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30 de janeiro de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Nariz eletrônico identifica madeiras e pode ajudar no combate à extração ilegal

Por Elton Alisson – Agência FAPESP

Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) construíram “narizes eletrônicos” capazes de identificar e classificar – pelo odor – diferentes tipos de madeira e de plásticos e de detectar precocemente a contaminação de laranja por fungos.

Alguns dos dispositivos foram desenvolvidos por meio do projeto “Novos polímeros conjugados para células solares e narizes eletrônicos”, realizado com apoio da FAPESP.

“A tecnologia é muito simples, barata e tem diversas aplicações”, disse Jonas Gruber, professor do IQ-USP e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.

Os “narizes” são formados por um conjunto de sensores de gases que mudam a condutividade elétrica de alguns dos materiais de que são feitos (entre eles, polímeros condutores, um tipo de plástico), na medida em que interagem com vapores de substâncias voláteis, como aminas, álcoois, cetonas e compostos aromáticos.

A variação da condutividade elétrica do conjunto gera um sinal elétrico específico, que é convertido em sinal digital. Um software de computador lê o sinal e, em questão de segundos, identifica o tipo de substância volátil em contato com o dispositivo.

“Dependendo da natureza do gás que entra em contato com o material polimérico dos sensores, a resposta do nariz eletrônico é diferente”, explicou Gruber.

Um feito em especial permitiu o desenvolvimento desses narizes. O pesquisador e seu grupo no IQ-USP sintetizaram e caracterizaram novos polímeros condutores, derivados de duas classes específicas de polímeros – poli-p-fenilenovinilenos (PPV) e poli-p-xililenos (PPX) – para construir sensores.

“Fomos os primeiros a empregar PPV em sensores de gases”, disse Gruber. “As vantagens são o baixo custo de produção e de consumo de energia e a facilidade de variar as características dos dispositivos mediante a introdução de mudanças estruturais nas cadeias poliméricas.”

A técnica de construção de sensores adotada pelos pesquisadores consiste em depositar um filme de polímero condutor da ordem de centenas de nanômetros (bilionésima parte do metro) sobre uma placa do tamanho de um chip de celular, com dois eletrodos metálicos interdigitados (entrelaçados, mas sem contato entre si), de modo a formar um filme conectando ambos.

Com a exposição a vapores de uma substância volátil, muda a resistência elétrica do filme. “Cada sensor custa R$ 1 e usamos, em média, entre quatro e sete sensores nos narizes eletrônicos”, disse Gruber.

Assista ao vídeo da Agência FAPESP

Identificação de madeira

Um desses dispositivos foi desenvolvido para identificar e classificar diferentes tipos de madeira. A ideia é que ele possa ser utilizado em ações de fiscalização e combate à extração ilegal de madeira de espécies de árvores ameaçadas de extinção nas florestas tropicais brasileiras.

Muitas vezes é difícil distinguir madeiras cuja exploração é proibida, como o mogno (Swietenia macrophylla), de outras semelhantes, como o cedro (Cedrela odorata), cuja exploração é permitida.

Como as duas espécies são semelhantes, o mogno acaba sendo extraído e vendido como cedro, explicou Gruber.

“Ao olhar as árvores do mogno e do cedro é possível diferenciá-las. Mas, depois de cortadas, só se consegue diferenciá-las por meio de análises histológicas [dos tecidos vegetais] feitas em laboratório por um botânico”, disse.

O nariz eletrônico facilita o trabalho de identificação desses e de outros tipos de madeira – como imbuia (Ocotea porosa) e canela-preta (Ocotea catharinensis). É preciso apenas raspar um pedaço do tronco para que ele libere compostos voláteis que são identificados em menos de um minuto pelo conjunto de sensores.

“Como o cedro e o mogno são espécies diferentes e pertencem a gêneros distintos, o nariz eletrônico é capaz de identificá-los com 100% de acerto”, disse o pesquisador. “Já no caso da canela e da imbuia – madeiras de espécies diferentes, mas que pertencem a um mesmo gênero –, a dificuldade é um pouco maior. Mesmo assim, o índice de acerto é de 95%.”

Cachaça envelhecida

O nariz eletrônico para identificação de madeira acabou despertando o interesse de pesquisadores do Laboratório para o Desenvolvimento da Química da Aguardente (LDQA), do Instituto de Química de São Carlos da USP, para diferenciar cachaças envelhecidas em tonéis de carvalho ou em tonéis de madeiras menos nobres.

Segundo Gruber, as cachaças de tonéis de carvalho têm sabor e odor mais apreciados pelos consumidores e, consequentemente, são vendidas a preços mais altos. Importada do Canadá, no entanto, a comercialização da madeira de carvalho é controlada.

Com isso, cachaças envelhecidas em tonéis de madeira nacional, feitos de jatobá, jacarandá, jequitibá ou imbuia, podem estar sendo comercializadas no mercado brasileiro como se tivessem sido envelhecidas em carvalho, contou o pesquisador.

“Há destilarias que declaram no rótulo que a cachaça foi envelhecida em jatobá e a vendem a um preço mais baixo do que a de carvalho”, disse Gruber. “Mas também podem existir no mercado cachaças envelhecidas em madeira nacional, com a declaração no rótulo de que foram em carvalho, com preço de até R$ 200 a garrafa.”

A fim de evitar que o consumidor compre “gato por lebre”, os pesquisadores adaptaram o nariz eletrônico do IQ para a análise de amostras de cachaça. “O dispositivo consegue ‘cheirar’ uma cachaça e identificar em que tipo de madeira a bebida foi envelhecida”, afirmou Gruber.

Esse nariz eletrônico em especial foi desenvolvido durante o projeto de pós-doutorado “Distinção de extratos hidroalcoólicos de madeiras e acompanhamento dos estágios de envelhecimento empregando sensores de gases, cromatografia em fase gasosa (GC-MS) e análise multivariada”, realizado com Bolsa da FAPESP.

Identificação de plásticos

Os pesquisadores de São Paulo também desenvolveram um dispositivo para a identificação de plásticos para reciclagem.

De acordo com Gruber, os diversos tipos de plásticos, como PVC, polietileno e polipropileno, não podem ser misturados ao serem destinados para reciclagem porque possuem resinas incompatíveis entre si.

Uma das técnicas utilizadas para identificar e classificar plásticos, segundo o pesquisador, é a aplicação de análises espectroscópicas no infravermelho em amostras de plástico dissolvidas em solventes apropriados.

A análise, contudo, precisa ser feita em laboratório por profissionais capacitados a operar um espectrômetro na região do infravermelho. Já o nariz eletrônico desenvolvido identifica o tipo de plástico pelos gases emanados na combustão do plástico.

Os pesquisadores construíram uma pequena câmara de combustão na qual é colocada uma amostra da ordem de 300 miligramas do plástico para ser incinerada.

O dispositivo “cheira” a fumaça emitida na queima e aponta o tipo de plástico pelos compostos voláteis gerados na combustão.

“Enquanto o polietileno produz gás carbônico e água durante a combustão, uma poliamida como náilon, por exemplo, produz, além de gás carbônico e água, também óxidos de nitrogênio. O nariz eletrônico percebe essas diferenças”, explicou Gruber.

Contaminação por fungos

Os pesquisadores também desenvolveram um nariz eletrônico que detecta precocemente a contaminação de laranjas (após a colheita) pelo fungo Penicillium digitatum.

Essa espécie, junto com a Elsinoe australis e a Guignardia citricarpa, causa grandes prejuízos econômicos aos países que são grandes produtores de cítrus, como o Brasil, disse Gruber.

O nariz eletrônico consegue detectar a contaminação de laranjas por esse fungo enquanto as frutas estão nos silos, antes que seja visível.

“O dispositivo detecta a contaminação já no segundo dia e, em questão de segundos, identifica a infecção da laranja pelo fungo pelos metabólitos voláteis emitidos por ele”, disse Gruber.

Comercialização

De acordo com Gruber, alguns dos narizes eletrônicos desenvolvidos por seu grupo estão protegidos por patentes. A ideia é que empresas interessadas licenciem a tecnologia para produzi-los e comercializá-los.

“Nosso objetivo é fazer narizes eletrônicos de baixo custo. Já existem dispositivos vendidos comercialmente que chegam a custar US$ 20 mil”, disse. Segundo o pesquisador, um dos motivos para o preço elevado é o fato de possuírem entre 20 e 30 sensores e não terem aplicações específicas.

“Como desenvolvemos narizes eletrônicos para aplicações mais específicas, podemos reduzir o número de sensores em sua composição e, com isso, barateamos muito a produção”, disse Gruber.

30 de janeiro de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Jogar lixo na rua dá multa em Salvador

Eco Desenvolvimento

logo_lixo_zero_seloDesde quarta-feira, 28, quem for flagrado jogando lixo na rua em Salvador  pode ser obrigado a pagar uma multa de até R$ 1.008,45. A medida está de acordo com a Lei Municipal 8.512/13, conhecida como Lei do Lixo.

As sanções para pessoas físicas variam de 67,23 a R$ 1.008,45. Já para pessoa jurídica, o valor da multa varia de R$ 268,92 a R$ 2.016,90. A punição também inclui quem descartar entulho indevidamente ou urinar na rua.

Na manhã de quarta-feira, agentes da Limpurb (Empresa de Limpeza Urbana de Salvador) realizaram fiscalização nas regiões das avenidas Sete de Setembro e Joana Angélica, no centro da cidade. Ao todo, 40 fiscais vão atuar em parceria com a Guarda Municipal de Salvador na aplicação das multas, com base nos números do CPF ou CNPJ do infrator.

Conforme a prefeitura da capital baiana, Salvador gasta por dia, aproximadamente, R$ 1 milhão com limpeza urbana.

Segundo a Limpurb, foram emitidas 612 notificações após os 60 dias do decreto de lei, publicada no Diário Oficial do Município no dia 28 de novembro do ano passado.

Aplicação de multas 

Conforme a prefeitura da capital baiana, Salvador gasta por dia, aproximadamente, R$ 1 milhão com limpeza urbana. A proposta, de acordo com o prefeito ACM Neto, em coletiva no mesmo dia da assinatura do decreto, é educar e orientar as pessoas. Com a aplicação das multas, o objetivo é dividir os custos com a população, afirmou o gestor municipal.

De acordo com a prefeitura, quem se recusar a fornecer os números será encaminhado à delegacia mais próxima para registro de ocorrência. O não pagamento da multa resultará na inscrição do responsável no Serasa, SPC e no Cadastro Informativo Municipal (Cadin). O pagamento das multas (que é passível de recurso) poderá ser feito em qualquer agência bancária.

Uma campanha publicitária “Aquele lixinho pode virar um problemão” também está sendo realizada pela prefeitura na mídia tradicional e redes sociais, para alertar a todos sobre as consequências de jogar o lixo na rua, a exemplo dos casos de alagamentos e de proliferação de doenças.

30 de janeiro de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Rio, BH e São Paulo disputam Desafio Mundial das Cidades da Hora do Planeta

WWF Brasil

São ao todo 44 cidades de 17 países as finalistas mundiais do Desafio das Cidades da Hora do Planeta. O certame anual realizado pela Rede WWF, em parceria com o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, é um reconhecimento internacional às cidades que inovam e inspiram o combate ao aquecimento global, tema da maior relevância neste ano em que os países tentarão um acordo para conter as mudanças climáticas, na Conferência do Clima da ONU, a COP21, em Paris.

Em sua segunda edição no Brasil, o Desafio das Cidades da Hora do Planeta já tem seus três finalistas (curiosamente, os mesmos da edição anterior): Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Elas venceram Betim (MG), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Manaus (AM), Campo Grande (MS), Maceió (AL) e Recife (PE). As três finalistas agora disputam o posto de cidade mais engajada por um planeta de clima mais ameno no futuro.

BH, RJ e SP foram eleitas por uma consultoria especializada. Entre os critérios adotados, estão iniciativas urbanas nos setores de energia, transportes, gestão de resíduos e construções para a transição a uma economia de baixo carbono e com 100% de energias renováveis nas próximas décadas. Os planos de mitigação das mudanças climáticas também são avaliados.

Durante oito semanas, a partir de hoje, as pessoas de todo o mundo podem votar em suas cidades favoritas no site do We Love Cities, e também enviar comentários, fotos e vídeos sobre o que mais amam nelas. Há ainda um espaço para sugestões de como tornar as cidades ainda mais sustentáveis. As capitais mais votadas participarão da disputa mundial. No Brasil, a participação será possível somente a partir do final deste mês. E será uma chance para mineiros, paulistas e cariocas falarem sobre suas capitais.

Um corpo de jurados internacional irá definir as Capitais Nacionais da Hora do Planeta dos 17 países participantes durante os primeiros meses deste ano. Eles se baseiam nas informações reportadas no Registro Climático Carbonn (cCR), coordenado pelo ICLEI ao lado do Grupo C40 de Grandes Cidades para a Liderança Climática – 40 e a coalizão Cidades e Governos Locais Unidos – CGLU.

Na edição 2013/2014 do Desafio, a primeira a ser realizada pelo WWF-Brasil, Belo Horizonte foi eleita a Capital Nacional da Hora do Planeta e foi até Vancouver, no Canadá, para concorrer na disputa mundial. Confira abaixo os motivos que levaram Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo a estarem novamente na final:

Belo Horizonte

Atual capital nacional da Hora do Planeta, Belo Horizonte luta pelo bicampeonato. Inscrita na segunda edição brasileira do “Desafio das Cidades da Hora do Planeta”, organizado pela Rede WWF, BH chegou mais uma vez à final e concorre novamente com Rio de Janeiro e São Paulo pelo título de cidade com ações mais concretas rumo a uma economia de baixo carbono.

“Belo Horizonte é amplamente conhecida como a Capital Solar do Brasil, refletida pelo telhado solar no Mineirão, estádio da Copa do Mundo 2014, e pelo Projeto de Lei que exige aquecimento da água por meio da energia solar para todas as novas construções. Além disso, a cidade gera energia a partir de resíduos dos aterros e das águas residuais. Mostra forte participação popular por meio de seu abrangente programa de certificação sustentável, que premia o público e agentes privados que promovem edificações sustentáveis”, diz o relatório da consultoria, em sua avaliação de Belo Horizonte.

Rio de Janeiro

Ao completar 450 anos em 2015, o Rio é finalista do Desafio das Cidades – pela segunda vez consecutiva. “O município tem mostrado uma forte liderança climática, reunindo os principais atores climáticos do estado para a formulação de proposições e soluções sustentáveis. A cidade trabalha estrategicamente com a formulação de ações que têm impacto direto em áreas-chave no seu inventário de emissões de gases de efeito estufa. Para contornar suas altas emissões no setor de transporte, realiza ações como a expansão do metrô, BRS e da malha cicloviária. Ao fazer isso, a cidade dá passos importantes para a redução da poluição do ar e melhoria da qualidade de vida da população”, disse a consultoria em sua justificativa dos finalistas.

O Rio é primeira cidade da América do Sul a ter um Inventário de Emissões dentro dos novos padrões internacionais estabelecidos pelo Global Protocol for Community-Scale GHG Emissions (GPC).  E tem metas de redução de emissão de 16% para 2016 e de 20% para 2020, tendo como ano-base 2005.

São Paulo

São Paulo é pioneira no país quando o assunto é economia de baixo carbono. Primeira cidade brasileira a adotar uma Política sobre Mudança do Clima, em 2009, atualiza seu inventário de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) a cada cinco anos. Publicado em 2014, a última versão avaliou o período de 2003 e 2009, com uma ampliação para 2010 e 2011 nos setores de Energia e Resíduos. Ao lado de sua política de transporte, com corredores exclusivos para ônibus e aumento da malha cicloviária, foi eleita por uma consultoria especializada uma das três finalistas do Desafio das Cidades da Hora do Planeta 2014/2015 no Brasil.

Com um forte compromisso de aumentar a participação de combustíveis renováveis na frota municipal, São Paulo apresenta significativa determinação para reduzir a poluição no setor de transporte. A cidade aumentou seu uso de etanol e ônibus híbridos. E há um esforço em favor do uso de energia renovável por meio da geração de biogás a partir de resíduos dos aterros e impondo uma regulação que assegure o aquecimento da água em novas edificações através de energia solar.

28 de janeiro de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Nível do Cantareira permanece em 5,1% desde domingo

Agência Brasil

Agua_SeloO nível dos reservatórios do Sistema Cantareira está em 5,1% desde domingo (25), de acordo com medição da Companhia Estadual de Saneamento Básico (Sabesp). Apesar da interrupção nas constantes quedas, as esperadas chuvas na região continuam abaixo das médias históricas.

Para janeiro, era esperada precipitação de 271,1 milímetros (mm). Faltando apenas quatro dias para encerrar o mês, a chuva acumulada foi 134,2 mm, pouco menos que metade do esperado. Ontem, choveu 21 mm na região.

Nos outros mananciais também choveu e foram registradas leves altas. O Guarapiranga passou de 43,7% ontem para 46% hoje. A pluviometria dessa segunda-feira foi 29,8 mm. O acumulado de janeiro registra 218,2 mm. A média histórica para janeiro é 229,3 mm.

No Alto Tietê, o nível subiu de 10,3% ontem para 10,4% hoje. O manancial recebeu aproximadamente um terço das chuvas esperadas para o mês de janeiro. O acumulado é 85,9 mm, e a média histórica é 251,5 milímetros. Para o Alto Tietê, o governador Geraldo Alckmin anunciará hoje detalhes sobre aumento na captação de água no manancial.

Nesta terça-feira (27), a Sabesp também começou a disponibilizar em seu site a lista com horários e locais em que haverá diminuição da pressão na rede de abastecimento. A medida, segundo a Sabesp, serve para redução nas perdas de água por vazamentos nas tubulações. De acordo com a lista, em algumas regiões, o corte diário dura 18 horas.

28 de janeiro de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Obama pede que a Índia ajude na luta contra as mudanças climáticas

UOL

O presidente americano, Barack Obama, convocou na terça-feira (27) a Índia a se envolver totalmente na luta contra as mudanças climáticas, no último dia de uma visita repleta de símbolos na qual prometeu reforçar a cooperação entre os dois países.

“Embora países como os Estados Unidos reduzam suas emissões, se países em crescimento como a Índia – com necessidades energéticas em forte alta – não adotarem energias mais limpas, não teremos nenhuma chance contra as mudanças climáticas”, advertiu Obama, antes de partir de Nova Délhi rumo a Riad.

Obama se reunirá com Salman, o novo rei da Arábia Saudita, que sucede seu irmão Abdullah, falecido na última sexta-feira.

Durante três dias na Índia, Obama multiplicou os gestos de cumplicidade com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, considerado durante muitos anos persona non grata nos Estados Unidos.

Mas o presidente americano, em uma clara alusão à China, se mostrou firme em relação a eventuais conflitos marítimos na região.

“Os Estados Unidos são favoráveis a um maior papel da Índia na Ásia Pacífico, onde a liberdade de navegação deve ser mantida e as disputas devem ser solucionadas pacificamente”, disse Obama.

Modi, à frente do governo desde maio, mostra-se mais firme que seu antecessor diante da influência chinesa na região.

Os Estados Unidos encaram a Índia como um sócio chave para contrabalançar a influência chinesa.

Em um discurso muito aplaudido diante de 1.500 jovens, Obama insistiu na luta contra as mudanças climáticas.

A Índia é o terceiro emissor mundial de gases com efeito estufa, atrás de China e Estados Unidos, dois países que recentemente assinaram um acordo inédito sobre a redução destas emissões visando a cúpula sobre o clima de Paris no fim do ano.

Já a Índia não adotou até o momento nenhum compromisso e Modi deseja que a contribuição indiana não afete os esforços de desenvolvimento de seu país.

“Índia e Estados Unidos não são simplesmente sócios naturais. Penso que os Estados Unidos podem se converter no melhor sócio da Índia”, disse Obama.

“É claro, apenas os indianos podem decidir qual deve ser o papel da Índia no mundo”, acrescentou.

“Mas estou aqui porque estou absolutamente convencido de que nossos povos terão mais empregos e oportunidades, nossas nações serão mais seguras e o mundo estará mais seguro se nossas duas democracias fizerem frente comum”, disse Obama.

No plano econômico, os vínculos entre os dois países continuam sendo modestos em comparação com os de Estados Unidos e China.

“Nossos intercâmbios comerciais com a Índia são de 100 bilhões de dólares por ano, o que representa uma sensível melhora desde que cheguei ao poder”, em 2009, disse Obama.

“Mas com a China alcançamos 560 bilhões anuais”, comparou Obama.

A ascensão da Índia também traz suas exigências, particularmente no que diz respeito às mudanças climáticas, disse o presidente americano.

“Ser sócios globais também significa enfrentar o desafio mundial urgente das mudanças climáticas”, disse Obama.

A cumplicidade entre Obama e Modi ficou simbolizada pela presença do presidente americano no desfile militar do Dia da República, que comemorou a entrada em vigor da Constituição indiana e o fim da dominação britânica.

No entanto, apesar deste bom entendimento, Modi terá que seguir velando para manter o equilíbrio tradicional da diplomacia indiana entre seu rival chinês, seu aliado histórico russo e seu sócio americano.

28 de janeiro de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Aberta consulta pública para aperfeiçoar plano de agricultura de baixo carbono

Agência Brasil

O Observatório ABC iniciou na segunda-feira (26), em Belém, consulta pública para receber sugestões para o aperfeiçoamento do plano de agricultura de baixo carbono do governo federal, conhecido como Plano ABC. A iniciativa foi lançada em 2013 para envolver a sociedade brasileira no debate sobre a agricultura de baixo carbono,

Foto: Divulgação/SXC/EcoIn.

Foto: Divulgação/SXC/EcoIn.

O Decreto 7.390/2010, que operacionalizou a Lei de Mudanças Climáticas, estabeleceu uma revisão dos planos setoriais a cada dois anos, no máximo. Um deles, o Plano ABC – Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura – tem por objetivo organizar e planejar ações a serem realizadas para adoção das tecnologias de produção sustentáveis, que ajudem a responder aos compromissos de redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE) no setor agropecuário, assumidos pelo Brasil.

O Observatório ABC é coordenado pelo Centro de Estudo de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (GV Agro), que acompanha a implementação do Plano ABC. O processo de consulta pública presencial inclui reuniões, em fevereiro próximo, em Cuiabá e em Brasília (DF), além de consulta eletrônica, que poderá ser feita no endereço do observatório na internet. As sugestões serão recebidas até o dia 9 de março e serão reunidas em uma proposta que o Observatório ABC encaminhará ao governo para ser incorporada ao processo de revisão do plano.

O economista Célio Porto, consultor do Observatório ABC, disse  em entrevista à Agência Brasil, que a ideia é entregar a proposta conclusiva ao Ministério da Agricultura, durante um grande evento internacional que está sendo organizado para abril, para discutir políticas de agricultura de baixo carbono. O documento estará disponível para a sociedade a partir de maio.

Financiamento

Na avaliação de Porto, o principal gargalo para a implementação do Plano ABC foi a ênfase dada à parte de financiamento ao agricultor. “Até a safra 2013/2014, foram emprestados R$ 7,4 bilhões, mas deu-se pouca ênfase à parte complementar, que envolve treinamento, capacitação, divulgação e, efetivamente, há poucos profissionais que conhecem com profundidade essas tecnologias recomendadas para dar assistência ao produtor“.

Segundo Porto, não basta o produtor tomar um financiamento para recompor pastagens degradadas, por exemplo, porque elas podem voltar a se degradar. É preciso usar técnica adequada e implementá-la da forma recomendada. De 2011 a 2013, foram capacitados menos de 20 mil produtores e técnicos rurais, enquanto o Plano ABC prevê a capacitação de 19.940 técnicos e 935 mil produtores.

O consultor do observatório disse que a recomendação tem sido complementar a parte de financiamento ao produtor com a assistência técnica e, antes dela, com a capacitação dos agentes formadores técnicos e extensionistas que vão dar esse suporte ao produtor. Para ele, outro entrave à implementação do Plano ABC é o excesso de concentração de crédito na recuperação de pastagens degradadas. O lado bom disso é que se liberam áreas para outras atividades, inibindo o desmatamento para ampliar áreas cultivadas. Porto lembrou, porém, que o plano prevê outras políticas previstas, que também são importantes e precisam ser adotadas. Uma delas é a integração lavoura/pecuária/floresta e o plantio direto.

Ele enfatizou que há mais concentração nas regiões de agricultura mais desenvolvida, como o Sul e o Sudeste e a área sul do Centro-Oeste. “Na região amazônica, por exemplo, há dificuldade até de cadastro pela falta de regularização fundiária, e isso atrapalha a tomada de crédito. Ações complementares precisam ser buscadas. Acreditamos que, neste momento em que a sociedade nacional está preocupada com o risco de falta d’água e de energia elétrica, com os reservatórios baixos, isso pode contribuir para despertar um pouco mais a consciência da população e dos gestores públicos quanto à necessidade de se dar mais ênfase a programas desse tipo.”

28 de janeiro de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Obama quer proteger vida selvagem no Ártico de explorações petroleiras

G1

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai propor ampliar a área protegida do refúgio ártico do Alasca para 12,28 milhões de acres (4,97 milhões de hectares), incluindo a planície costeira do estado onde se perfuram petróleo e gás, disse o Departamento de Interior no domingo (25).

A proposta de ampliar a parte da Reserva Nacional de Vida Selvagem do Ártico, designada como zona virgem – que enfrenta uma dura batalha no Congresso norte-americano onde republicanos com controle em ambas as casas se opõem a reduzir a produção de petróleo – foi criticada de imediato por alguns representantes locais.

A zona virgem – mais alto nível de proteção federal contra a exploração de petróleo e gás – se estenderia a 19,8 milhões de acres, disse o Departamento de Interior.

A área em questão, uma estreita faixa situada entre a Cordilheira Brooks e o Oceano Ártico, é um lugar de vital importância para ursos polares e outros animais. O serviço geológico dos EUA calcula que a planície costeira possui cerca de 10,3 bilhões de barris de petróleo.

28 de janeiro de 2015
por Adalberto de Bruyn
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França experimenta com sucesso pagamento a quem trabalha de bicicleta

Terra

Pagar 0,25 euro por quilômetro aos funcionários que vão ao trabalho de bicicleta se traduziu em um aumento de 50% do uso deste meio de transporte, segundo os resultados de um experimento oficial de cinco meses na França apresentados recentemente pelo Governo do país.

Foto: Divulgação/SXC/EcoIn.

Foto: Divulgação/SXC/EcoIn.

A porcentagem dos que utilizaram a bicicleta para ir de casa para o trabalho entre os 8.000 funcionários das 18 empresas que voluntariamente participaram do estudo subiu entre o dia 1º de junho e 1º de novembro passados de 2% para 3,6%, explicou em comunicado o Ministério de Ecologia francês.

No total, 380 pessoas se inscreveram para receber uma “indenização” por se deslocar de bicicleta, às quais é preciso acrescentar 39 que também foram para o trabalho no veículo, mas que em troca disso guardaram a parte do abono para o transporte público que a empresa tem que lhes pagar.

Na maior parte dos casos, a adesão ao experimento foi feita através de um formulário no qual o trabalhador se comprometia a realizar os trajetos para o trabalho de bicicleta e devia especificar quantos ao mês.

Os responsáveis pelo teste detalharam que quem aderiu declarou uma distância média de pouco mais de cinco quilômetros (superior aos 3,4 quilômetros de uma pesquisa de 2008 como referência) que deve ser “afinada” porque “parece que esteja relacionada com o impacto financeiro”.

As empresas, em qualquer caso, afirmou que não tinham tido muitas dificuldades para verificar as distâncias percorridas e “não constataram abusos”.

O Ministério de Ecologia ressaltou que o resultado é “muito positivo” para a saúde da população, já que o risco de doença diminui quanto maior for o percurso realizado fazendo exercício.

Além disso, ressaltou que um terço dos novos ciclistas também aumentou a utilização da bicicleta para outros usos, como ir fazer compras ou se movimentar em seu tempo livre.

No teste se constatou que, entre os obstáculos para o uso deste meio de transporte, estão as más condições meteorológicas, mas também as consequências dessa opção sobre o tempo de trabalho.

A experiência, financiada pela Agência do Meio Ambiente e Controle da Energia, coincide com a tramitação no Parlamento francês do projeto de lei sobre transição energética, na qual se inclui o pagamento desta indenização aos que vão para o trabalho de bicicleta e que busca reduzir o consumo das famílias, assim como o peso das energias fósseis e nuclear.

22 de janeiro de 2015
por Adalberto de Bruyn
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País desperdiçou 37% da água tratada em 2013, diz relatório do governo

G1

O Brasil desperdiçou 37% de toda a água tratada em 2013, segundo relatório do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), serviço ligado ao Ministério das Cidades. Os números de 2013 são os mais recentes divulgados. A média se manteve estável com relação ao verificado em 2012. O ideal, segundo o estudo, é que o índice de desperdício fique abaixo de 20%.

Desperdício de água chegou a 37% em 2013. Foto: Divulgação/SXC/EcoIn.

Desperdício de água chegou a 37% em 2013. Foto: Divulgação/SXC/EcoIn.

A principal causa que o SNIS aponta para a água que não chega ao consumidor são “vazamentos em adutoras, redes, ramais, conexões e reservatórios” das prestadoras de serviço responsáveis pelo abastecimento.

As regiões Norte e Nordeste são as únicas com taxas de desperdício maior que a média nacional, 50,8% e 45% respectivamente. Depois vêm as regiões Sul (35,1%), Centro-Oeste (33,4%) e Sudeste (33,4%).

Entre os estados, o Distrito Federal teve o menor desperdício (27,3%), e o Amapá teve o maior (76,5%). (Veja tabela completa abaixo)

Ainda de acordo com o levantamento, dez capitais brasileiras têm índice abaixo da média nacional. São elas, na ordem crescente de taxa de desperdício: Goiânia, Porto Alegre, Brasília, Campo Grande, Rio de Janeiro, Vitória, Florianópolis, Palmas, São Paulo e Belo Horizonte. O pior índice de desperdício nas capitais é em Macapá, 73,6%.

No relatório, o SNIS ressalta que “em tempos de escassez hídrica, a gestão de perdas de água tem papel fundamental nas ações estruturantes nos prestadores de serviços”. Também afirma que os dados apresentados mostram a necessidade de as empresas responsáveis pelo abastecimento de água atuarem em ações para a melhoria da gestão, para a sustentabilidade da prestação de serviços, para a modernização de sistemas e para a qualificação dos trabalhadores.

Confira a taxa de desperdício em cada estado, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento:

Região Norte
Acre: 55,9%
Amazonas: 47,0%
Amapá: 76,5%
Pará: 48,9%
Rondônia: 52,8%
Roraima: 59,7%
Tocantins: 34,3%

Região Nordeste
Alagoas: 46,1%
Bahia: 41,6%
Ceará: 36,5%
Maranhão: 37,8%
Paraíba: 36,2%
Pernambuco: 53,7%
Piauí: 51,8%
Rio Grande do Norte: 55,3%
Sergipe: 59,3%

Sudeste
Espírito Santo: 34,4%
Minas Gerais: 33,5%
Rio de Janeiro: 30,8%
São Paulo: 34,3%

Sul
Paraná: 33,4%
Rio Grande do Sul: 37,2%
Santa Catarina: 33,7%

Centro-Oeste
Distrito Federal: 27,3%
Goiás: 28,8%
Mato Grosso do Sul: 32,9%
Mato Grosso: 47,2%

 

20 de janeiro de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Brasileiro cria aplicativo ‘Banho Rápido’ para incentivar uso consciente da água

Redação EcoD – ecodesenvolvimento.org
Cuveiro_SymbolPreocupado com o problema da falta d’água em São Paulo, o engenheiro eletricista Caio Tramontina dedicou-se durante dois meses  para desenvolver um aplicativo gratuito (Android e IOS) que ajudasse a educar as pessoas sobre o uso consciente da água durante o banho.

Batizado de “Banho Rápido”, o app pergunta informações simples sobre o banho (se o usuário irá lavar a cabeça ou não, se tem cabelo comprido, quantas vezes passa shampoo e qual o tipo de chuveiro) e então utiliza estas informações para definir o tempo de cada etapa do banho, emitindo avisos visuais e sonoros que guiam o usuário. Também é possível controlar e compartilhar o quanto foi economizado com o uso do aplicativo.

banho-rapido-ecod

“Desde o lançamento, o app tem se mostrado extremamente eficiente, sendo que os banhos feitos com ele atingiram uma duração média de apenas 4min e 36 segundos”, destaca o criador

Os links para o app na Google Play e na App Store estão no site www.banhorapido.com