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21 de maio de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Entidades e ambientalistas sugerem TAC para despoluir Baía de Guanabara

Agência Brasil

O governo estadual e o Ministério Público Federal deveriam firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para pactuar esforços que garantam a despoluição da Baía de Guanabara, com a apresentação de um cronograma físico-financeiro para a execução das obras necessárias.

A sugestão foi feita por ambientalistas, entidades e representantes do governo municipal, após reunião na quarta-feira (20) organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), na Comissão de Direito Ambiental da Subseção Barra da Tijuca.

De acordo com o biólogo Mário Moscatelli, que há 20 anos monitora a baía, a solução do TAC funcionou para melhorar a situação da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio.

“Estou seguindo uma trilha de relativo sucesso que foi executada na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde o Ministério Público Estadual assinou um TAC com a Cedae [Companhia Estadual de Águas e Esgotos], que a obrigou a fazer uma série de melhorias na rede de esgoto. Então estou só extrapolando essa estratégia que deu certo no passado e tentando executar na Baía de Guanabara”, disse Moscatelli.

Segundo Moscatelli, foi feita uma convocação pelas redes sociais para, no dia 6 de junho, ao meio-dia, um ato na Praia de Botafogo e na Praia de Icaraí, em Niterói, “simbolizando um abraço à Baía de Guanabara”.

Na ocasião, será encaminhado ao Ministério Público Federal e à Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), um relatório técnico fotográfico mostrando a situação da Baía de Guanabara, junto com a sugestão do TAC.

“Eu tenho fotografias de 20 anos da baía e devo fazer um novo sobrevoo para ter as imagens mais atualizadas possível. É um documento objetivamente fotográfico, bem pedagógico”, explica o biólogo, que diz ter visto, nesse período, os dois últimos rios limpos da região “morrerem” com o despejo de esgoto.

A presidenta da Comissão de Direito Ambiental da OAB, Christianne Bernardo, lembra que o problema da Baía de Guanabara é muito complexo e envolve toda a região no entorno do corpo d’água.

“Temos que dar um novo olhar sobre essa região, como Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara, envolve todos os municípios do entorno, pega a Baixada Fluminense, o lado de Niterói, São Gonçalo. É uma região que sem saneamento vai ter o esgoto vindo para a baía, não vai adiantar nada a gente fazer alguma coisa na baía, ela só vai se recuperar com o resultado dessas ações que precisam ser feitas em praticamente toda a região da bacia”.

Mário Moscatelli vai além e acusa os governos de provocarem a atual situação de degradação, com décadas sem políticas de transporte, habitação e saneamento.

“Não tem sido por falta de dinheiro que a Baía de Guanabara está do jeito que está. Já foram despejados R$ 10 bilhões em obras e, no meu entender, nunca houve interesse de fato, vontade política, de recuperar a Baía de Guanabara. A minha hipótese é que a baía recuperada representa o fim dos investimentos, dos empréstimos internacionais para uma suposta recuperação que nunca acontece”, acusa Moscatelli.

A Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) não mandou representantes para a reunião nem respondeu às acusações do biólogo. Questionada pela reportagem, a SEA apenas informou que o local onde ocorrerão as competições náuticas das olimpíadas na Baía de Guanabara “seguem padrões internacionais, inclusive de balneabilidade”. Informou também que a licitação para o novo projeto de retirada de lixo flutuante será feita no dia 22, para implantar 17 ecobarreiras e retornar os ecobarcos após ajustes operacionais.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) informa que, na reunião, ficou definido que o Comitê de Bacia da Baía da Guanabara “vai articular com os atores envolvidos e os demais presentes continuarão a fazer pressão e propostas de soluções”.

21 de maio de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Greenpeace denuncia pesca chinesa ilegal na África Ocidental

UOL

Frotas de pesca chinesas pescam ilegalmente na costa da África Ocidental, algumas se fazendo localizar falsamente no México – denunciou o Greenpeace na quarta-feira (20), ao apresentar em Pequim os resultados de uma grande investigação.

O número de barcos de pesca com bandeira chinesa ou pertencentes a empresas do país tem aumentado desproporcionalmente, passando de 13 em 1985 para 462 em 2013, segundo a ONG de defesa ambiental.

Em oito anos, a ONG afirma ter detectado 114 casos de pesca ilegal realizadas por esses navios nas águas da Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Mauritânia, Senegal e Serra Leoa. Estes navios operam principalmente sem autorização ou em zonas proibidas.

Sessenta destes casos estão ligados à maior empresa de pesca deslocalizada da China, a estatal China National Fisheries Corporation (CNFC), de acordo com os resultados desta pesquisa de dois anos realizada pelo Greenpeace Leste da Ásia e Greenpeace África.

“Num momento em que o governo chinês está eliminando certas práticas de pesca destrutivas de suas próprias águas, as lacunas existentes em sua política levam à implementação de padrões menos rígidos na África”, lamenta a ONG em comunicado.

Segundo o texto, os casos foram registrados pela Unidade de Coordenação de operações da Comissão Regional de pesca com base em Dakar, e pelo Greenpeace.

As ONGs explica que os casos mais recentes foram observados por seu navio “Esperanza”, que navegava nas zonas econômicas exclusivas (ZEE) do Senegal, Guiné-Bissau e Guiné entre 26 de outubro e 21 de novembro de 2014.

“Somente nas águas guineenses, o navio documentou 16 atividades de pesca ilegais por 12 navios de bandeira chinesas ou empresas que pertencem a este país, ou seja, a média de um caso de pesca chinesa ilegal a cada dois dias”.

21 de maio de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Entenda o Marco da Biodiversidade sancionado por Dilma

G1

O Marco da Biodiversidade reforça as regras criadas pela Medida Provisória 2.186-16, de 2001, que incorpora os compromissos assumidos pelo governo perante a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), tratado internacional das Nações Unidas que regula o tema.

Apresentado pelo Executivo em 2014, o projeto de lei foi aprovado pela primeira vez na Câmara em fevereiro. Encaminhado ao Senado, recebeu 23 emendas que alteraram o texto. Por isso, teve que voltar a ser analisado pelos deputados. O documento foi aprovado em 27 de abril e encaminhado para sanção da presidente Dilma Rousseff.

O objetivo do projeto de lei da biodiversidade é reduzir a burocracia e estimular a pesquisa e inovação com espécies nativas. No entanto, alguns ambientalistas dizem que o projeto privilegia as empresas e amplia o acesso à biodiversidade sem proteger os povos indígenas e seus conhecimentos tradicionais.

No projeto de lei, patrimônio genético é definido como “informação de origem genética de espécies vegetais, animais, microbianas, ou espécies de outra natureza, incluindo substâncias oriundas do metabolismo destes seres vivos”.

Entre os principais pontos aprovados, estão a retirada de penalidades impostas a empresas que descumpriram regras ligadas à exploração de materiais provenientes de plantas ou animais e a criação de normas de pagamento pelo uso de recursos genéticos naturais por empresas – tanto para o governo, quanto para povos tradicionais, como os indígenas.

18 de maio de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Canadá anuncia que cortará em 30% as emissões de gases-estufa até 2030

G1

Bandeira do canadá_SymbolO Canadá reduzirá 30% de suas emissões de gases de efeito estufa até 2030 em relação a 2005, segundo a ministra do Meio Ambiente do país, Leona Aglukkaq, ao anunciar os objetivos do país para a conferência da ONU sobre o clima em dezembro, em Paris.

A meta, que o Canadá tinha que definir antes da cúpula do G7 em junho, é “ambiciosa”, segundo a ministra, que concedeu coletiva na última sexta-feira (15).

Durante a conferência de Copenhague, em 2009, o Canadá se comprometeu a reduzir 17% de suas emissões de gases de efeito estufa até 2020 em relação a 2005, mas em vez de reduzi-las, aumentou.

Em meados de abril, o ministério do Meio Ambiente informou que as emissões de gás aumentaram cerca de 20% em relação à meta inicial.

Mas desta vez, para atingir seu objetivo, o Canadá irá mirar no compromisso das províncias, onde as principais emissões de gases de efeito estufa são o dióxido de carbono (CO2). Muitas já reduziram suas emissões.

Ação insuficiente 

O governo também visa reduzir as emissões de metano do setor de petróleo e gás, que vêm de centrais elétricas alimentadas de gás natural e as do setor de fertilizantes químicos.

Defensores do meio ambiente consideraram as metas do Canadá insuficientes. É “um dos mais simples entre os países industrializados”, escreveu Steven Guilbeault, da ONG Equiterre.

Segundo maior poluidor, após a China, os Estados Unidos comprometeram-se a reduzir entre 26% e 28% suas emissões de gases de efeito estufa até 2025 em relação a 2005. A União Europeia prevê uma baixa de 40% nas emissões até 2030 em comparação com 1990.

Para um país, anunciar sua meta climática é igual a, entre outras coisas, prever a parte de suas diferentes fontes de energia (fóssil, renovável, nuclear) depois de 2020: uma decisão complexa que deve levar em conta os custos de investimento, as necessidades para garantir o desenvolvimento econômico e a evolução das tecnologias.

Canadá havia se retirado do Protocolo de Kyoto em 2011, por considerar que seus objetivos não eram realistas. Anúncios de grandes emissores como China, Austrália e Japão são esperados entre agora e junho, quando ocorrerá uma nova rodada intermediária de negociações oficiais em Bonn (entre 1 e 11 de junho).

18 de maio de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Governo do Equador diz ter obtido recorde mundial em reflorestamento

G1

O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou no sábado (16) que o país estabeleceu o recorde mundial de reflorestamento, no Livro Guinness, após plantar 647 mil plantas de mais de 200 espécies, de maneira simultânea, em todo o território.

“Acabam de me informar que já quebramos o recorde Guinness de reflorestamento”, celebrou o presidente, em seu informe semanal de atividades de governo, quatro horas depois do início do maior programa equatoriano de reflorestamento.

A marca Guinness foi estabelecida com o plantio de 647.250 unidades, realizado por 44.883 pessoas em 1.997 hectares do país, detalhou a ministra equatoriana do Meio Ambiente, Lorena Tapia, no Twitter.

O governo promoveu o “mais ambicioso” projeto de replantio da história do país, para estabelecer uma marca Guinness pela maior quantidade de espécies de árvores plantadas pela maior quantidade de pessoas em diferentes lugares ao mesmo tempo.

“Estamos plantando quase 600 mil unidades, com mais de 44 mil voluntários, reflorestando quase 2.000 hectares de terreno com 216 diferentes espécies de plantas nativas”, informou Correa, na abertura de seu programa transmitido pela televisão, direto da localidade de Pifo.

Lá, o presidente Correa fez o plantio simbólico de uma árvore.

Em 2014, as Filipinas estabeleceram uma marca mundial, plantando 2.294.629 árvores, como cacau e café, em várias localidades e de forma simultânea, com a participação de 122.168 pessoas, relata o Guinness.

O delegado do Guinness World Records, Carlos Martínez, esteve em Catequilla, em Quito, para acompanhar o ato. Segundo ele, o Equador pretende “superar as 200 espécies”.

“Não há registro na história de eventos similares que superem as 150 espécies”, afirmou, acrescentando que, devido ao “volume” da informação, a certificação do Guinness sobre o recorde do Equador levará “alguns dias”.

18 de maio de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Pesquisadores brasileiros discutem redução de uso de animais em testes

Revista Pesquisa Fapesp

A busca por alternativas ao uso de animais em ensaios clínicos e testes de produtos intensificou-se na última década. Um dos casos mais representativos é o programa Tox 21 (Toxicologia do Século 21), criado com a colaboração de agências federais norte-americanas como os National Institutes of Health (NIH) e a Environmental Protection Agency (EPA). Lançado em 2008, utiliza modelos matemáticos e computacionais, aliados à genômica e à tecnologia robótica, para estudar a estrutura e a toxicidade de uma vasta coleção de compostos químicos. O objetivo é conhecer as vias pelas quais as toxinas agem no organismo e criar métodos capazes de predizer se um candidato a fármaco merece ser submetido a ensaio clínico. Ao descartar moléculas prejudiciais à saúde, evita-se a utilização de animais em testes de compostos previamente classificados como tóxicos. Em dois anos, foram estudadas mais de 10 mil substâncias. Os resultados estão disponíveis em plataformas virtuais.

“O sucesso das próximas etapas do programa depende de colaborações mais, robustas, envolvendo companhias farmacêuticas”, diz Raymond Tice, do National Institute of Environmental Health Science dos Estados Unidos, instituição envolvida no Tox 21. Tice participou do workshop Challenges and Perspectives in Research on Alternatives to Animal Testing, realizado na FAPESP em março. Segundo ele, o paradigma dos testes em animais não incorpora avanços para tornar o processo mais seguro e preciso.

Eduardo Pagani, gerente de desenvolvimento de fármacos do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), mostrou no workshop como modelos computacionais são capazes de comparar a estrutura de uma molécula candidata com a de outras já testadas e definir se vale a pena seguir com seu desenvolvimento. O LNBio, que trabalha nessa frente, busca parcerias. No caso, com grupos que dominam a tecnologia de organs-on-a-chip. Trata-se de uma técnica em estudo nos Estados Unidos e na Alemanha que usa células para desenvolver tecidos humanos integrados a microchips, capazes de reproduzir o funcionamento de órgãos vivos. “Queremos atuar no campo de mimetização de tecidos”, ressalta Pagani.

Pesquisadores que participaram do workshop trouxeram novas discussões sobre o uso de modelos animais em pesquisa. Tais modelos apresentam semelhança com o ser humano de apenas 60%, disse Thomas Hartung, do Center for Alternatives to Animal Testing do Johns Hopkins University Hospital, nos Estados Unidos. Hartung citou o exemplo da aspirina, comprovadamente segura aos seres humanos, mas que seria reprovada em testes em animais por promover malformações fetais em certos modelos. “Procuramos apresentar aos pesquisadores brasileiros a importância do uso dos métodos alternativos e suas limitações, além da necessidade de um delineamento experimental criterioso”, diz Lorena Gaspar Cordeiro, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), uma das organizadoras do evento.

Alguns métodos apresentados no workshop buscam alternativas ao uso de mamíferos, como o zebrafish, conhecido no país como peixe paulistinha, e a larva do inseto Galleria mellonella. “Cerca de 75% dos 26 mil genes do zebrafish são semelhantes aos humanos”, diz a geneticista Cláudia Maurer-Morelli, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Já as larvas têm mecanismos imunológicos similares aos dos mamíferos. “A cutícula da larva funciona como uma pele. Quando se injeta uma substância tóxica, ela reage e escurece”, explica Maria José Giannini, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “O Brasil caminha para acompanhar o que acontece em países como os Estados Unidos e os da Europa”, diz Giannini, coordenadora do workshop.

14 de maio de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Veto a pecuarista desmatador ajudou a preservar a Amazônia, diz estudo

G1

Desmatamento-SXC-SymbolO compromisso assumido pelos processadores de carne do Brasil de só comprar gado de fazendas que pararam de desmatar a floresta amazônica no Pará levou a uma queda acentuada na derrubada de árvores, disseram pesquisadores.

Historicamente, a expansão do pasto para o gado acelerou o desmatamento na Amazônia brasileira, onde os rebanhos ocupam cerca de dois terços das terras devastadas.

Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison revelou que, antes dos acordos feitos em 2009, quase quatro dos dez fornecedores diretos da JBS, a maior empresa do setor no mundo, eram responsáveis pelo desmatamento recente. Até 2013 esse número havia caído para quatro em cem.

“O agronegócio pode levar a grandes mudanças nos locais em questão”, disse Holly Gibbs, professora de geografia e estudos ambientais da Universidade de Wisconsin-Madison e coautora do estudo publicado nesta terça-feira (12) no periódico “Conservation Letters”.

Em outra pesquisa do início deste ano, Holly e sua equipe descobriram que, depois que grandes empresas assinaram um pacto em 2006 para não comprar soja plantada em terras desmatadas na Amazônia brasileira, só cerca de 1% da expansão no plantio da soja ocorreu às custas da floresta – antes a cifra era de 30%.

“Os frigoríficos e os comerciantes de soja estão na linha de frente do desmatamento, por isso acompanham os produtores – agricultores e pecuaristas – diariamente, e podem bloquear imediatamente o acesso ao mercado”, explicou Holly.

Acordo mais funcional 

O compromisso chamado “Carne Legal”, assumido em 2009 pela indústria de carne bovina do Brasil – que detém o maior rebanho comercial do mundo, produziu resultados em questão de meses, muito mais rápido que políticas nacionais como o Código Florestal, acrescentou Holly.

Depois que os acordos foram fechados, os abatedouros passaram a boicotar o gado de alguns pecuaristas onde se praticava o desmatamento, contribuindo com a queda rápida no número de fornecedores atuando em terras desmatadas.

O pacto com os abatedouros, resultado da pressão de grupos ambientalistas e da Procuradoria-Geral do Pará, estipulou também que os pecuaristas precisam registrar suas propriedades no Cadastro Ambiental Rural.

Antes dos acordos, só 2% dos fornecedores da JBS o haviam feito, mas cinco meses mais tarde quase 60% já haviam registrado suas propriedades, e até 2013 a cifra já era de 96%, segundo o estudo. Entre os 56 pecuaristas pesquisados, 85% disseram tê-lo feito para poder vender à JBS.

Nos últimos 18 meses, aproximadamente, muitas multinacionais anunciaram que não irão mais obter commodities como azeite de dendê e soja de fornecedores que derrubam florestas.

Os resultados do estudo dão a entender que isso pode ter um grande impacto, mas a pesquisa teve uma abrangência limitada, cobrindo só 30% do gado abatido no Pará.

12 de maio de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Banco Mundial traça rota rumo às “zero emissões” de CO2

UOL

Políticas de longo prazo para o clima, os preços do carbono e medidas para facilitar a transição energética dos mais pobres: estes três passos são considerados essenciais pelo Banco Mundial para atingir zero emissões de gases de efeito estufa até 2100 e “estabilizar o clima”.

“É importante reestruturar a economia global se quisermos atingir zero emissões (de gases de efeito estufa) líquidas antes do final deste século”, afirmou Rachel Kyte, vice-presidente do Banco Mundial (BM), por ocasião do lançamento nesta segunda-feira do relatório intitulado “Descarbonizar o desenvolvimento: três passos para um futuro livre de carbono”.

“As prioridades do BM hoje são ditadas pela meta de descarbonização total no longo prazo”, acrescentou Stéphane Hallegatte, economista sênior da instituição, durante a apresentação do relatório em Paris.

“O objetivo de zero emissões é uma certeza para estabilizar a mudança climática”, insistiu Hallegatte, para quem a “emissão zero, deve ser alcançada antes de 2100 para ficarmos abaixo dos 2°C” de aquecimento, o objetivo da comunidade internacional.

A poucos meses da conferência do clima em Paris, que ocorrerá de 30 de novembro a 11 de dezembro, o Banco mostra claramente suas prioridades: ajudar os países em desenvolvimento a fazer escolhas para torná-los menos dependentes dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão, gás), construir cidades e transporte que consumam menos energia e incentivá-los a usar as florestas e savanas como sequestradores de carbono.

Para chegar à “emissão zero”, a preocupação dos países hoje deve ser baseada em uma visão de longo prazo, bem para além de 2025 ou 2030, datas dos próximos objetivos climáticos que os países devem anunciar antes de Paris.

Taxar o carbono 

Então, “é preciso colocar em prática um pacote abrangente de medidas, incluindo a precificação do carbono para criar os incentivos necessários (…) para um crescimento de baixo carbono”, disse o Banco Mundial.

O estabelecimento de um preço para o carbono – através de um imposto sobre o carbono ou um mercado de carbono – “é necessário”, afirma Hallegatte. Mas “isso deve ser complementado por outras medidas, tais como as normas de emissões dos veículos, a eficiência energética, planos de eletrificação, transporte urbano”, acrescentou.

Finalmente, para compensar uma alta dos combustíveis devido ao preço do carbono ou, inicialmente, à remoção de subsídios aos combustíveis fósseis, é imperativo ajudar as populações mais pobres.

Exemplos: Irã e Indonésia retiraram seus subsídios aos combustíveis fósseis e têm utilizado este orçamento para ajudar diretamente as famílias de baixa renda. “Em Gana, a escola primária tornou-se gratuita e ajudas para ter acesso à eletricidade têm sido postas em prática”, ressaltou Hallegatte.

Para o economista, “o sucesso ou o fracasso da política climática dependerão da capacidade de contribuir para o desenvolvimento e a luta contra a pobreza”.

Além da necessidade urgente de estabelecer políticas energéticas de longo prazo alinhadas aos objetivos climáticos, as perspectivas de reduzir o aquecimento global a 2°C também contam com a tecnologia.

Particularmente na captura e armazenamento de carbono, uma técnica controversa, que ainda não está madura e amarga fracos investimentos em razão dos preços muito baixos onde o carbono é tributado.

12 de maio de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Inglaterra premia o projeto tatu-canastra

MMA

O projeto para proteção e conservação do gigante tatu-canastra (Priodontes maximus), desenvolvido no Pantanal do Mato Grosso e conduzido pelo pesquisador francês Arnaud Desbiez, conquistou o Prêmio Whitley de Conservação Ambiental, concedido pela Fundação Whitley no dia 29 de abril. A cerimônia foi realizada na sede da Royal Geographical Society, em Londres, e o prêmio foi entregue a Desbiez pela patrona da Fundação Whitley, a princesa Anne, da Inglaterra, filha da rainha Elizabeth II.

Conhecido como o “Oscar Verde” da conservação do meio ambiente, o prêmio é considerado uma das maiores honrarias da área ambiental de todo o mundo. Além do troféu e da homenagem que receberam da princesa, os vencedores ganharam, também, 35 mil libras esterlinas (cerca de R$ 160 mil) para dar continuidade ao trabalho de conservação e estender a pesquisa com o tatu-canastra para o bioma Cerrado.

Gigante 

Exemplar de tatu-canastra, raro de ser visto e que contribui indiretamente na preservação de outros animais. Foto: Divulgação/Projeto Tatu-canastra.

Exemplar de tatu-canastra, raro de ser visto e que contribui indiretamente na preservação de outros animais. Foto: Divulgação/Projeto Tatu-canastra.

O mamífero é considerado um fóssil vivo, por ser o mais antigo da Terra, raramente visto em liberdade no meio ambiente. O animal pode medir até 1,5 metro e pesar 50 quilos. Pode ser encontrado desde o Leste dos Andes, passando pela Colômbia e Venezuela, indo até o Sul do Paraguai e Norte da Argentina, além do Brasil.

Por causa do projeto de conservação do tatu-canastra, o governo de Mato Grosso selecionou os hábitos de vida deste mamífero gigante como um indicador para a criação de áreas protegidas. Os pesquisadores constataram que as tocas feitas pelo canastra ajudam a proteger mais de 24 espécies de vertebrados da região, servindo de abrigo, refúgio térmico, área de alimentação ou de descanso para bichos como jaguatiricas e pequenos roedores.

Subterrâneos 

Especialistas do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) e da Sociedade Zoológica Real da Escócia investigaram, por três anos, a rotina do tatu-canastra, espécie encontrada nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Informações foram coletadas com a ajuda de armadilhas fotográficas, instaladas pelos pesquisadores Arnaud Desbiez e Danilo Kluyber, e divulgadas na revista científica de biologia tropical e conservação chamada “Biotropica”.

Segundo Desbiez, o tatu-canastra é uma espécie que passa a maior parte do tempo sob a terra, em tocas que ele próprio constrói. Os buracos podem ter até cinco metros de profundidade e 35 centímetros de largura. Outros seis ambientalistas, que tocam projetos de conservação na Índia, Nigéria, Colômbia, Indonésia e Filipinas, também receberam o Prêmio Whitley de Conservação Ambiental.

12 de maio de 2015
por Adalberto de Bruyn
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Espécie ameaçada de extinção está sendo salva no interior da Bahia

G1

No Brasil, um animal silvestre que estava criticamente ameaçado de extinção, dez anos atrás, saiu dessa situação, no interior da Bahia.

Elas voam longe para buscar comida quando o dia amanhece. Os pesquisadores chegam logo depois da revoada. A região do município de Canudos, conhecida como Toca Velha, é o principal dormitório das ararinhas.

No período de reprodução, biólogos e veterinários estudam o que ocorre nos ninhos escondidos nas montanhas.

Arara Azul. Foto: Divulgação/SXC.

Arara Azul. Foto: Divulgação/SXC.

Cerca de 60 ninhos já foram identificados na região do dormitório. Para fazer o monitoramento os pesquisadores precisam entrar nos buracos dos paredões e capturar alguns filhotes. Para isso, eles precisam descer pendurados em cordas, fazendo rapel.

Em cada temporada, um casal gera apenas um filhote. Uma ararinha, que ainda não sabe voar, tem dois meses de vida. Com muito cuidado, é levada para exames. A ararinha é examinada, recebe um chip e um anel de identificação. E bem alimentados os filhotes crescem com mais resistência.

“Saudáveis, a tendência é a população aumentar com todas as condições que elas precisam também na caatinga”, diz Marcus Vinícius, veterinário.

Expectativa boa para 2015 

Já aumentou. Na verdade, triplicou nos últimos dez anos. Eram cerca de 400 araras em 2005. Hoje, a população é de quase 1,3 mil aves. A expectativa é de pelo menos mais 50 ararinhas.

A proteção da espécie melhorou depois que uma ONG comprou a fazenda onde fica o dormitório, e contratou quatro guardas-parques.

Eurivaldo, o Caboclo, como é conhecido, diz que já foi até ameaçado de morte por traficantes de animais.

Caboclo tem orgulho de ajudar a evitar a extinção da espécie que já foi a mais perseguida da fauna brasileira.

“Eu posso garantir que meus netos e meus filhos vão ter a oportunidade de chegar aqui nesse lugar, que eu pretendo ficar por muito tempo, e ver a beleza e as araras”, afirma Eurivaldo Macedo, guarda-parque Biodiversitas.