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18 de agosto de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Premiê de Tuvalu compara mudanças climáticas a armas de destruição em massa

Terra

O primeiro-ministro de Tuvalu, Enele Sopoaga, vinculou o impacto das mudanças climáticas nos países insulares do Pacífico a “uma arma de destruição em massa”, ao ressaltar, na última sexta-feira (15) a necessidade de uma forte liderança global sobre esse tema.

Sopoaga afirmou que uma cúpula promovida pela ONU sobre mudanças climáticas, prevista para o mês que vem em Nova York, seria uma oportunidade de criar as condições para um progresso real na busca de consolidar um pacto global sobre emissões de gases de causadores do efeito estufa até o fim de 2015.

Caso contrário, alertou ele, as pessoas desse país de terras baixas podem ser deixadas para morrer enquanto os países continuam a discutir qual deve ser o curso a seguir.

“Efetivamente, fomos pegos no meio do caminho em Tuvalu. Ficamos muito, muito preocupados”, disse Sopoaga à rede Australian Broadcasting Corporation.

“Já estamos sofrendo. É como uma arma de destruição em massa, e todos os indícios estão aqui. Nós só precisamos juntar uma forte liderança coletiva para lidar com isso”, acrescentou.

“O povo de Tuvalu vai reforçar novamente (em Nova York) a mensagem de que estamos morrendo”, continuou.

Tuvalu, um conjunto de nove atóis de coral onde vivem cerca de 11 mil pessoas, é uma das nações do Pacífico ameaçadas pela elevação do nível dos mares, relacionada ao aquecimento global.

Muitas mal têm um metro acima do nível do mar, e cientistas alertam que nações como Tuvalu, Kiribati e Tokelau podem desaparecer sob as ondas, se as mudanças climáticas continuarem sua escalada.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, convocou uma conferência para 23 de setembro para tentar criar força para a mudança, antes das negociações em Paris, no ano que vem, com vistas a forjar um acordo climático histórico que entrará em vigor em 2020.

Sopoaga, que Ban convidou para copresidir um dos maiores encontros da cúpula de Nova York, disse que encontros climáticos anteriores, como a cúpula da ONU em Copenhague, em 2009, falharam por falta de ambição.

“Temos de ir a Paris com um compromisso de concluir o acordo, nada menos que isso”, afirmou.

Sopoaga disse que países como Austrália, cujo premiê conservador Tony Abbott aboliu uma tarifa de carbono sobre emissões de gases estufa, não deveriam tentar obstruir um acordo. Ele insistiu em que chegou a hora de os líderes colocarem seus interesses nacionais de lado e agirem pelo bem da humanidade.

“Não tem mais a ver com soberania política. Isso está ameaçando seres humanos”, acrescentou. “Estamos lidando com o salvamento de vidas humanas”, frisou.

18 de agosto de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Desmatamento da Amazônia em julho cresce 134% em relação ao ano passado

UOL

Desmatamento-SXC-SymbolEm julho de 2014, foram desmatados 355 quilômetros quadrados de floresta na Amazônia Legal, de acordo com dados obtidos por satélite pelo SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), do Instituto Amazon. Isso representou um aumento de 134% em relação a julho de 2013, quando o desmatamento somou 152 quilômetros quadrados.

Quando se faz uma comparação em um período de doze meses, porém, o aumento do desmatamento é muito menor. O desmatamento acumulado no período de agosto de 2013 a julho de 2014 totalizou 2.044 quilômetros quadrados. Houve aumento de 2% em relação ao período anterior (agosto de 2012 a julho de 2013), quando o desmatamento somou 2.007 quilômetros quadrados.

Em julho de 2014, a maioria (57%) do desmatamento ocorreu no Pará, seguido pelo Acre (21%), Amazonas (10%), Mato Grosso (9%), Amapá (1%), Rondônia (1%) e Roraima (1%).

18 de agosto de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Green Nation Fest: economia verde e criativa em foco

Por Suzana Camargo – Planeta Sustentável

green-nation-fest-noticia_SeloArquitetura, design sustentável, urbanismo e mobilidade, moda, empreendedorismo social, arte, meio ambiente e alimentação saudável são os temas que estarão no centro dos debates da Green Nation Fest, que acontece entre 6 e 14/09, no Museu da República, no Rio de Janeiro.

O festival é organizado pelo Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente (CIMA), ONG que há mais de 20 anos desenvolve ações em parceria com instituições privadas, governamentais e multilaterais. Esta é a 2ª edição do evento, realizado a cada dois anos.

De 8 a 11/09 serão realizados seminários e palestras em que se discutirão caminhos alternativos para o futuro sustentável. Entre os nomes de destaque – nacionais e internacionais – deste ano estão os arquitetos Jaime Lerner, Nazareno Stanislau Affonso, Saverio Panata e Marcelo Rosenbaum, o cineasta Silvio Tendler e a documentarista e ambientalista Céline Cousteau.

A programação do Green Nation Fest inclui ainda vivências interativas (uma viagem de nave espacial pelo Rio Gandu e no submarino Green pelo fundo do mar), mostra de filmes e documentários, além de concursos de fotografias sobre o meio ambiente.

As inscrições para os seminários já estão abertas e podem ser feitas pelo site do evento.  As vagas são limitadas.

28 de julho de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Alemanha não deve alcançar meta de redução de emissões para 2020

Terra

O Ministério do Meio Ambiente alemão admitiu que o país provavelmente não vai alcançar sua meta de redução de gases do efeito estufa. A ministra da pasta, Barbara Hendricks, afirmou que a Alemanha está em vias de reduzir em 33% essas emissões até 2020, em relação aos níveis de 1990. Tal redução é inferior à meta anteriormente estipulada, de 40%.

Bärbel Höhn, deputada do Partido Verde, alega que a meta não será alcançada, porque o país não fez o suficiente para tornar a proteção climática uma prioridade. “[A chanceler federal] Angela Merkel costumava ser a rainha do clima na Europa. Mas, desde que a Alemanha ocupou a presidência do Conselho da União Europeia [em 2007], não houve avanços suficientes”, considera.

A deputada afirma que os planos iniciais para a mudança da matriz energética retrocederam e que a Alemanha continua operando usinas termelétricas movidas a carvão, sem qualquer perspectiva de eliminá-las.

“O país conseguiu muitos avanços na área de proteção climática, mas deixou de ser visto como o principal exemplo nos últimos anos. E o mesmo pode ser dito da União Europeia (UE)”, afirma Höhn.

Com relação às últimas estimativas do Ministério do Meio Ambiente, a deputada afirma que o déficit na meta de redução poderia ser ainda maior, considerando que as estimativas do governo alemão foram baseadas numa taxa de crescimento econômico de 1,4%.

“Nos últimos anos, a Alemanha cresceu mais do que 2%. Mesmo que esse crescimento continue a 1,7%, digamos, isso poderia significar que ficaremos a outros 2% de distância das metas de redução de emissões”, diz.

Uma pesquisa da organização ambientalista WWF na Alemanha aponta para um quadro ainda pior: o país poderia ficar a 10,7% de atingir os objetivos de redução de emissões previstos para 2020.

Entretanto, quando comparadas às metas europeias, as alemãs – de 40% até 2020 e 55% até 2030 – são bem mais ambiciosas. A Europa almeja uma redução de apenas 20% até o fim desta década.

Carvão e CO2 

A notícia da estimativa deficitária foi revelada pelo Ministério do Meio Ambiente no mesmo dia em que a WWF lançou um relatório sobre as trinta usinas termelétricas movidas a carvão mais poluentes da Europa – intitulado, em inglês, Europe’s Dirty 30. Entre as cinco usinas no topo da lista, quatro estão na Alemanha.

Há anos, ambientalistas afirmam que a indústria do carvão é uma pedra no caminho da mudança da matriz energética. Mas para Lothar Lambertz, da RWE Power – uma das maiores produtoras de energia a partir do carvão no país –, não é possível reduzir o problema de emissões de gases do efeito estufa focando somente num setor.

“Eu posso falar somente em nome da RWE, é claro, mas digo que fizemos muito no sentido de reduzir os níveis de CO2 emitidos por nossas usinas”, afirma. Lambertz afirma que reformas em suas instalações levaram a RWE a produzir 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono a menos por ano.

Ele acrescenta que o carvão é uma opção estável e barata, especialmente depois que a Alemanha decidiu desligar todas as usinas nucleares, após o acidente em Fukushima. “Se 10 mil megawatts são retirados da rede, eles precisam ser substituídos em algum lugar”, completa.

Comércio de licenças 

Para Juliette de Grandpré, da WWF, o motivo pelo qual a Alemanha e outros países europeus não conseguem uma maior redução das emissões de gases do efeito estufa é o principal instrumento europeu de redução, o Regime Comunitário de Licenças de Emissão (RCLE-UE).

Nesse modelo, poluidores são forçados a comprar licenças para pagar por suas emissões de dióxido de carbono que vão além do limite estipulado pela UE. Normalmente, uma licença custa cerca de 5 euros para cada tonelada de CO2 produzida a mais.

“Temos que tentar reformar o sistema de comércio de emissões. Afinal, ele tem validade até 2050, e nós precisamos dele, pois é o principal instrumento para a redução de CO2″, diz Grandpré.

A maioria dos especialistas concorda que, no momento, o preço das licenças é muito baixo para motivar as empresas a realmente reduzirem suas emissões. Esses valores resultam de uma oferta excessiva de licenças, bem como do fato de que algumas empresas compram certificados mais baratos fora da UE, afirma a especialista.

Grandpré e Höhn concordam que estipular um preço mínimo para as licenças, como já acontece no Reino Unido, é o único caminho para tornar o mercado de emissões mais eficiente.

Por sua vez, o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha afirma que uma série de medidas precisa ser tomada para que o país tenha chance de alcançar a meta de redução de emissões inicialmente estipulada para 2020.

28 de julho de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Roupa com PET é tida como ‘ecológica’, mas polui o mar, alertam cientistas

UOL

Está na moda. Cada dia uma famosa marca se alia a um cantor famoso para produzir roupas feitas de PET. Recentemente foi a vez de Pharrel Williams propor a fabricação de calças jeans a partir de garrafas que estão nos oceanos. O objetivo desta iniciativa é reduzir o impacto causado por plásticos nos oceanos e praias. No entanto, novas pesquisas apontam que fragmentos de PET que saem na lavagem das roupas acabam nos mares e são cerca de 85% da poluição marinha.

O Politereftalato de Etileno, nome técnico do material que chamamos de PET, é um plástico da família dos poliésteres (muito comuns em roupas sintéticas). “O PET é quimicamente igual ao poliéster das roupas sintéticas” explica o engenheiro e professor da UNESP, Sandro Mancini. Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, o PET não foi desenvolvido inicialmente para ser usado como garrafas de refrigerante. O material foi originalmente desenvolvido para o setor têxtil e depois migrou para o setor de embalagens de bebidas.

“O processo de transformação (reciclagem) de garrafas PET em fios, para serem usados em fabricação de roupas é simples”, explica Mancini. “É preciso moer as garrafas, lavar os flocos do material moído, secá-los e derretê-los. Neste estágio do processo o material apresenta consistência viscosa, como mel, e então essa massa é puxada até formar um fio, que posteriormente será usado para compor um tecido”. Este processo de reciclagem é sustentável e aumenta o ciclo de vida do PET.

Mas a ciência descobriu que muitos dos fragmentos plásticos microscópicos que estão nos oceanos vêm das máquinas de lavar roupas. “As formas mais abundantes de poluição marinha por resíduos sólidos não são garrafas ou embalagens, mas sim pequenas fibras plásticas que respondem por cerca de 85% do material encontrado nas praias de todo o mundo. E mais, estas fibras são idênticas às usadas na indústria têxtil” é o que revela o pesquisador inglês Mark Browne, da Universidade da Califórnia, EUA, em sua palestra em evento que fomenta idéias para um mundo mais sustentável que aconteceu na Nas (Agência Espacial Norte-Americana). O trabalho que identificou a fonte destas fibras plásticas foi publicado em 2011 no Jornal Environmental Science e Tecnology.

Ainda segundo Browne, 78% dos químicos tóxicos mais persistentes no meio ambiente são encontrados nestas fibras. A concentração pode ser milhões de vezes maior nestas fibras do que na água do mar. Muitos animais marinhos são contaminados ao ingerir estas fibras. E o pior, podemos, inclusive, estar ingerindo estas fibras plásticas ao comer alguns animais marinhos como o mexilhão, que absorvem estas fibras ao filtrar a água do mar, alerta o especialista.

O tratamento de esgoto, como o que temos aqui no Brasil, não é capaz de reter essas fibras microscópicas provenientes da lavagem das roupas sintéticas. Processos mais modernos de tratamentos de esgoto utilizam membranas especiais que filtram o esgoto e são capazes de reter esses fragmentos, no entanto, o uso desta tecnologia não é usual no país.

A poluição marinha por fibras plásticas ainda é objeto de estudo da ciência, e muitas lacunas ainda precisam ser preenchidas para se entender os reais impactos deste material no ecossistema marinho. Como forma de reduzir esta constante contaminação ao ambiente marinho, Browne e um grande grupo de cientistas de diversas universidades estão reunidos para desenvolver novas tecnologias na fabricação de produtos têxteis sintéticos mais resistentes, que não liberem tantas fibras ao serem lavados.

Brasil, de olho no problema 

Pesquisadoras da Universidade de São Paulo, Marina Santana e Liv Ascer procuram avaliar possíveis impactos dos microplásticos em organismos marinhos. “Essa ingestão acidental de microplásticos pode funcionar como um propulsor para diversos efeitos fisiológicos e ecológicos que, a longo (ou curto, não se sabe) prazo, venham a desestruturar interações entre comunidades e ecossistemas. Ainda é cedo para chegar a esta conclusão, precisamos aguardar mais resultados da pesquisa” explica Marina.

“Sabemos que os microplásticos estão no mar e que a tendência é que sua quantidade aumente com o tempo, no entanto, não sabemos todos os impactos e efeitos causados nos animais que o ingerem. A situação é muito preocupante e mais esforços deveriam ser direcionados para entendermos mais sobre este tema”, alerta a pesquisadora.

Limpeza de praias para roupas 

A Global Garbage, ONG alemã que desenvolve trabalhos relacionados ao lixo marinho aqui no Brasil, chegou a ser contatada pela Bionic Yarn, empresa ligada à produção de roupas de Pharwell Williams, para verificar a possibilidade de utilizar garrafas PET recolhidas de praias brasileiras para a fabricação das roupas. A ONG declarou que participaria destas atividades se o recolhimento das garrafas acontecesse em praias brasileiras onde não existe atividades de limpeza.

“Praias urbanas já são limpas frequentemente, queremos atuar em locais onde este material não tem perspectivas de ser recuperado e vai se acumular ao longo do tempo. Já identificamos na costa baiana, onde atuamos desde 2001, diversos pontos de acúmulo de lixo marinho, áreas praticamente inabitadas”, explica Fabiano Barretto, fundador da Global Garbage. O convênio acabou não sendo firmado pois, dentre outros motivos, a Bionic Yarn afirmou que o valor da tonelada de PET ficaria muito cara.

“O acesso a estes locais é mais complicado e acaba encarecendo a logística de recuperação e transporte dessas garrafas. Parte deste dinheiro seria destinado às organizações sociais das comunidades mais próximas destas áreas de acúmulo de lixo marinho para realizarem, em conjunto, a recuperação das garrafas PET”, justifica Barretto.

Desconhecimento de empresas é grande 

Muitas empresas e instituições fabricam e comercializam camisetas feitas a partir de garrafas PET como sendo uma atividade sustentável e ecológica. É fato que a iniciativa incentiva a educação ambiental e a preocupação com o meio ambiente. No entanto, “devolver” o plástico ao ambiente em partículas microscópicas (forma mais nocivas para a natureza do que a garrafa inteira), não é uma atividade propriamente ecológica.

Como este efeito nocivo é uma novidade inclusive para a ciência, muitas empresas que comercializam roupas de PET desconhecem o fato. Se a fabricação de roupa pode não ser a melhor forma de reaproveitar garrafas PET, existem outras maneiras de reciclagem, como novas embalagens de material de limpeza, por exemplo. Já uma camiseta ecológica é aquela feita de algodão orgânico, que não usam agrotóxicos em seu cultivo.

28 de julho de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Amazônia: desmatamento em junho chega a 94 campos de futebol

Terra

Desmatamento-SXC-SymbolO Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) registrou no mês de junho deste ano 843 quilômetros quadrados desmatados dentro dos limites da Amazônia Legal. Para se ter ideia de volume, isso quer dizer aproximadamente 94 campos de futebol de floresta a menos. Na análise estatística dos dados, o Imazon considera desmatamento a “supressão total da floresta para outros usos alternativos de solo”.

Esses 843 quilômetros quadrados representam um aumento de 358% em relação ao mesmo mês no ano passado, quando o SAD registrou 184 quilômetros quadrados desmatados.

A Amazônia Legal é uma área de abrangência de rios e vegetação amazônicos, envolvendo nove Estados brasileiros. Corresponde a 59% do território do País. Este conceito foi criado pela lei 1.806 de 6 de janeiro de 1953, para que o governo federal pudesse dar conta de criar políticas públicas protetiva e de uso consciente desse patrimônio natural.

Os dados de junho constam do último balanço divulgado esta semana pelo Imazon, que faz o monitoramento mensal do desflorestamento na Amazônia Legal. O Imazon lê os dados colhidos pelo satélite americano de observação da terra, da Nasa, o Landsat 8 (Landsat Data Continuity Mission), que transita na órbita terrestre desde fevereiro de 2013.

Para saber quanto do desmatamento captado pelo Landsat 8 representa a derrubada ilegal de árvores na Amazônia Legal, teria que ser feito um tratamento dos dados em todo o limite deste território. “Mas hoje em dia isso não está sendo feito e o que temos é uma falsa ideia de legalidade e controle”, assegura a cientista política francesa Alice Thuault, coordenadora da Transparência Florestal pelo Instituto Centro de Vida (ICV), em Mato Grosso.

Segundo Alice, preocupado com isso, o ICV solicitou as autorizações de desmatamento expedidas pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema) em 2011 e 2012 e constatou que, no Estado, quase a totalidade do desmate dentro da Amazônia Legal é ilegal. “Fizemos o cruzamento de dados e detectamos que em 2011 o desmatamento ilegal na Amazônia Legal, dentro de Mato Grosso, foi de 98% e em 2012, 90%”. Para Alice Thuault, “essa falta de controle é um problema muito grande”. Ela diz ainda que o Imazon apenas articula os dados que o satélite disponibiliza, mas não com intuito de fiscalização ou de coibir a prática. “Isso é uma tarefa governamental”.

A superintendente de Geoinformação e Monitoramento Ambiental da Sema, Elaine Cursini, assegura que o governo do Estado faz o cruzamento de dados para consumo interno, mas não publica essas informações, porque isso demandaria outros investimentos. “Não temos pessoal nem tempo para produzir relatório de monitoramento, mas fazemos sim a análise de dados, para consumo interno e orientar políticas públicas.”

24 de julho de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Institutos no AM arrecadam dinheiro para campanha contra caça de botos

G1

A Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) lançaram a campanha “Alerta Vermelho” para combater a caça de boto-vermelho na Amazônia. Além de buscar assinaturas onlines, o movimento está recebendo doações, em dinheiro. O valor arrecadado deverá ser investido em ações de fiscalização. A carne do mamífero é utilizada como isca para a captura do peixe piracatinga. Estima-se que cerca de 2.500 botos são mortos todos os anos em decorrência da atividade de pesca no Amazonas.

Boto-vermelho, também conhecido como boto-cor-de-rosa, é um dos símbolos da Amazônia Foto: Divulgação/SXC/EcoIn.

Boto-vermelho, também conhecido como boto-cor-de-rosa, é um dos símbolos da Amazônia Foto: Divulgação/SXC/EcoIn.

De acordo com os institutos, a campanha busca mobilizar a sociedade por meio da internet. O site www.alertavermelho.org.br, lançado no dia 20 deste mês, contém relatos sobre a ameaça e registros de caçadores. Na página, os visitantes poderão entender e apoiar a campanha.

A ação também busca mover as instituições locais para coibir e monitorar a matança indiscriminada dos botos. Segundo o diretor-executivo da Ampa, Jone César Silva, cerca de 7,5% da população de boto-vermelho – também conhecido como boto-cor-de-rosa – na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, é perdida anualmente. A porcentagem corresponde a cerca de mil animais da espécie, de acordo com o diretor.

“Queremos difundir a problemática que os botos vêm sofrendo nesses últimos anos. Queremos levantar recursos. Esse fundo serve para melhorar as ações do batalhão ambiental do Amazonas. Temos essa parceria. Queremos promover cursos de capacitação de resgate, além de financiar a compra de equipamentos de campos e motores para permitir melhores fiscalizações”, disse.

Outra meta da campanha é produzir uma petição online para antecipar o início da moratória que suspende a pesca da Piracatinga por cinco anos na região Amazônica. O documento, publicado no dia 21 deste mês, determina que a restrição da pesca entre em vigor a partir de janeiro de 2015. Segundo a Ampa, a antecipação evitara que nos próximos cinco meses milhares de botos sejam esquartejados para isca.

Matança 

O boto-vermelho é utilizado como isca na pesca de um peixe chamado piracatinga, que no Brasil é comercializado com “douradinha”. A espécie de pescado se alimenta de carniça e gordura.

De acordo com a Ampa, em uma única pesca, cerca de 20 botos são abatidos. Pesquisadores apontam que a atividade pode levar a espécia a extinção em poucos anos.

Em 2011, foi criado, pela Ampa e Inpa/MCTI, um dossiê denominado Alerta Vermelho para servir como documento oficial do problema de conservação dos botos da Amazônia.

O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) investiga, desde junho de 2012, a matança de botos no Amazonas. Segundo o órgão, estudos mostram, que pelo fato de se alimentar de outros animais mortos, a piracatinga também tende a concentrar metais pesados e outros contaminantes, como o mercúrio.

24 de julho de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Google oferece US$ 1 milhão a inovação que facilite uso de energia limpa

Terra

O gigante das buscas na internet Google oferece um prêmio de um milhão de dólares por uma inovação que torne a energia de origem solar ou eólica mais prática para uso cotidiano.

O Google se associou ao Instituto de Engenheiros em Eletricidade e Eletrônica para apoiar o “Littlebox Challenge” (Desafio da Caixinha), prometendo contemplar quem apresentar o melhor projeto de um aparelho maior que um laptop, que transforme de forma eficiente a corrente elétrica em alternada, que é a usada em residências e empresas.

As fontes de energia renovável como os painéis solares e os geradores eólicos produzem corrente direta, que deve ser transformada em alternada, que alimenta atualmente os complexos aparelhos que produzem energia a partir de fontes fósseis ou nucleares.

O desafio é miniaturizar os transformadores de energia à décima parte de seu tamanho atual, semelhantes a um ‘cooler’ grande.

 

 

 

24 de julho de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Amazônia legal será exemplo de implantação do Cadastro Rural

MMA

A Amazônia Legal será carro-chefe na implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no país. Esta é a proposta da reunião técnica que acontece até esta quinta-feira (24), em Brasília, entre representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e dos nove estados que compõem a Amazônia Legal. O objetivo é integrar as ações já em curso e identificar oportunidades de cooperação entre os participantes.

Na abertura da reunião, o secretário-executivo do MMA, Francisco Gaetani, afirmou que a reunião servirá para dar celeridade ao cadastro ambiental dos imóveis rurais situados na Amazônia Legal. “O CAR é o instrumento chave para que ocorram transformações na região”, destacou. “A motivação do encontro é antecipar problemas e discutir as adversidades na medida em que elas forem surgindo”.

Para o diretor de Infraestrutura Social, Meio Ambiente, Agropecuária e Inclusão Social do BNDES, Guilherme Lacerda, é fundamental que todos os envolvidos no processo atuem de forma conjunta. “É preciso construir uma integração para que tenhamos sucesso”, afirmou. O BNDES gerencia o Fundo Amazônia, entidade que oferece financiamento, por meio de projetos, para a implantação do CAR nos nove estados da Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Roraima e Tocantins.

Alguns estados já recebem os recursos e estão executando o projeto, como Acre, Tocantins, Maranhão, Pará e Rondônia; outros estão com os projetos em fase de análise pelo banco e outros ainda na fase de elaboração. Todos receberam orientação do MMA para elaborar os projetos. “Esses estados que já tem experiência no cadastro servirão de exemplo para os demais”, apontou o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Paulo Guilherme Cabral.

Desmatamento

O CAR, segundo o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Carlos Klink, é ferramenta importante para o combate ao desmatamento. Mas destacou que a agenda inclui a convergência entre ações de proteção e de produção. “O Fundo Amazônia tem papel fundamental para dar continuidade à estratégia de proteção ambiental na floresta, aliada a uma produção agrícola mais eficiente e sustentável”, explicou. Reforçando essa ideia, o diretor de Conservação da Biodiversidade do MMA, Carlos Scaramuzza, ressaltou que é fundamental buscar um novo tipo de dinâmica de uso das terras. “A meta do MMA é recuperar 12,5 milhões de hectares de vegetação nativa”, disse.

O coordenador de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Incra, Carlos Eduardo Sturm, falou sobre o cadastro de 7,5 mil projetos de reforma agrária, o que inclui assentamentos consolidados e colonização, totalizando 45 milhões de hectares. “A meta é terminar até maio 2015, quando termina o prazo legal”, disse ele. “Ficamos empolgados porque o módulo de monitoramento do CAR vai dizer exatamente qual o passivo ambiental do Incra, com uma visão do todo. O processo de recuperação e gestão ambiental ganha muito com isso”, comemorou.

O diretor do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Raimundo Deusdará, apresentou o funcionamento do sistema do CAR (SiCAR), com destaque para imóveis com áreas mais complexas, como encostas de morro e beiras de rios. Cada estado do Brasil tem a sua especificidade e o SiCAR está preparado para cadastrar todas elas. O diretor afirmou que quem se cadastrar pode tirar dúvidas na Central de Comunicação disponível no endereço eletrônico www.car.gov.br.

O que é 

O CAR é um registro eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais que tem por finalidade integrar as informações ambientais referentes à situação das Áreas de Preservação Permanente (APP), das áreas de Reserva Legal, das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa, das Áreas de Uso Restrito e das áreas consolidadas das propriedades e posses rurais do país. Foi criado em criado em 2012 pela Lei 12.651. 

18 de julho de 2014
por Adalberto de Bruyn
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Acordo global de biodiversidade pode entrar em vigor sem o Brasil

G1

A Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU (CBD) anunciou, na segunda-feira (14) , que o Protocolo de Nagoya – acordo que define regras internacionais para acesso e compartilhamento dos recursos da biodiversidade – entrará em vigor em 12 outubro. Isso será possível porque o número de países que ratificaram (aprovaram internamente) o acordo chegou a 51 (eram necessárias no mínimo 50 ratificações).

O Brasil, porém, apesar de ter sido um dos primeiros a assinar o protocolo, em fevereiro de 2011, ainda não o ratificou. A proposta de ratificação foi enviada ao Congresso Nacional em 2012, mas até hoje não foi votada.

O Protocolo de Nagoya foi definido em outubro de 2010, na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 10) em Nagoya, no Japão. Seu principal objetivo é definir as regras para garantir uma distribuição internacional dos benefícios provenientes dos recursos da biodiversidade no mundo.

Na prática, os países que ratificaram o protocolo se comprometem em compartilhar os benefícios vindos da exploração de recursos naturais, como plantas ou animais, com o país de origem desses recursos. Eles têm também a garantia de que recursos naturais retirados de seu próprio país serão submetidos à mesma regra.

O protocolo também pretende criar novos incentivos para a conservação da biodiversidade e para o uso sustentável dos recursos naturais. Em nota divulgada pela CBD, o secretário executivo do órgão, o brasileiro Bráulio Ferreira de Souza Dias, afirmou que “o Protocolo de Nagoya é central para libertar o poder da biodiversidade para o desenvolvimento sustentável, através da criação de incentivos para a conservação e o seu uso sustentável, garantindo a equidade na partilha de benefícios”.

A primeira reunião para discutir o Protocolo será feita simultaneamente à 12ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 12), na Coreia do Sul, entre 13 e 17 de outubro. Só participarão das decisões os países que já tiverem ratificado o protocolo.

Procurado pelo G1, o Ministério do Meio Ambiente afirmou que a ratificação depende apenas do Congresso Nacional e que o governo federal “trabalhou muito para convencer o Congresso a ratificar o Protocolo, inclusive com empenho pessoal da ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira no processo”.