta de um setor de difícil acesso e afetaram uma área superior a 16 mil hectares de vegetação, que autoridades do setor informaram à IPS que demorarão cerca de 80 anos para se recuperarem.

Até o momento, há apenas um suspeito de ter causado este desastre ambiental, o turista israelense Rotem Singer, que durante os 90 dias que pode durar o processo está proibido de deixar o país e deve apresentar-se periodicamente à promotoria.

Atualmente a área está com alerta amarelo, após o alerta vermelho de incêndio florestal decretado no final de dezembro pelo Escritório Nacional de Emergências (Onemi), a pedido da Corporação Nacional Florestal (Conaf). Pelo menos 200 pessoas trabalham no terreno afetado, entre brigadistas da Conaf, Forças Armadas e policiais. Também há colaboração de brigadistas de Brasil, Argentina e Uruguai.

O Parque Nacional Torres del Paine compreende cerca de 200 mil hectares e é uma das principais riquezas naturais e turísticas do Chile. Fica na província de Última Esperança da XII Região de Magalhães, entre o maciço da Cordilheira dos Andes e a estepe patagônica. Trata-se de uma região localizada mais de três mil quilômetros ao sul da capital chilena, que em 1978 foi declarada Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O último informe oficial indica que a vegetação afetada inclui floresta nativa de lenga (Nothofagus pumilio) e ñirre (Nothofagus antarctica), matagal e estepe. Também foram prejudicadas instalações da Conaf e de concessionários turísticos. O incêndio teria sido causado pelo descuido de turistas, que começaram o fogo em um setor de montanha chamado Olguín, perto da geleira Grey. Daí se propagou para o sul pela margem do Lago Grey até o maciço Paine, onde se abriu em dois braços que se projetaram independentemente.

Há setores em que as chamas são reativadas pelas condições do vento, que ali pode passar dos cem quilômetros por hora, o que alerta para possíveis novos focos ativos e faz temer que o incêndio não esteja completamente dominado enquanto não terminar o verão austral, no final de março. Em entrevista à IPS, o gerente de Áreas Protegidas da Conaf, Eduardo Katz, disse que, dos mais de 16 mil hectares afetados, há lugares com “perda total da floresta. Contudo, há uma boa quantidade de hectares com perda parcial e é preciso ver como reagem as plantas diante do fogo”, o que dependerá da quantidade de água disponível, da chuva e da temperatura.

Os primeiros sinais positivos vieram das últimas chuvas, com uma frequência pelo menos semanal, na segunda e terceira semanas deste mês. “Com as últimas chuvas, nasce uma importante quantidade de pasto, e isto nos ajuda bastante no controle da erosão. Por outro lado, também permite a alimentação dos herbívoros”, ponderou Katz. O Parque Torres del Paine tem uma população de flora e fauna de aproximadamente 300 espécies de plantas, 126 de aves e mais de 30 mamíferos, répteis, anfíbios e peixes, que vivem entre vegetação, lagos, geleiras, Oceano Pacífico e rochas formadas há 150 milhões de anos.

A esse respeito, Katz declarou que, “felizmente, as duas populações de mamíferos de grande tamanho, os camelídeos guanacos (Lama guanicoe) e os cervos andinos (Hippocamelus bisulcus), não vivem nas zonas do incêndio mas nas vizinhas”, e se observou que conseguiram fugir do fogo. “Não encontramos evidência de mortes de animais pelo fogo”, afirmou.

Outra preocupação é quanto tempo vai demorar para o ecossistema se recuperar. “A recuperação na Patagônia, em Torres del Paine, ocorre relativamente lenta”, reconheceu o gerente da Conaf. O último precedente, outro incêndio em 2005 no parque, mostrou que a recuperação das pastagens do ecossistema é relativamente rápida e se espera que produza antes de um ano. Contudo, a floresta nativa afetada tem piores expectativas. Para as espécies de lenga e ñirre, Katz prevê que “uma recuperação total pode demorar pelo menos 80 anos”. Acrescentou que esta recuperação será apoiada por um programa de restauração ecológica de plantação e sua proteção de herbívoros e ventos.

A Conaf conta com algumas ferramentas de prevenção, ação frente às emergências e recuperação, informou Katz. Porém, considerou que a melhor arma contra estes desastres é o compromisso dos visitantes em favor do habitat. Recordou que os dois incêndios no parque foram causados pelas pessoas. “São descuidos humanos, porque não acampam nos lugares adequados, não usam o fogo de forma correta. Se o fizessem do jeito certo não haveria riscos”, alertou.

No entanto, a diretora do não governamental Programa Chile Sustentável e ex-candidata presidencial, Sara Larraín, questionou a ação do Estado na proteção de uma zona tão importante para o país e a humanidade. “O Estado dedica pouco menos de mil pesos (US$ 2) por hectare protegido para cuidados durante todo o ano”, disse Larraín. “A verdade é que não há capacidade de comunicações nem capacidade humana para proteger estas áreas”, acrescentou.

Para Larraín, “o incêndio em Torres del Paine mostra que não aprendemos nada desde o anterior”, também causado por um turista que violou as normas. Desde 2005, não houve mudanças na lei ou na política pública para “prevenir este tipo de situação”. A ambientalista adverte que “isto mostra a nula vontade política dos governos do Chile, independente de partido político, de proteger o patrimônio ambiental”.

“Hoje, o que temos é nenhum texto, nenhum avanço, não temos um contexto legal que salvaguarde as áreas protegidas”, denunciou Larraín. “As sanções dentro da lei de floresta nativa são da década de 1930 e não são equivalentes aos danos gerados”, explicou. Após o incêndio, o direitista presidente Sebastián Piñera anunciou a preparação de uma nova lei de florestas para criar uma nova institucionalidade e aumentar as sanções sobre os responsáveis por causar os incêndios, que, segundo a legislação vigente, de 1931, não passa dos 61 dias de prisão.

Além disso, se proporia a criação de um plano nacional de proteção de incêndios, uma nova instituição responsável pela tarefa e um fundo destinado a enfrentar estas emergências. Entretanto, diversas organizações ambientalistas se mostram desconfiadas diante dos anúncios de Piñera, sobretudo se continuar apenas com discursos sem detalhar “quais serão as destinações orçamentárias”.

Mercado dos transgênicos foge da Europa por rejeição social

Por Juan Gómez e Rafael Méndez  – Tradução Moisés Sbardelotto – El País/ IHU On-Line

Anúncio de que a multinacional alemã BASF transferirá para os EUA e para a América do Sul a maior parte de suas pesquisas sobre transgênicos é o último sintoma da vitória dos ecologistas e dos grupos de consumidores de uma dura batalha.

A Europa não é um continente para transgênicos. A rejeição social e política em muitos países deixou a União Europeia muito atrasada nesse campo. E o anúncio de que a multinacional alemã BASF transferirá para os EUA e para a América do Sul a maior parte de suas pesquisas sobre transgênicos é o último sintoma da vitória dos ecologistas e dos grupos de consumidores nessa dura batalha. Das grandes do setor, só a Bayer mantém centros de pesquisa na Europa.

A gigante química alemã BASF justifica a sua decisão na baixa demanda por esses produtos na Europa. Segundo a porta-voz Julia Meder, a multinacional continuará suas pesquisas genéticas no continente americano. A BASF fecha seus três laboratórios genéticos com a consequente redução de quadro e transfere a sua sede central de biotecnologia de Limburgerhof (Renânia) para Raleigh (Carolina do Norte). Os produtos geneticamente modificados “não encontram suficiente aceitação na Europa” para justificar os investimentos. Só a Espanha, diz, “é aparentemente a exceção”. Mas, em conjunto, “o mercado europeu é muito reticente” para que seja rentável.

Em 2004, a suíça Syngenta tomou uma decisão similar. Como a Monsanto, Dow e DuPont não mantêm centros de pesquisa na Europa, isso implica que, das grandes empresas do setor, só a Bayer mantêm centros na UE.

Carel du Marchie Sarvaas, diretor de Biotecnologia da Europa Bio, associação empresarial do setor, considera que a situação é desastrosa. “Falamos de postos de trabalho para doutores, bem remunerados, e as empresas europeias vão levá-los para os EUA. É a típica coisa que deveria fazer com que as pessoas refletissem”. A BASF não fornece os valores sobre os investimentos cancelados, mas assegura que pesquisou a um custo de mais de um bilhão de euros nos últimos 15 anos.

As dificuldades de implementação na Europa não se devem tanto a restrições legais para a pesquisa e o cultivo, mas sim à rejeição do consumidor. Um inquérito Eurobarômetro de 2010, com 16 mil enquetes, constatou um incremente na rejeição aos transgênicos: havia subido de 57% em 2005 para 61%. Enquanto isso, o apoio caiu de 27% para 23% (na Espanha, de 66% em 1996 para 35%). “Ao contrário da indústria e dos cientistas, os europeus consideram que os transgênicos não oferecem benefícios e são inseguros”, concluiu. Isso, apesar de que nas quase duas décadas de uso dos transgênicos até a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a sua segurança. Então, só seis países cultivavam transgênicos: Espanha (líder em milho resistente à praga do caruncho), a República Tcheca, Portugal, Romênia, Polônia e Eslováquia. Na Europa, havia apenas cerca de 100 mil hectares, comparadas com os 134 milhões no mundo.

A situação é tal que a França, Alemanha, Hungria, Grécia, Áustria, Luxemburgo e Bulgária já proibiram o milho cultivado na Espanha. E há outros como a Áustria que votam sistematicamente contra a opinião da Agência Europeia de Segurança Alimentar. Nos EUA e nos países em desenvolvimento, em contrapartida, há muito menos debate. Carlos Vicente, diretor de Biotecnologia da Monsanto na Espanha, afirma a situação europeia não afetará o desenvolvimento mundial: “Países muito importantes na produção de matérias-primas agrícolas, como Canadá, EUA, Brasil, Argentina, China e Índia, por exemplo, continuam avançando no desenvolvimento da biotecnologia agrícola”.

A BASF obteve em 2010 a licença de cultivo de uma batata transgênica. É geneticamente modificada (a empresa a chama de “melhorada”) para conter mais amido de uso industrial do que uma batata normal. Isso gerou uma onda de protestos na Alemanha. A batata Amflora chegou a ser cultivada legalmente em um Estado oriental do país. O governo regional ordenou a sua confiscação quando se descobriu que, na Suécia, haviam sido cultivadas entre as Amflora outros tipos de batatas modificadas que não possuíam licença. A BASF não comercializa produtos agrícolas diretamente, mas colabora com empresas como Monsanto ou Bayer. Com elas, desenvolve as sementes modificadas, que chegam ao mercado através desses sócios.

A retirada da BASF do continente europeu gerou nesta terça-feira um debate político na Alemanha. Os liberais do DFDP lamentaram a “perda para o desenvolvimento científico”. A política “não soube conter a corrente de pensamento anticientífica e alheia à realidade”, disseram. Parlamentares dos Verdes, no entanto, asseguraram que a decisão da BASF se deveu meramente ao “fiasco comercial” de seus produtos agrícolas.

Os ecologistas saudaram o anúncio como um triunfo: “A decisão da BASF é um aviso para empresas como Monsanto, Syngenta e Bayer, que continuam pressionando para introduzir culturas transgênicas na Europa. O exemplo da BASF mostra que forçar a vontade dos consumidores e da grande maioria dos agricultores não é nem rentável economicamente”, manifestou a Amigos de la Tierra em um comunicado.

O professor de pesquisa do CSIC Pere Puigdomènech opina que a retirada da BASF “pode ser vista como uma vitória ecologista ou como uma perda para a Europa, porque a biotecnologia aplicada à alimentação não vai se deter. O Brasil, por exemplo, fez um feijão transgênico, e os EUA debatem agora a aprovação da alfafa”. Puigdomènech destaca outro aspecto, de que, ao perder a pesquisa, a UE também perde o controle: “Importam-se milhões de toneladas de grãos transgênicos, mas não poderemos controlar se são produzidos por outros, e não temos a tecnologia para isso”.

Anvisa quer proibir uso de dois agrotóxicos que fazem mal à saúde

Por Carolina Pimentel – Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer proibir o uso de dois agrotóxicos no país. A agência abriu na segunda-feira (23) consulta pública propondo banir o parationa metílica e o forato do mercado brasileiro.

Segundo a Anvisa, estudos científicos mostram que as substâncias fazem mal à saúde. O parationa causa problemas no sistema endócrino, transtornos psiquiátricos e afeta o desenvolvimento do embrião e do feto na gravidez. O inseticida é usado no controle de pragas nas plantações de algodão, alho, arroz, batata, cebola, feijão, milho, soja e trigo.

O forato aumenta o risco de diabetes na gestação e atinge o sistema respiratório, podendo levar à morte com a exposição a baixas doses. É autorizado para o combate de parasitas e insetos nas lavouras de algodão, amendoim, café, feijão, milho, tomate e trigo.

Os dois produtos já são proibidos na Comunidade Europeia e utilizados com restrições nos Estados Unidos.

As consultas ficam abertas por dois meses, período em que a população pode opinar sobre o banimento dos agrotóxicos.

Satélites europeus encontram reserva de água doce no Ártico

Reuters

Satélites da ESA (Agencia Espacial Europeia) localizaram um reservatório de água doce no oceano Ártico que está se expandindo e pode baixar a temperatura na Europa.

A descoberta, descrita na publicação científica “Nature Geoscience” de domingo (22), é importante pois significa que toda a água doce do oceano Ártico aumentou cerca de 10%, o equivalente a 8.000 quilômetros cúbicos.

Desde 2002, essa reserva que fica a oeste do Ártico subiu cerca de 15 centímetros. A elevação pode ter ocorrido pela ação dos ventos árticos que interferem na corrente oceânica Beaufort Gyre e que pode fazer com que o nível do mar se eleve.

A Beaufort Gyre é uma das correntes oceânicas menos compreendidas do planeta. Alguns cientistas acreditam ela possa sofrer influências do aquecimento global, com o risco de complicações na circulação do oceano e no aumento do nível do mar.

Degelo no Ártico ameaça vida de ursos polares, alertam russos

Portal Terra

O crescente degelo do Ártico, provocado pelo aquecimento global, ameaça a sobrevivência dos ursos polares, advertiu no domingo (22) o Centro Hidrometeorológico da Rússia (CHR). Segundo os dados recolhidos pelas estações científicas, a massa total dos gelos árticos sofreu uma redução de 55% em comparação com a média registrada nos anos 80 e 90. “Este processo afeta, inclusive, as camadas de gelo mais antigas e mais grossas”, apontam os especialistas russos.

“Além de problemas evidentes, como o aumento do nível dos oceanos, o crescente degelo traz consigo outro perigo: a redução da população de ursos polares”, afirma o CHR. Atualmente, a população desta espécie está estimada entre 20 mil e 25 mil.

Em sua nota, o CHR também destaca que os cientistas possuem opiniões diferentes sobre as perspectivas de sobrevivência do urso polar. Para alguns especialistas, se o homem não assumir o controle da situação, o degelo do Ártico deverá desencadear a extinção do urso branco em pouco tempo.

No entanto, outros preveem que a formação de uma espécie de “oásis de gelo” próximo da Groenlândia evitará a extinção dos ursos brancos.

Em ambos os casos, acrescenta o CHR, as consequências da mudança climática nas regiões polares devem superar qualquer previsão e desencadear impactantes transformações globais, incluindo nas espécies animais.

Brasileiro é nomeado para convenção de biodiversidade da ONU

Folha.com

O brasileiro Bráulio Ferreira Dias foi anunciado na última semana como o novo secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU (Organização das Nações Unidas).

Secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, ele assume o posto com o desafio de definir na convenção um modelo para a divisão dos bens produzidos da natureza. O encontro está marcado para outubro na Índia.

O nome do brasileiro foi confirmado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em Nova York. Dias ocupará, a partir de fevereiro, cargo de subsecretário adjunto da ONU, trabalhando diretamente com Ban Ki-monn, nos próximos quatro anos.

Segundo o governo, ele passou por uma seleção técnica, com entrevista direta com o secretário-geral da ONU.

Em entrevista no Palácio do Planalto, Dias afirmou que terá como principais metas estabelecer ações concretas para conservar a biodiversidade e repartir os benefícios com povos nativos, como indígenas.

Essas medidas poderão incentivar pesquisas em biotecnologia, valorizar os conhecimentos das populações tradicionais além de representar instrumentos para reduzir a biopirataria.

Outro ponto que terá atenção do novo secretário é a confirmação dos congressos de 50 países do protocolo da Convenção sobre Diversidade Biológica, da ONU, em Nagoya, Japão, que estabeleceu 20 objetivos para deter o ritmo alarmante de desaparecimento das espécies que vivem tanto em terra quanto no mar.

A ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) comemorou a indicação e disse que isso representa reconhecimento do papel do país nas ações ambientais em todo mundo, em um ano em que o país sediará o encontro Rio +20.

Relatório chinês delineia riscos climáticos

Por Chris Buckley – Reuters // Tradução – Fernanda B. Muller – Instituto CarbonoBrasil

O aquecimento global ameaça a marcha da China para a prosperidade acabando com plantações, reduzindo rios e desencadeando mais secas e enchentes, concluiu a mais recente avaliação do governo sobre as mudanças do clima, projetando grandes mudanças na forma de suprimento das necessidades da nação.

Os alertas são feitos no segundo “Relatório Nacional de Avaliação sobre as Mudanças Climáticas”, que resume o atual conhecimento científico sobre as consequências e custos do aquecimento global para a China, segunda economia do mundo e maior emissor de gases do efeito estufa (GEEs).

O aquecimento global, alimentado pelos GEEs das indústrias, transporte e mudança no uso da terra, impõe uma ameaça de longo prazo à prosperidade, saúde e produção alimentícia chinesas, diz o relatório. Com a economia provavelmente competindo com a norte-americana em tamanho nas próximas décadas, isso desencadeará consequências ainda maiores.

“A China enfrentará condições ambientais e ecológicas extremamente sombrias com o impacto do contínuo do aquecimento global e mudanças no ambiente regional”, comenta o relatório de 710 páginas, publicado oficialmente no final do ano passado, porém liberado para venda recentemente.

Mesmo assim, as crescentes emissões chinesas de dióxido de carbono, o principal GEE, começarão a cair apenas em torno de 2030, com quedas mais significativas após meados do século, explica o relatório.

Presumindo que nenhuma medida seja tomada, a produção de grãos no país mais populoso do mundo pode cair entre 5% e 20% até 2050, dependendo se o “efeito de fertilização” da maior quantidade de dióxido de carbono na atmosfera compensar as perdas, pondera o documento.

Porém, a possibilidade de queda pode ser mitigada através da melhoria dos plantios e práticas agrícolas, assim como pelo aumento da irrigação e uso de fertilizantes.

A China é o maior consumidor mundial de cereais e tem recorrido cada vez mais a fornecedores estrangeiros de milho e soja.

O relatório foi escrito por um grupo de cientistas supervisionados por oficiais do governo e dá prosseguimento à primeira edição, lançada em 2007. O documento não estabelece políticas, mas oferece evidências e previsões que darão forma a elas.

Custos crescentes para o cultivo

“No geral, os impactos observados das mudanças climáticas sobre a agricultura têm sido tanto positivos quanto negativos”, disse à Reuters um dos autores do relatório, Lin Erda.

“Porém, constantemente, com o aumento das temperaturas, as consequências negativas serão cada vez mais sérias”, comentou Lin, especialista em mudanças climáticas e agricultura da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas.

“Por um certo período, as pessoas conseguirão se adaptar, mas os custos de adaptação aumentarão, inclusive para a agricultura”.

Sob cenários diferentes de níveis de GEEs e seus efeitos, até o final do século, a temperatura média na atmosfera terá subido entre 2,5° C e 4,6° C acima da média para o período 1961-1990 na China.

A água, tanto em grande quanto em pouca quantidade, está no coração de como o aquecimento pode afetar a prosperidade no país.

“As mudanças climáticas levarão a desequilíbrios severos nos recursos hídricos chineses ao longo dos anos. Em grande parte, a precipitação será cada vez mais concentrada no verão e outono, sendo que enchentes e secas serão cada vez mais frequentes”, diz o relatório.

“Sem medidas efetivas como resposta, até o final do século 21, as mudanças no clima ainda podem ser uma ameaça para a segurança alimentar em nosso país”.

Sob o cenário dos efeitos sobre a disponibilidade de água, em 2050 oito das 31 províncias continentais e cidades com status de província podem ter déficits severos, ou seja, menos de 500 metros cúbicos por residente. Outras dez podem ter problemas um pouco menos crônicos.

“Desde a década de 1950, mais de 82% das geleiras estão em estado de retração e o ritmo tem acelerado desde a década de 1990”, alerta o relatório sobre a região do Tibete e áreas próximas que alimentam os principais rios.

Aumento do nível do mar

Em regiões baixas da costa, o aumento do nível do mar pressionará grandes cidades e zonas exportadoras que têm conduzido a industrialização chinesa.

Nos últimos 30 anos até 2009, o nível do mar subiu 11,5 centímetros em Xangai, e nos próximos 30 anos provavelmente aumentará mais dez ou 15 centímetros.

Os esforços do país para proteção das áreas vulneráveis da costa com obras de contenção são inadequados, diz o relatório, ressaltando sua vulnerabilidade para tufões e marés altas, que serão intensificados pelo aquecimento global.

A China, com 1,34 bilhões de pessoas, já emite um quarto do dióxido de carbono produzido pelo homem na Terra, sendo que os Estados Unidos estão em segundo.

O relatório prevê que as emissões chinesas devem alcançar em torno de 9,5 bilhões de toneladas em 2020, dada a meta do governo de cortar o dióxido de carbono liberado por cada unidade de crescimento entre 40% e 45% em relação aos níveis de 2005.

As emissões do país totalizaram 8,3 bilhões em 2010, segundo estatísticas da BP, representando um crescimento anual de 10,4%.

As emissões do país totalizaram 8,3 bilhões em 2010, segundo estatísticas da BP, representando um crescimento anual de 10,4%.

O relatório comenta que os esforços chineses de corte de emissões até 2020 custarão 10 trilhões de Yuan (US$ 1,58 trilhões), incluindo cinco trilhões de Yuan (US$ 790 bilhões) em tecnologias para economia de energia e fontes renováveis.

“Muitas tecnologias custo-efetivas e maduras para economia de energia, além de fontes novas e renováveis, já foram empregadas amplamente”, defende o relatório. “No futuro, controlar as emissões de GEEs exigirá tecnologias mais caras e menos maduras”.

•Acompanhe a versão em inglês:

China report spells out “grim” climate change risks

By Chris Buckley – Reuters

Global warming threatens China’s march to prosperity by cutting crops, shrinking rivers and unleashing more droughts and floods, says the government’s latest assessment of climate change, projecting big shifts in how the nation feeds itself.

The warnings are carried in the government’s “Second National Assessment Report on Climate Change,” which sums up advancing scientific knowledge about the consequences and costs of global warming for China – the world’s second biggest economy and the biggest emitter of greenhouse gas pollution.

Global warming fed by greenhouse gases from industry, transport and shifting land-use poses a long-term threat to China’s prosperity, health and food output, says the report. With China’s economy likely to rival the United States’ in size in coming decades, that will trigger wider consequences.

“China faces extremely grim ecological and environmental conditions under the impact of continued global warming and changes to China’s regional environment,” says the 710-page report, officially published late last year but released for public sale only recently.

Even so, China’s rising emissions of carbon dioxide, the main greenhouse gas from burning fossil fuels, will begin to fall off only after about 2030, with big falls only after mid-century, says the report.

Assuming no measures to counter global warming, grain output in the world’s most populous nation could fall from 5 to 20 percent by 2050, depending on whether a “fertilization effect” from more carbon dioxide in the air offsets losses, says the report.

But that possible fall can be held in check by improved crop choice and farming practices, as well as increased irrigation and fertilizer use.

China is the world’s biggest consumer of cereals and has increasingly turned to foreign suppliers of corn and soy beans.

The report was written by teams of scientists supervised by government officials, and follows up on a first assessment released in 2007. It does not set policy, but offers a basis of evidence and forecasts that will shape policy.

Rising Costs of Growing Food

“Generally, the observed impacts of climate change on agriculture have been both positive and negative, but mainly negative,” Lin Erda, one of the chief authors of the report, told Reuters.

“But steadily, as the temperatures continue to rise, the negative consequences will be increasingly serious,” said Lin, an expert on climate change and farming at the Chinese Academy of Agricultural Sciences.

“For a certain length of time, people will be able to adapt, but costs of adaptation will rise, including for agriculture.”

Under different scenarios of greenhouse gas levels and their effects, by the end of this century China’s average atmospheric temperature will have risen by between 2.5 degrees and 4.6 degrees Celsius above the average for 1961-1990.

Water, either too much or too little, lies at the heart of how that warming could trip up China’s budding prosperity.

“Climate change will lead to severe imbalances in China’s water resources within each year and across the years. In most areas, precipitation will be increasingly concentrated in the summer and autumn rainy seasons, and floods and droughts will become increasingly frequent,” says the report.

“Without effective measures in response, by the latter part of the 21st century, climate change could still constitute a threat to our country’s food security,” it says.

Under one scenario of how global warming will affect water availability, by 2050 eight of mainland China’s 31 provinces and provincial-status cities could face severe water shortages – meaning less than 500 cubic meters per resident – and another 10 could face less dire chronic shortages.

“Since the 1950s, over 82 percent of glaciers have been in a state of retreat, and the pace has accelerated since the 1990s,” the report says of China’s glaciers in Tibet and nearby areas that feed major rivers.

Rising Sea Levels

In low-lying coastal regions, rising seas will press up against big cities and export zones that have stood at the forefront of China’s industrialization.

In the 30 years up to 2009, the sea level off Shanghai rose 11.5 centimeters (4.5 inches); in the next 30 years, it will probably rise another 10 to 15 centimeters.

China’s efforts to protect vulnerable coastal areas with embankments are inadequate, says the report, noting their vulnerability to typhoons and flood tides that global warming could intensify.

There are sure to be shifts in Chinese crop patterns as well, says the report. More rice and other crops will probably grow in the northeast, thanks to warmer weather and possibly more rain. In the northwest cotton-growing region of Xinjiang, shrinking water availability could lead to a “marked decline in agricultural crop productivity”.

In northern and southwest areas, winter wheat harvests could shrink due to shifting seasons and less rain when it is needed. Corn-growing regions will need more irrigation and fertilizer.

“Future climate warming will therefore increase the costs of agriculture,” says the report.

China, with 1.34 billion people, already emits a quarter of the world’s CO2, with the United States the world’s second largest greenhouse gas emitter.

The report forecasts China’s CO2 emissions could reach between 9 and 9.5 billion tons in 2020, given the government’s goal of cutting the carbon pollution emitted for each unit of growth by 40-45 percent compared to 2005 levels.

China’s emissions totaled 8.3 billion tons in 2010, according to BP Statistics, representing annual growth of 10.4 percent.

The report says China’s emissions reduction efforts up to 2020 will cost 10 trillion yuan ($1.6 trillion), including 5 trillion yuan for energy-saving technology and new and renewable energy.

“Many cost-effective and mature technologies for energy saving and new and renewable energy have already been widely applied,” it says. “In the future, controlling greenhouse gas emissions will require more costly and less mature technologies.”

* (Editing by David Fogarty)