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10 de setembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Emissão de gás carbônico no mundo tem maior salto desde 1984

G1

Poluiçao Pequin_RedimensionadaA concentração de gases do efeito estufa na atmosfera atingiu níveis recordes em 2013, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Entre 2012 e o ano passado, a taxa de acúmulo de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera teve o crescimento mais rápido em um ano desde 1984. A OMM afirmou que o relatório ressalta a importância de um acordo mundial para limitar a emissões de gases do efeito estufa.

Em 2009, líderes de todo o mundo concordaram em fechar um tratado para manter um aumento na temperatura global de no máximo 2ºC até 2020.

O Boletim anual de Gases do Efeito Estufa não mede a produção de emissões, mas registra a quantidade de gases que permanecem na atmosfera depois das interações com terra, ar e oceanos.

Cerca de metade das emissões acaba absorvida por mares, florestas e seres vivos.

Mesmo assim, a concentração de CO2 na atmosfera bateu 396 partes por milhão (ppm) em 2013, um aumento de quase 3ppm em comparação com o ano anterior.

Crescimento recorde 

“O boletim mostra que, bem longe de estar caindo, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera de fato subiu no último ano na taxa mais rápida em quase 30 anos”, disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

A concentração de CO2 atual é de 142% dos níveis de 1750, ou seja, antes do início da Revolução Industrial. O acúmulo de outro potente gás de efeito estufa, o metano, foi de 253%.

O estudo também indica que o crescimento recorde do CO2 em 2013 não se deve apenas a mais emissões, mas a uma redução na capacidade de absorção de carbono pela biosfera.

A descoberta intrigou cientistas da OMM. A última vez que se constatou uma redução no nível de absorção da biosfera foi em 1998, quando houve um pico de queima de biomassa, aliado a um intenso El Niño.

“Já em 2013 não houve impactos óbvios na biosfera, portanto, é ainda mais preocupante”, disse o chefe da divisão de Pesquisa Atmosféria da OMM, Oksana Tarasova. “Não entendemos se isso é uma coisa temporária ou permanente, e isso é preocupante.”

Tarasova afirma que a descoberta pode indicar que a biosfera atingiu o seu limite, mas destaca que é impossível confirmá-lo no momento. Os dados compilados pela OMM cobrem os anos de 1990 a 2013 e mostram que gases como CO2, metano e óxido nitroso (N20), que sobrevivem na atmosfera por muitos anos, contribuíram para um aumento de 34% no aquecimento global.

No entanto, a temperatura global média não subiu paralelamente à elevação da concentração de CO2, o que levou muitos a afirmarem que o aquecimento global havia parado. “O sistema climático não é linear, não é simples. Não há necessariamente um reflexo da temperatura na atmosfera, mas se analisarmos o perfil de temperatura dos oceanos, vê-se que o calor está indo para os mares”, disse Oksana Tarasova.

O relatório também inclui pela primeira vez dados sobre a acidificação do mar provocada pelo dióxido de carbono. A OMM diz que diariamente os oceanos absorvem cerca de 4kg de CO2 por pessoa. Os pesquisadores acreditam que a atual taxa de acidificação seja a maior dos últimos 300 milhões de anos.

Diante das evidências, a OMM urge líderes mundiais a tomarem decisões contundentes sobre a política climática. Em 23 de setembro será realizado em Nova York um encontro extraordinário sobre o clima, convocado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

No fim do ano, a ONU promove a sua reunião anual sobre mudanças climáticas, desta vez em Lima, no Peru. A expectativa é que os dois encontros cheguem ao consenso necessário para um novo acordo climático mundial na reunião anual da ONU de 2015, em Paris.

No entanto, até o momento não se tem qualquer previsão de como transformar o acordo em algo legalmente vinculante, para que seja, de fato, efetivo.

10 de setembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Plano vai proteger espécies ameaçadas de extinção

MMA

Com objetivo de reduzir a perda e alteração de habitat, a pressão de caça, o tráfico e manter ou incrementar as populações de aves, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançou, no dia 8 de setembro, o Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves Ameaçadas de Extinção da Caatinga (PAN Aves da Caatinga), que será coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave).

O PAN Aves da Caatinga abrange dez espécies ameaçadas de extinção: Hemitriccus mirandae (maria-do-nordeste); Lepidocolaptes wagleri (arapaçu-de-wagler); Penelope jacucaca (jacucaca); Phylloscartes beckeri (borboletinha-baiana); Phylloscartes roquettei (cara-dourada); Xiphocolaptes falcirostris (arapaçu-do-nordeste); Pyrrhura griseipectus (periquito-de-cara-suja); Rhopornis ardesiacus (gravatazeiro); Sclerurus cearensis (vira-folha-cearense); e Sporagra yarrellii (pintassilgo-do-nordeste).

Combate ao tráfico 

A meta é diminuir a captura e tráfico do Pyrrhura griseipectus (periquito-de-cara-suja), e a caça do Penelope jacucaca (jacucaca) e do Crypturellus noctivagus zabelê (zabelê) , além de conhecer a população e área de ocupação de Pyrrhura griseipectus. Há também outras espécies beneficiadas a exemplo do Augastes lumachella (beija-flor-de-gravata-vermelha); Formicivora grantsaui (papa-formiga-do-sincorá); Formicivora iheringi (Papa-formigas-da-caatinga) e Scytalopus diamantinensis (tapaculo-da-chapada-diamantina).

Com a execução do PAN, será possível estimar o tamanho populacional das espécies para manter ou ampliar a área de ocupação conhecida. Também se espera trabalhar para reduzir as taxas de perda de formações de Caatinga e promover conectividade de remanescentes em áreas importantes identificadas para a conservação das espécies. O plano, que será mantido e atualizado no site do Instituto Chico Mendes, vai vigorar até fevereiro de 2017.

10 de setembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Metade das aves da América do Norte correm risco por mudanças climáticas

Terra

Mais da metade das espécies de pássaros da América do Norte, como a águia-careca, símbolo dos Estados Unidos, estão ameaçadas pelas mudanças climáticas, segundo um estudo da organização ambiental americana National Audubon Society.

“As mudanças climáticas representam a maior ameaça aos nossos pássaros hoje”, disse Gary Langham, diretor científico da organização e responsável por essa pesquisa que durou sete anos.

A situação exige “uma ação rápida e decisiva para evitar uma catástrofe”, alertou.

Trezentos e catorze espécies, mais da metade das que existem na América do Norte e que não eram consideradas em perigo até o momento, estão a partir de agora ameaçadas de extinção se as temperaturas continuarem aumentando, segundo o estudo.

Os ornitólogos identificaram 126 espécies em risco de perder 50% (em alguns casos até 100%) de seu habitat até 2050, sem a possibilidade de emigrar para outro lugar se o aquecimento mantiver o ritmo atual.

Outras 188 espécies podem perder pelo menos 50% de seu habitat até 2080, mas estas poderão ser capazes de colonizar áreas mais frias.

Os cientistas analisaram 30 anos de estatísticas relacionadas ao clima na América do Norte, assim como dezenas de milhares de observações de pássaros e de estudos sobre os locais de reprodução e as condições climáticas.

Enquanto algumas espécies são capazes de se adaptar às mudanças climáticas em seu habitat tradicional, vários dos mais conhecidos e simbólicos pássaros dos Estados Unidos enfrentam sérios desafios. A águia-careca pode sofrer uma redução de seu habitat de cerca de 75% ao longo dos próximos 65 anos.

Outros pássaros que simbolizam estados americanos e estão em perigo são o pelicano-pardo da Louisiana, a gaivota da Califórnia, em Utah, e o maçarico-solitário de Vermont.

10 de setembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Brasil sedia congresso internacional de resíduos sólidos

MMA

Representantes de 68 países estão reunidos em São Paulo para trocar experiências, apresentar seus trabalhos e debater a gestão sustentável dos resíduos sólidos. É a primeira vez que o evento, organizado pela Internacional Solid Waste Association (Iswa), ocorre no Brasil. O Congresso Mundial de Resíduos Sólidos, que termina nesta quarta-feira (10), reuniu mais de mil participantes.

“A realização de um congresso como esse proporciona a multiplicação e divulgação de boas práticas na gestão de resíduos, ampla circulação de ideias, reflexão sobre o que está acontecendo na escala global e na escala local” declarou o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Ney Maranhão, na manhã desta segunda-feira (8), na abertura do evento. “Contribui para o estabelecimento de uma sociedade mais sustentável, mais resiliente quanto à geração de resíduos e sua gestão.”

Avanços 

O secretário destacou que em apenas quatro anos a Política Nacional de Resíduos Sólidos conseguiu avanços significativos e conquistou o amplo apoio da sociedade brasileira, demonstrado pela participação registrada na IV Conferência Nacional do Meio Ambiente que teve como tema central os resíduos sólidos. Mais de 3.500 municípios participaram das conferências municipais. Todos os estados fizeram suas conferências estaduais e elegeram 1.200 delegados. “A IV Conferência deixou um recado da sociedade: temos pressa, não queremos mais lixões em nossas cidades, queremos reciclagem e disposição ambientalmente adequada de rejeitos. A sociedade brasileira não quer a continuidade desse quadro”, destacou. Maranhão ainda ressaltou o emprenho do governo federal para a inclusão dos catadores de materiais recicláveis.

Para o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), e vice-presidente da ISWA, Carlos Silva Filho, uma das questões a serem abordadas no encontro é o impacto econômico de uma gestão inadequada. “Não são só impactos ambientais. Perde-se muito dinheiro, muitos recursos”, afirmou. “Tudo o que é descartado, poderia voltar para o ciclo produtivo na forma de matéria-prima ou na forma de energia.” Diversas iniciativas inovadoras na gestão dos resíduos serão apresentadas no encontro, com destaque para trabalhos brasileiros.

10 de setembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Biólogo pede devolução de metade da Terra para os animais

Por Marina Maciel – Planeta Sustentável

Um dos biólogos mais importantes do mundo surpreendeu ao propor à revista do Instituto Smithsoniano uma estratégia de conservação audaciosa, no final de agosto.

Floresta: plano inclui criar cadeias de corredores ininterruptos de vida selvagem.

Floresta: plano inclui criar cadeias de corredores ininterruptos de vida selvagem.

Segundo Dr. Edward Osborne Wilson, influente cientista de 85 anos da Universidade de Harvard, para prevenir a “extinção em massa de espécies”, precisamos destinar metade do planeta exclusivamente para a proteção dos animais.

Duas vezes vencedor do Prêmio Pulitzer e autor de mais de 25 livros, Dr. Wilson acredita que estamos enfrentando um “holocausto biológico”, causado pelos seres humanos.

De acordo com ele, a sexta extinção em massa será tão devastadora quanto a extinção dos dinossauros, a menos que os humanos compartilhem o mundo com as outras 10 milhões de espécies de uma forma mais igualitária.

A tese também é defendida pela jornalista Elizabeth Kolbert no livro The Sixth Extinction, trabalho de fôlego que dá uma perspectiva histórica do papel do ser humano no planeta. Metade para os animais, metade para nós.

O plano de conservação de Wilson, apelidado de “Half Earth”, inclui a criação de cadeias de corredores ininterruptos de vida selvagem, alguns deles grandes o bastante para abrigar “parques nacionais de biodiversidade”, idealizados para impedir o desaparecimento de espécies.

Tais medidas ajudariam os animais a reagir aos efeitos das mudanças climáticas por meio da migração e também evitariam isolamento em ilhas sem conexão com outros habitats, afirmou na entrevista.

4 de setembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Desmate na Amazônia Legal tem alta de 9,8% ao longo de um ano, diz Inpe

G1

Desmatamento-SXC-SymbolDados divulgados esta semana pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram que a Amazônia Legal perdeu 3.036 km² de floresta entre agosto de 2013 e julho de 2014, 9,8% a mais em relação ao período anterior. Os meses integram o chamado “calendário do desmatamento”, relacionado com as chuvas e atividades agrícolas.

Segundo informações do sistema de detecção em tempo real, o Deter, o montante desmatado é equivalente a duas vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

O mecanismo do Inpe analisa a degradação (desmatamento parcial) e o corte raso (desmatamento total) da floresta nos estados que possuem vegetação amazônica (todos os da Região Norte, além de Mato Grosso e parte do Maranhão).

Os números apontados ajudam órgãos de controle e fiscalização. No entanto, para calcular a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia, o Inpe utiliza o Prodes que trabalha com imagens de melhor resolução espacial e mostram ainda pequenos desmatamentos. Sua divulgação deve ocorrer até o fim deste ano.

Em novembro passado, esse sistema apontou perda de 5.843 km² de floresta entre agosto de 2012 e julho de 2013, aumento de 28% em relação ao período anterior. O tamanho é equivalente a quase quatro vezes o município de São Paulo.

Levantamento de junho e julho 

Os dois últimos meses divulgados pelo governo foram junho e julho. O primeiro período registrou desmatamento de 535,31 km², enquanto no segundo mês, a floresta perdeu 728,56 km² de vegetação. Nos dois últimos meses do calendário do desmatamento, o Pará foi o estado que mais derrubou vegetação, seguido de Mato Grosso e Rondônia.

Em comunicado divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente, o diretor do Departamento de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, avaliou que a expectativa é que em setembro os alertas caiam. “Eles (os desmatadores) agora não terão acesso ao dinheiro que financia o desmatamento. Quem estiver derrubando a floresta vai interromper o corte porque não terá como receber pelo trabalho ilegal”, disse.

4 de setembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Anvisa aceita 17 alternativas a testes de produtos em animais

Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve publicar nos próximos dias a aprovação de 17 métodos alternativos para testes de produtos sujeitos à vigilância sanitária, como medicamentos, cosméticos e produtos de limpeza em geral, para evitar testes em animais.

Os experimentos são feitos para que a Anvisa confira a segurança do produto e o método usado tem que ser aprovado pela agência. Uma das alternativas a testes em animais para saber se o produto causa irritação na pele será uma espécie de pele artificial. Também foi aprovado o método in vitro, que usa culturas celulares para avaliar, por exemplo, possíveis danos de substâncias ao DNA.

A decisão, tomada no dia 21, foi motivada por pedido do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal, que solicitou formalmente a manifestação da agência.

4 de setembro de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Fundo Clima financia projetos em terras indígenas

MMA

Indios_RedimensionadaTerras Indígenas localizadas no Cerrado e Caatinga receberão investimentos de R$ 2,8 milhões para o apoio à elaboração de planos de gestão territorial e ambiental que devem contribuir para o combate ao desmatamento, à desertificação e para o incentivo ao uso sustentável da biodiversidade. As propostas deverão ser apresentadas até 17 de novembro. Os recursos destinados aos projetos aprovados apoiarão a implantação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI) e da Política Nacional sobre Mudança do Clima.

“Há previsões de redução de 35% a 45% de chuvas no Cerrado até 2100, com graves perdas de fauna, flora e comprometimento dos modos de vida indígenas”, relata o Secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, do MMA, Paulo Guilherme Cabral. “E a Caatinga é o bioma mais vulnerável às mudanças climáticas que decorrem do desmatamento”.

Ele explica que os recursos serão destinados a projetos que favoreçam as iniciativas indígenas para o monitoramento ambiental, a recuperação de áreas degradadas, a educação ambiental e o manejo de cadeias produtivas ambientalmente sustentáveis que mobilizem as comunidades para a proteção de seus territórios.

Parceria com a Funai 

O edital de seleção foi publicado no último dia 28 de agosto, no Diário Oficial da União, e os recursos serão provenientes do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, que é presidido pelo MMA. O projeto denominado “Implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas” é uma cooperação técnica entre a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com apoio da Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE).

Serão assegurados até R$ 150 mil para cada uma das propostas que poderão ser apresentadas por organizações da sociedade civil de interesse público, organizações indígenas, organizações indigenistas, ambientalistas e socioambientalistas, e fundações de direito privado, que trabalhem direta ou indiretamente com povos indígenas.

O Fundo Clima financia iniciativas que contribuam com a redução dos impactos da mudança do clima e com a adaptação a seus efeitos. Os recursos não reembolsáveis, como é o caso desses que favorecem as terras indígenas, são operados pelo MMA.

29 de agosto de 2014
por Adalberto de Bruyn
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25 países têm quase todas as florestas intactas do mundo

Por José Eduardo Mendonça - Planeta Sustentável

Mais de metade destas florestas ficam na Austrália, Nova Zelândia, Rússia e Estados Unidos. E apenas 22% delas são protegidas.

Este número consta de estudo publicado na terça-feira (26) na Conservation Letters.

3% das florestas que existiram no passado permanecem em partes temperadas do mundo. Divulgação/SXC/EcoIn.

3% das florestas que existiram no passado permanecem em partes temperadas do mundo.
Divulgação/SXC/EcoIn.

O que poderia salvar os 13 milhões de quilômetros quadrados de áreas intocadas? Elas hospedam mais de metade das plantas e animais do planeta e fornecem serviços como ar e água limpos.

Mas estão sob séria ameaça, seja pela extração, mineração ou agricultura.

Tais mudanças no uso da terra explicam porque apenas 3% das florestas que existiram no passado permanecem em partes temperadas do mundo.

Uma sugestão para sua preservação é torná-las parte das negociações internacionais do clima, como a Convenção-Quadro da Mudança do Clima, da ONU, tentou fazer.

Os bens e serviços que as florestas fornecem deveriam ser incorporados também em avaliações econômicas, e não só o valor de sua madeira.

E os governos deveriam evitar mais perdas de florestas, para desacelerar a mudança do clima e a taxa de extinção de espécies.

Brendan Mackey, diretor do Programa de Resposta à Mudança do Clima da Universidade Griffith, na Austrália, disse ontem que as negociações internacionais não estão dando conta de frear as perdas das florestas primárias mais importantes do mundo e que, na ausência de políticas específicas para proteção, seus valores únicos de biodiversidade e ecossistemas continuarão a ser perdidos tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.

Os cientistas afirmam ainda que deve-se aceitar universalmente o papel importante de áreas conservadas por comunidades locais e indígenas, onde a proteção é eficaz, diz o Economic Times.

29 de agosto de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Com 0,01% do PIB, Brasil preservaria Mata Atlântica

UOL

O Brasil conseguiria preservar a Mata Atlântica investindo apenas 0,01% do seu PIB (Produto Interno Bruto), garante um estudo feito por cientistas e relatado à revista Science na quinta-feira (28). Os pesquisadores afirmam que US$ 198 milhões por ano (o equivalente a cerca de R$ 443 milhões) seriam suficientes para conservar a maioria das espécies e preservar muitos dos benefícios que vêm do ecossistema da floresta, tais como controle de pragas e polinização.

A quantia equivale a apenas 6,5% do que o Brasil já investe em subsídios agrícolas e menos de 0,01% PIB anual do país.

A Mata Atlântica é um dos mais importantes e ameaçados ecossistemas do mundo, contendo mais de 1.000 espécies de plantas e mais exemplares de aves que toda a Europa. Situada ao longo da costa atlântica do Brasil, já cobriu uma área de aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros quadrados. Devido ao desmatamento, hoje tem apenas 160 mil quilômetros quadrados.

Segundo a pesquisadora Cristina Banks-Leite, do Departamento de Ciências da Vida da Imperial College London (Reino Unido), uma das líderes da pesquisa, a Mata Atlântica é menor e muito mais degradada do que a floresta amazônica, e contém uma rica diversidade biológica, sendo o habitat de mais da metade das espécies animais ameaçadas de extinção no Brasil. “Cerca de 90% da Mata Atlântica tem menos de 30% de cobertura florestal remanescente. Isso não é suficiente para garantir a sobrevivência das espécies e a manutenção de um ecossistema próspero”, afirma.

Para calcular os custos, os pesquisadores primeiro tiveram que registrar quais e quantas espécies vivem atualmente nas áreas intocadas e degradadas da Mata Atlântica. Ao longo de nove anos, uma equipe de mais de 100 pesquisadores liderada pelas doutoras Renata Pardini, Marianna Dixo e pelo professor Jean Paul Metzger, da USP (Universidade de São Paulo), coletaram dados sobre aves, mamíferos e anfíbios que vivem na floresta.

Usando redes ornitológicas para capturar aves e armadilhas para apanhar mamíferos e anfíbios, os pesquisadores registraram a existência de mais de 25 mil animais, divididos em 140 espécies de aves, 43 de mamíferos e 29 de anfíbios.

Eles coletaram dados em 79 regiões diferentes da floresta, em 150 km, e estimaram é necessário preservar o mínimo de 30% do habitat natural para manter um nível semelhante de funções da biodiversidade e dos ecossistemas que se encontram em áreas protegidas, como parques nacionais.

Para avaliar os custos gerais de manutenção desse mínimo, os cientistas combinaram as estimativas atuais de cobertura florestal com custos médios pagos aos proprietários particulares de terras pela desapropriação das áreas e descobriram que a preservação da floresta é viável e de baixo custo.

Já existem alguns programas no Brasil para desapropriar terra para a conservação da floresta, preservação de espécies e manutenção dos ecossistemas saudáveis, mas essa tem sido uma iniciativa em escala local, com pouco impacto na manutenção e melhoria das condições da floresta como um todo, segundo o estudo.