Elefantes são mortos na África por armas de conflito na Líbia, diz ONU

G1

Grupos armados da África Central estão usando armas poderosas, algumas possivelmente remanescentes da guerra civil da Líbia, para matar elefantes, denunciou a Organização das Nações Unidas (ONU) no início desta semana.

Em relatório ao Conselho de Segurança, o secretário-geral Ban Ki-moon disse que a caça de elefantes para a extração do marfim causa crescente preocupação, especialmente em Camarões, República Centro-Africana, Chade e Gabão.

Divulgação/Ecoin

Ban disse que o tráfico de marfim pode ser uma importante fonte de financiamento para grupos armados como o Exército de Resistência do Senhor, do fugitivo comandante rebelde Joseph Kony. “Também preocupa que alguns caçadores estejam usando armas cada vez mais sofisticadas e poderosas, algumas das quais, acredita-se, podem ser originárias da Líbia”, afirmou o relatório.

Segundo a ONU, mais de 11 mil elefantes foram mortos entre 2004 e 2013 no parque Minkebe, no Gabão, e 86 animais – inclusive 33 fêmeas prenhas – foram abatidos durante uma semana em março no Chade. Em um parque nacional de Camarões, disse o relatório, mais de 300 foram mortos durante dois meses no ano passado.

“A situação ficou tão séria que as autoridades nacionais em alguns países, como Camarões, decidiram usar o Exército, em complemente à aplicação da lei, e ordenar que agências de segurança procurem os caçadores”, disse Ban.

Funcionários da ONU dizem que a crescente demanda da Ásia por marfim está ajudando a estimular a caça ilegal de elefantes.

ONGs ambientais lançam plataforma para fiscalizar Código Florestal

UOL

Entidades civis e ambientais lançaram na terça-feira (21), em Brasília, o Observatório do Código Florestal. A plataforma pretende acompanhar a implantação da lei no país com a produção de dados, informações e análises dos ambientalistas.

O grupo – formado por Conservação Internacional, Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Instituto Centro de Vida, Instituto Socioambiental, SOS Mata Atlântica, The Nature Conservancy Brasil e WWF-Brasil – pretende acompanhar, principalmente, o desempenho do Programa de Regularização Ambiental e do CAR (Cadastro Ambiental Rural).

O CAR, uma das exigências do Código Florestal, vai funcionar como uma espécie de banco de dados das propriedades rurais. Ele vai ajudar o governo a identificar as áreas de reservas legais e de preservação permanente, as chamadas APPs, em cada terreno, além de acompanhar a recuperação da cobertura vegetal. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 24 Estados já têm acordos assinados para adesão ao sistema.

Segundo o WWF-Brasil, o país tem 5,3 milhões de propriedades rurais, sendo que mais de 4 milhões delas têm algum tipo de pendência ambiental. A ONG calcula que pelo menos 12 mil registros deverão ser feitos diariamente nos dois próximos anos, período fixado para a elaboração desse banco de dados.

O grupo afirma que o Observatório do Código Florestal tem intuito de evitar “novos retrocessos legais” e tornar o processo transparente para a população brasileira.

“Um sistema CAR operando de forma transparente, pública e em bases confiáveis permitirá aos brasileiros acompanhar a aplicação do Código Florestal em campo, conhecer seus reflexos em nascentes e rios intermitentes no Nordeste e Centro-Oeste, por exemplo, bem como na economia e na gestão territorial do país”, disse Jean Timmers, superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil, durante seminário na Câmara dos Deputados promovido pela Frente Parlamentar Ambientalista.

Clima influenciou impulso no desenvolvimento humano, diz estudo

G1

Os primeiros humanos que viveram na África do Sul deram saltos culturais e industriais em períodos de clima mais úmido, revelou na terça-feira (21) um estudo que comparou os registros arqueológicos da evolução do homem com as mudanças climáticas. A pesquisa foi divulgada na revista “Nature Communications”.

Os humanos modernos ou Homo sapiens apareceram pela primeira vez na África durante a Média Idade da Pedra, que durou de 280 mil a 30 mil anos atrás. Alguns dos exemplos mais remotos da cultura e da tecnologia humana foram encontrados na África do Sul, com evidências fósseis com picos inovadores cuja causa deixou os cientistas intrigados.

O registro revela que um período notável de avanço humano ocorreu cerca de 71.500 anos atrás e outro, entre 64 mil e 59 mil anos atrás. Exemplos desta inovação incluem o uso de símbolos, vinculados ao desenvolvimento da linguagem complexa, em gravuras, a manufatura e o uso de ferramentas de pedra e adornos pessoais como joias feitas de conchas.

“Nós mostramos pela primeira vez que o ritmo destes períodos de inovação coincidiu com mudanças climáticas abruptas”, disse coautor do estudo, Martin Ziegler, da Escola de Ciências da Terra e dos Oceanos da Universidade Cardiff, em seu artigo.

“Nós descobrimos que a África do Sul registrou condições mais úmidas durante estes períodos de avanço cultural”, acrescentou. “Ao mesmo tempo, grandes áreas da África Subsaariana experimentaram condições mais secas, sendo assim a África do Sul atuou potencialmente como um refúgio para os primeiros humanos”, emendou.

Clima da África do Sul reconstruído 

Ziegler e sua equipe reconstituíram o clima sul-africano dos últimos 100 mil anos usando amostras sedimentares extraídas da costa leste do país. As amostras mostram mudanças na descarga dos rios e no padrão de chuvas.

“Oferecem pela primeira vez a possibilidade de comparar o registro arqueológico com o registro das mudanças climáticas no mesmo período, e portanto, nos ajuda a compreender as origens dos humanos modernos”, escreveu Ziegler por e-mail.

Também coautor do estudo, Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, afirmou que as descobertas apoiaram a visão de que o crescimento populacional incentivou o avanço cultural através das crescentes interações humanas.

“Estas pulsações influenciadas pelo clima no sul da África e além, provavelmente, foram fundamentais para a origem dos elementos-chave do comportamento do humano moderno na África e para a subsequente dispersão do Homo sapiens a partir de sua terra ancestral, concluiu o estudo.

Amazônia: celebridades apoiam campanha para proteger índios Awá

Terra

A atriz americana Gillian Anderson, a estilista britânica Vivienne Westwood e o fotógrafo Sebastião Salgado se uniram em uma campanha para salvar os índios Awá da Amazônia brasileira, anunciou na terça-feira (21) a organização Survival International.

O ator britânico ganhador do Oscar Colin Firth foi o encarregado de lançar a campanha no ano passado para proteger a tribo que a ONG com sede em Londres considera “em perigo extremo de extinção” devido ao desmatamento de seu território.

Desde então, vinte famosos britânicos e de outros países apoiaram a inciativa tirando fotos com o logo da campanha, que diz “Brasil: Salve os Awá”.

“Devemos, como seres humanos, acordar coletivamente e ajudar a salvar os Awá”, declarou Gillian Anderson, que ficou internacionalmente conhecida como a detetive Scully da série de TV Arquivo X.

“Não podemos permitir que outro povo seja extinto pela negligência e pela cobiça de terceiros. Todos temos um dever”, acrescentou a atriz, citada no comunicado da Survival.

A ONG acusa o Brasil de não fazer nada para proteger esta tribo, que tem uma população total estimada em 450 membros, sendo que cerca de cem nunca tiveram contato com o mundo exterior ao seu território demarcado e ameaçado por madeireiros, criadores de gado e colonos.

“Quando celebridades se unem à campanha para salvar os Awá, o Brasil não pode ignorar o número crescente de vozes que se erguem em apoio à tribo mais ameaçada do planeta. Sua reputação está em jogo”, declarou o diretor da Survival, Stephen Corry.

Hong Kong lança plano de dez anos para enfrentar crise do lixo

UOL

Hong Kong lançou um plano de dez anos para reduzir o lixo individual em 40% como parte de um esforço para acompanhar as outras cidades asiáticas e prevenir uma crise ambiental iminente.

Com uma população de mais de 7 milhões de habitantes, a cidade atualmente envia 1,27 quilo diário de lixo por pessoa para três grandes depósitos ao ar livre, que devem alcançar sua capacidade máxima em 2020.

O projeto do governo propõe atingir esta meta de redução, expandindo a reciclagem, tarifando os serviços sobre resíduos domésticos e melhorando a infraestrutura relacionada com o lixo. Também debate a possibilidade de construir incineradores e aumentar os locais de depósito disponíveis.

“Para enfrentar os desafios da questão do lixo precisamos fundamentalmente dos esforços conjuntos de toda a comunidade para adotar uma cultura ambientalmente sustentável na vida cotidiana”, afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, Wong Kam-sing. “Estamos comprometidos em tomar todas as iniciativas e decisões necessárias de forma a podermos colocar Hong Kong em um caminho claro, na direção de um estilo de vida de menos uso e menos lixo.”

O governo espera reciclar 55% do lixo da cidade, incinerar 23% e descartar 22% em depósitos até 2022. Em 2011, 52% do lixo foram descartados em depósitos e 48%, reciclados. Mas a proposta de construir um incinerador é impopular entre moradores e alguns ambientalistas.

Outras medidas possíveis incluem a expansão da reciclagem dos resíduos alimentares, um sistema de separação e coleta de lixo e uma determinação sobre a construção de extensões de depósitos de lixo.

Segundo o relatório, a maior parte das 9.000 toneladas de resíduos gerados em Hong Kong todos os dias é de origem doméstica, de empresas e indústrias e é composta, em sua maior parte, de putrescíveis, papel e plásticos.

A cidade do Sul da China tem uma elevada taxa de produção de lixo em comparação com outras cidades asiáticas com desenvolvimento econômico semelhante, disse Wong, que acrescentou que Hong Kong ficou para trás porque não seguiu os passos necessários para reduzir o lixo.

A geração local de lixo per capita é maior do que em outras grandes cidades asiáticas, incluindo Tóquio e Seul, que geram, respectivamente, 0,77 kg e 0,95 kg de lixo diário por pessoa, segundo o documento.

Wong também citou o exemplo de Taipé, onde um sistema de taxação do lixo por volume reduziu a quantidade de resíduos por pessoa em 65% entre 2000 e 2011, segundo estatísticas da Autoridade Ambiental de Taiwan.

O Departamento de Proteção Ambiental da cidade havia apresentado anteriormente um projeto de dez anos para a gestão do lixo da cidade em 2005, mas foi criticado por ter fracassado em implementar grande parte do plano.

Encontro brasileiro quer tirar do papel metas sustentáveis

Agência Brasil

Quase um ano depois da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, lideranças de governos e de organizações da sociedade civil ligadas ao meio ambiente começaram a discutir na terça-feira (21), em Brasília, alternativas para tirar do papel metas que combinam desenvolvimento econômico, ambiental e social em todo o planeta.

Os participantes da 12ª edição do Encontro Verde das Américas terão dois dias para apontar caminhos mais práticos para os acordos diplomáticos e as decisões tomadas em conferências internacionais, como a que ocorreu no Rio de Janeiro em junho do ano passado.

As palestras e discussões previstas para o evento devem resultar em uma carta com as reivindicações e as recomendações que os participantes considerarem mais relevantes. Depois de consolidado, o documento Carta Verde das Américas será entregue a autoridades e organizações brasileiras e de outros países que atuam na área.

Toda a discussão, que ocorrerá nas salas e corredores do Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, será marcado pelo relato de experiências como a da indústria turística mexicana e portuguesa, da evolução de políticas ambientais adotadas pela Indonésia, pelo Quênia, por Cuba e pela Costa Rica, e pela agenda de adaptação às mudanças climáticas implantada na Malásia e na Noruega.

A expectativa é que outras iniciativas de menor proporção e mais locais sejam apresentadas para que os participantes do encontro consigam definir estratégias mais eficazes para a adoção de práticas sustentáveis pelas diferentes economias do mundo.

Autoridades brasileiras foram convidadas para resgatar a memória da Rio+20, reforçando as metas estipuladas na conferência, e para mostrar como os termos de ajustamento de conduta, conhecidos como TAC, adotados no Brasil, estão dando bons resultados na solução de impasses ambientais envolvendo comunidades tradicionais, grandes empresas e governos, por exemplo. Os brasileiros também vão apontar as dificuldades na gestão de resíduos sólidos e os desafios e potencialidades das unidades de conservação no país.

O encontro, que começará com a entrega de um prêmio a uma personalidade ou instituição que se destacou nos últimos meses por adotar medidas em busca da sustentabilidade, será seguido por uma discussão em torno do futuro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca).

O secretário-geral da organização, Robby Ramlakhan, pretende destacar a importância da cooperação para a integração amazônica, que envolve a Bolívia, o Brasil, a Colômbia, o Equador, a Guiana, o Peru, Suriname e a Venezuela. O grupo tem buscado alternativas financeiras para viabilizar projetos importantes na região. A Otca conta apenas com recursos de países como a Alemanha para o esforço de manter projetos de conservação e desenvolvimento em andamento na floresta amazônica formada pelo território dos oito países.

Ação humana coloca planeta em nova era geológica, dizem cientistas

G1

A atividade humana transformou o planeta de forma tão permanente e vasta nos últimos dois séculos que a Terra entrou em uma nova era geológica, o Antropoceno.

É o que defendem cientistas e geólogos que discutirão nesta semana o impacto da ação humana e da natureza sobre os sistemas hídricos globais, na conferência Water in the Anthropocene (Água no Antropoceno, em tradução livre), organizada pelo Global Water System Project (GWSP), em Bonn, na Alemanha.

De acordo com os pesquisadores, o crescimento populacional, a construção de metrópoles, o desmatamento e o uso de combustíveis fósseis provocaram um efeito no planeta comparável ao derretimento de geleiras ocorrido há 11.500 anos – evento que marca o início da era conhecida como Holoceno na escala de tempo geológico.

A escala de tempo geológico estabelece éons, eras, períodos, épocas e idades que permitem categorizar as diferentes fases que vão da formação da Terra ao presente.

O termo “Antropoceno”, cunhado pelo Prêmio Nobel de Química Paul Crutzen em 2000 e adotado por parte da comunidade acadêmica na última década, ainda não é reconhecido oficialmente.

Segundo a Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS, em inglês), responsável pela definição da escala de tempo da Terra, estamos, ainda, no Holoceno (iniciada há 11.500 anos).

O Holoceno, por sua vez, faz parte de espaços de tempo geológicos mais extensos: o período Quaternário (há 1,8 milhões de anos), o Cenozoico (há 65 milhões de anos) e o éon Fanerozoico (há 543 milhões de anos).

Para uma ciência que trabalha com escalas relativas à história de 4,5 bilhões de anos da Terra, o surgimento do homem (cerca de 200 mil anos atrás) é um fenômeno recente e por isso costumava ocupar uma posição periférica nos estudos geológicos.

Pela primeira vez, no entanto, o assunto está sendo analisado formalmente – a ICS convocou especialistas que têm até 2016 para analisar os estratos geológicos e definir o que seria o fim do Holoceno e o início do Antropoceno.

Indícios do Antropoceno

“Reconhecer a ideia do Antropoceno é reconhecer o impacto irreversível das atividades do homem, que afetam não somente os sistemas de água e recursos naturais do planeta, mas também o que essas ações significam no futuro das espécies”, disse à BBC Brasil Janos Bogardi, vice-reitor da Universidade da ONU e um dos moderadores da conferência em Bonn.

Para demarcar mudanças na escala de tempo geológica como a proposta do Antropoceno, geólogos analisam marcas deixadas em rochas sedimentares e organismos fossilizados.

Segundo os especialistas da GWSP, o homem move mais rochas e sedimentos do que as forças do gelo, do vento e da água, acelera processos de erosão e libera mais nitrogênio no ar do que plantas e outros organismos seriam capazes, principalmente desde a segunda metade do século 20.

Mais do que ocupar a superfície da Terra de forma extensa – como já aconteceu em épocas anteriores -, a urbanização, a globalização e o estilo de vida do homem contemporâneo estão transformando a forma como o planeta funciona.

Dados da GWSP comprovam que a ação humana é responsável pelo desmatamento de uma área do tamanho da América do Sul para agricultura e outra do tamanho da África para pecuária, o que teria impactado o clima, o solo e a vida de espécies no planeta.

Exportações indiretas

Para Bogardi, classificar o atual capítulo da história da Terra de Antropoceno funcionaria não somente como uma mera nomenclatura, mas como um alerta. “As consequências das ações do homem não afetam o planeta apenas de forma local, mas provocam coletivamente um impacto na constituição da Terra e discutir isso serve para minimizar as consequências e danos irreversíveis que afetariam o globo da pior forma no futuro”, diz.

“O Brasil, que é o segundo país mais rico em água do mundo, somente atrás da Rússia, exporta não somente produtos agrícolas para países europeus, mas também exporta virtualmente seus recursos naturais para balancear a ausência de água ou nutrientes do solo em outros países”.

De acordo com Bogardi, o Brasil exporta de forma indireta – durante os processos de produção agrícola e pecuária para exportação – um total 5,7 quilômetros cúbicos de água por ano somente para a Alemanha.

Por isso, ele defende, debater o uso dos recursos como a água não seria apenas papel do Brasil, mas de um esforço conjunto de países. Mas a discussão sobre a nova época antropocena seria tanto sobre as “más notícias” e desafios, como sobre oportunidades e qualidades.

“Parte do crescimento econômico e desenvolvimento social que o Brasil vive hoje vem dessa enorme potencialidade do uso de recursos, por exemplo, então a proposta não é acabar com a ação humana no planeta, mas debater como fazer isso de forma sustentável para o futuro”, explica.

Ministério do Meio Ambiente pode ter apoio de sindicatos para cadastro ambiental

Agência Brasil

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, se reuniu na tarde de segunda-feira (20) com representantes de trabalhadores rurais, que se dispuseram a auxiliar o ministério no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do ministério, Paulo Guilherme Cabral, também presente ao encontro, se mostrou otimista com a postura dos dirigentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que representaram os trabalhadores rurais e seus sindicatos.

“A Contag quer se envolver nessa etapa, que a lei estabeleceu, da obrigatoriedade do CAR. Isso foi muito bem acolhido pela ministra. Ela recepcionou a oferta e vai criar meios para capacitar os dirigentes da Contag para que os sindicatos de trabalhadores rurais possam também apoiar o produtor familiar na elaboração do seu cadastro ambiental”.

Antoninho Rovaris, secretário de Meio Ambiente da Contag, reiterou a oferta e avaliou positivamente a postura do governo federal. “A gente tem uma boa impressão da ministra, no sentido de buscar uma resolução, especialmente na questão do CAR. Ela se colocou à disposição, inclusive, de fazer a capacitação dos nossos dirigentes sindicais e buscar com que auxiliemos no processo”.

O CAR é obrigatório para todos os imóveis rurais. Por meio de um sistema disponível na internet, o proprietário desenha os limites de seu imóvel e preenche as informações, inclusive sobre Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente no local. De posse das informações, o governo pode integrá-las e usá-las para preservação ambiental e combate ao desmatamento.

Falta de lixo em Oslo, Noruega, pode comprometer geração de eletricidade

G1

Oslo é uma cidade que importa lixo: uma parte vem da Inglaterra e a outra da Irlanda. Ela também recebe lixo da vizinha Suécia e tem até planos de aproveitar o mercado dos Estados Unidos. “Eu gostaria de trazer um pouco de lixo americano”, afirmou Pal Mikkelsen em seu escritório em uma usina gigante na periferia da cidade, onde o lixo é transformado em calor e eletricidade. “O transporte marítimo é barato.”

Oslo cuida da natureza: metade da cidade e quase todas as escolas são aquecidas pela queima de lixo – lixo doméstico, industrial e até mesmo lixo hospitalar e tóxico, vindo da apreensão de drogas. Contudo, a cidade enfrenta um problema: Oslo não tem mais lixo para queimar.

O problema não acontece só em Oslo, uma cidade de 1,4 milhão de habitantes. Em todo o norte da Europa, onde a prática de queimar lixo para gerar calor e eletricidade cresceu drasticamente nas últimas décadas, a demanda por lixo é muito superior à oferta.

“O norte da Europa possui grande capacidade de gerar energia”, afirmou Mikkelsen, um engenheiro mecânico de 50 anos que atua como gestor da agência de geração de energia a partir do lixo em Oslo.

Embora a população exigente do norte da Europa produza apenas 150 milhões de toneladas de lixo por ano, isso é muito pouco para as usinas de incineração, que são capazes de processar mais de 700 milhões de toneladas. “Além disso, os suecos constroem mais usinas”, afirmou com olhar exasperado, “assim como a Áustria e a Alemanha”.

Estocolmo se tornou uma concorrente tão grande que chegou a convencer algumas cidades norueguesas a enviar seu lixo ao país vizinho. De navio ou caminhão, incontáveis toneladas de lixo saem de regiões que produzem resíduos demais para outras que têm capacidade de incinerá-lo e produzir energia.

“Existe um mercado europeu para o lixo – os resíduos viraram commodity”, afirmou Hege Rooth Olbergsveen, conselheira sênior do programa de recuperação de lixo de Oslo. “É um mercado que só cresce.”

Lixo exportado: uma boa ideia? 

A maior parte das pessoas aprova a ideia. “Sim, com certeza”, afirmou Terje Worren, de 36 anos, um consultor de software que admitiu aquecer a casa com óleo e a água com eletricidade. “Essa é uma ótima maneira de reaproveitar o lixo.”

Os ingleses também gostam da ideia, embora não costumem transformar o lixo em energia. A empresa de Yorkshire que faz a coleta de lixo em cidades como Leeds, no norte de Inglaterra, agora exporta até mil toneladas de lixo por mês – ou “combustível derivado de resíduos”, como o lixo é chamado após a seleção daquilo que não pode ser incinerado – para países no norte da Europa, incluindo a Noruega, de acordo com Donna Cox, porta-voz da prefeitura de Leeds.

O imposto sobre os aterros sanitários que é cobrado pelo governo inglês torna mais barata a exportação para lugares como Oslo. “Isso nos ajuda a reduzir os gastos cada vez maiores com o imposto”, escreveu Cox em um e-mail.

Para algumas pessoas, parece estranho que Oslo importe lixo para produzir energia, levando-se em consideração que a Noruega está entre os dez maiores exportadores de petróleo e gás natural do mundo e tem reservas abundantes de carvão mineral, além de uma rede com mais de mil usinas hidrelétricas nas montanhas do país.

Ainda assim, Mikkelsen afirmou que a queima de resíduos era “uma medida renovável para reduzir o consumo de combustíveis fósseis”.

Naturalmente, outras regiões da Europa produzem grandes quantidades de lixo, incluindo o sul da Itália, onde cidades como Nápoles pagaram o governo da Alemanha e da Holanda para aceitar o lixo da cidade, ajudando a reduzir a crise do lixo.

Embora Oslo tenha levado em consideração o lixo da Itália, a cidade preferiu continuar com o lixo inglês, que era mais limpo e seguro. “É uma questão complicada”, afirmou Mikkelsen.

Reciclagem 

Lixo pode ser apenas lixo em algumas partes do mundo, mas em Oslo é algo muito tecnológico. As famílias separam tudo, colocando lixo orgânico em sacolas verdes, plásticos em sacolas azuis e vidros em outras. As sacolas são entregues gratuitamente em supermercados e outras lojas.

A maior das duas usinas de incineração de lixo de Mikkelsen utiliza sensores computadorizados para separar as sacolas de acordo com a cor, levando-as aos fornos por meio de esteiras. A arquitetura da usina, com seu exterior curvado e luzes que podem ser vistas de longe pelos motoristas que passam, compete com a da belíssima Ópera de Oslo.

Ainda assim, nem todo mundo se sente confortável com essa dependência do lixo. “Do ponto de vista ambiental, o problema é enorme”, afirmou Lars Haltbrekken, diretor do grupo ambientalista mais antigo da Noruega, afiliado aos Amigos da Terra. “Isso eleva a pressão por uma produção de dejetos cada vez maior, enquanto houver esse excesso de capacidade produtiva.”

Segundo Haltbrekken, a redução da produção de lixo vem em primeiro lugar na hierarquia dos objetivos ambientais, ao passo que a geração de energia a partir do lixo deveria estar em último. “O problema é que nossa menor prioridade entra em conflito com a maior”, afirmou.

“Por isso, agora importamos lixo de Leeds e de outros lugares e temos discussões com Nápoles”, acrescentou. “Dissemos: ‘Tudo bem, estamos ajudando os napolitanos’, mas isso não é estratégia de longo prazo.”

Talvez não, afirmam urbanistas, mas, por enquanto, isso é uma necessidade. “A reciclagem e a recuperação de energia precisam caminhar lado a lado”, afirmou Rooth Olbergsveen, da agência de recuperação de lixo da cidade. A reciclagem fez grandes progressos, afirmou, e a separação de lixo orgânico, como restos de alimentos, começou a permitir a produção do biogás em Oslo, que está servido de combustível para os ônibus da cidade.

Haltbrekken reconheceu que não se beneficia da energia gerada pelo lixo. Sua casa fica perto do centro da cidade e foi construída em 1890; por isso, seu aquecimento ambiente é feito por meio da queima de madeira e o da água, por meio de eletricidade. Em geral, afirmou, os Amigos da Terra apoiam os objetivos ambientais da cidade.

Ainda assim, ele acrescentou que “em curto prazo, é melhor queimar o lixo em Oslo do que deixá-lo em Leeds ou Bristol”. Mas, no longo prazo, “não pode continuar assim”, afirmou.

Países da região Ásia-Pacífico alertam para risco de guerra por água

Globo Natureza

A crescente competição pela água pode provocar um conflito se os países não compartilharem este bem cada vez mais escasso, advertiram os líderes dos países da região Ásia-Pacífico.

Os esforços regionais para garantir o acesso à água, tanto no Centro quanto no Sudeste Asiático, provocam tensões entre vizinhos que dependem dos rios para alimentar uma população em pleno crescimento.

A urbanização vertiginosa, a mudança climática e a crescente demanda da agricultura aumentam a pressão sobre este bem cada dia mais escasso, enquanto a maioria das pessoas da região não têm acesso à água potável, apesar do forte crescimento econômico registrado nos últimos anos.

“Pode acontecer uma guerra pelos recursos”, disse a primeira-ministra tailandesa Yingluck Shinawatra, na reunião da Água Ásia-Pacífico, que ocorre na cidade tailandesa de Chiang Mai.

Projeto polêmico e mitigação 

Uma empresa do país está por trás da construção de uma polêmica represa no Rio Mekong, um projeto criticado por dois países afetados, Vietnã e Camboja, que temem os efeitos sobre suas indústria agrícola e pesqueira.

Os delegados aprovaram a “Declaração de Chiang Mai”, na qual defendem a construção de uma resistência regional para prevenir os desastres naturais, compartilhar os conhecimentos técnicos na gestão dos recursos e colocar a segurança hídrica como destaque na agenda.