Cientistas propõem milhões de canos no oceano contra aquecimento

Enviado em Internacional de De Bruyn | 30 de Setembro de 2007 @ 15:22

Carbono Brasil/JB ONline

Dois dos principais ecologistas da Grã-Bretanha acreditam que é hora de desenvolver uma solução técnica rápida para mudanças climáticas.

Em artigo na revista Nature, o diretor do Museu de Ciência em Londres, Chris Rapley, e James Lovelock, criador da teoria de Gaia (que vê a Terra como um organismo vivo capaz de se auto-regular), sugerem que se procure aumentar a absorção de CO2 pelos oceanos.

Com o uso de tubos verticais gigantescos, a água da superfície e das profundezas do mar seriam misturadas para fertilizar algas, que absorveriam CO2 da atmosfera.

As águas frias do fundo do mar são ricas em nutrientes. Para promover a mistura da água, os canos flutuariam livremente, criando um fluxo de água de 100 a 200 metros de profundidade para a superfície. A Atmocean acredita que uma das formas de vida que podem se beneficiar do uso dos canos é o salp, um microorganismo que excreta carbono em fezes que se depositam no fundo do mar, talvez armazenando carbono lá por milênios.

A idéia já está sendo testada pela companhia americana Atmocean. Seu diretor, Phil Kithil, calcula que a instalação de 134 milhões de canos pode, potencialmente, retirar cerca de um terço do dióxido de carbono produzido por atividades humanas a cada ano. Mas ele admite que as pesquisas ainda estão apenas começando.

“O problema que nos preocupa mais é a acidificação. Nós estamos trazendo para a superfície níveis mais altos de CO2 junto com os nutrientes - diz Kithil. A empresa afirma que uma outra vantagem de diminuir a temperatura das águas na superfície em regiões como o Golfo do México poderia ser uma redução do número de furacões, que precisam de águas mais aquecidas para se formar.

Lovelock e Rapley sugerem ainda que os canos no oceano podem estimular também o crescimento de microorganismos que produzem sulfureto de dimetilo, uma substância que contribui para a formação de nuvens sobre o oceano, refletindo a luz do sol para fora da superfície da terra e ajudando na refrigeração do planeta.

Rapley e Lovelock dizem que duvidam que os planos existentes para reduzir as emissões de carbono sejam suficientemente rápidos para combater as mudanças climáticas.

“Nós não vamos salvar o planeta por abordagens usuais como o Protocolo de Kyoto ou energia renovável”, disse Lovelock à BBC.

Queimadas e lixão contribuem para efeito estufa

Enviado em Internacional de Raquel Elena | 29 de Setembro de 2007 @ 14:41

Por Raquel Casiraghi (Agência Chasque/Envolverde)

Porto Alegre (RS) - O aquecimento global foi tema de mais um encontro da Organização das Nações Unidas (ONU), que busca avançar nos acordos de redução da emissão de gases poluentes. Nesta terça-feira (25), cerca de 150 países estiveram em Nova Iorque, nos Estados Unidos, debatendo sobre o tema, que tem como principal impasse alguns países desenvolvidos, como os Estados Unidos e o Japão, que não seguem o Protocolo de Kyoto.

No entanto, não são somente os países ricos que poluem o meio ambiente e aceleram o processo de aquecimento global. O Brasil está entre os cinco países que mais poluem no mundo. Também há a China e a Índia. No caso brasileiro, o principal vilão são as queimadas de florestas. No entanto, alerta Juliana Ramalho, pesquisadora do Laboratório de Climatologia da UnB, os lixões também liberam gases altamente poluidores.

“Aqui no Brasil, as queimadas são o maior responsável pelas emissões de CO2 na atmosfera, mas com relação ao efeito estufa, nós temos problemas com os lixões, que liberam bastante metano”, afirma.

Apesar do desmatamento ter diminuído no país, os índices ainda continuam sendo os maiores em toda a América. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o Brasil responde por 74% das áreas desmatadas no continente entre 2000 a 2005 . As áreas mais afetadas estão nas regiões Norte e Centro-Oeste, que sofrem com o avanço irregular de madeireiras, da pecuária e do cultivo da soja. Sobre os lixões, uma saída é a reciclagem do lixo. Dados do governo mostram que o Brasil produz 150 mil toneladas de resíduos sólidos por dia. Menos de 5% por cento desse total é reciclado.

No entanto, Juliana chama a atenção para a responsabilidade dos países ricos. “E a culpa não é somente nossa não. Nós temos as indústrias dos outros países, além da queimada e da agricultura. Se nós pegarmos a China, por exemplo, tem uma matriz energética totalmente voltada para o uso do carvão, que é um combustível que elimina bastante CO2. Não adianta só nós fazermos a nossa parte. Não significa que não devemos fazer, mas os outros países também têm que fazer”, diz.

Juliana destaca que é necessário o Brasil tomar medidas mais enérgicas para conter o avanço do aquecimento, mas que não depende somente dos brasileiros. A pesquisadora critica os países considerados desenvolvidos, como os Estados Unidos, Japão e Austrália, que não querem reduzir a emissão de gases que determina o Protocolo de Kyoto, alegando perdas na indústria.

“Não há um grau de certeza tão grande que diga que é o processo local que se expande para o global ou se são vários efeitos pequenos que geram prejuízos para os grandes, formando um quadro global. Cada um tem que olhar para si, como os Estados Unidos, Rússia e índia”, argumenta Juliana.

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EUA “levam a sério” mudança climática, afirma Rice

Enviado em Internacional de De Bruyn | 28 de Setembro de 2007 @ 14:52

France Presse - (Washington)

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou que os Estados Unidos tratam a questão do aquecimento global com atenção e seriedade. Ela inaugurou nesta quinta-feira, em Washington, uma conferência com os 16 países que mais emitem gases de efeito estufa.

“Os Estados Unidos levam muito a sério a mudança climática por ser uma grande força econômica e um grande emissor de poluição”, afirmou a secretária em seu discurso de abertura da reunião.

Ela também considerou que o país apóia os objetivos da ONU em termos de ambiente e disse esperar que a conferência sobre mudança climática na Indonésia seja bem-sucedida, referindo-se à cúpula da ONU que será realizada em dezembro.

No discurso, Rice afirmou que a reunião em Washington deve responder a duas questões: “Em que tipo de mundo queremos viver?” e “Que tipo de mundo queremos entregar para as gerações futuras?”.

A conferência de dois dias inicia um processo de 15 meses nos quais as grandes economias vão elaborar estratégias para tentar reduzir as emissões de gases e utilizar o poder dos negócios e as novas tecnologias para combater a poluição.

O presidente George W. Bush, bastante pressionado pela comunidade internacional para endurecer as ações do país contra o aquecimento global, falará no encontro de Washington. Mais quatro ou cinco encontros semelhantes acontecerão até o final de 2008.

Ceticismo

Dada a hostilidade com que Bush tratou o Protocolo de Kyoto nos últimos seis anos, a nova postura do presidente americano ainda é vista com ceticismo na ONU e entre os defensores do protocolo.

Muitos temem que Bush promova uma agenda de reduções voluntárias entre um pequeno grupo de países poluidores, enfraquecendo o fórum global, que avança mais lentamente, porém estabelece metas mais exigentes.

“O único objetivo da reunião de Washington é impedir qualquer avanço significativo na conferência de Bali em dezembro”, afirmou Josh Dorner, porta-voz do Sierra Club, a maior organização de preservação ambiental americana. “Acho que o pior problema é a China usando a inércia americana como desculpa para sua própria inércia e vice-versa”, destacou.

A conferência na Indonésia tem como objetivo estabelecer um marco de negociações, baseadas na Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU (UNFCCC) para acelerar as metas de redução de emissões quando terminar a primeira fase do Protocolo de Kyoto, em 2012.

Em uma advertência velada a Washington, Ban declarou que “todos os outros processos e iniciativas devem ser compatíveis com o processo da UNFCCC e alimentá-lo, colaborando para o seu sucesso”.

Brasil terá selo para biocombustível ecologicamente correto, diz Lula

Enviado em Nacional de Raquel Elena | 27 de Setembro de 2007 @ 15:17

Envolverde/Rádio ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que o Brasil lançará um selo ambiental para certificar a produção de seus biocombustíveis. O anúncio foi feito durante o discurso de abertura dos debates na Assembléia Geral da ONU. “Os biocombustíveis brasileiros estarão presentes no mercado internacional com um selo que garanta suas qualidades sócio-laborais e ambientais”, disse.

O presidente brasileiro rebateu ainda a críticas, de agências internacionais, relacionando o etanol à insegurança alimentar e disse que as plantações de cana-de-açúcar do país ocupam somente 1% de terras aráveis.

Lula defendeu a utilização de biocombustíveis, em grande escala, e disse que a receita brasileira já é uma garantia de sucesso. “Os biocombustíveis são vitais para construí-la. Eles reduzem, significativamente, as emissões de gases do efeito estufa. No Brasil, com a utilização crescente e, cada vez mais, eficaz do etanol, evitou-se nestes últimos trinta anos a emissão de 644 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera”, explicou.

O presidente aproveitou para convidar líderes de todo o mundo para uma conferência internacional sobre biocombustíveis no Brasil, já no próximo ano. Lula propôs a realização de uma outra conferência sobre o meio ambiente em 2012, nos moldes da Eco-92, no Rio de Janeiro.

Ao mudar para economia, Lula pediu o fim do impasse na Rodada de Doha, uma série de negociações que prevêem a liberalização do comércio. Segundo ele, é hora de se chegar a um acordo sem proteções dos países desenvolvidos.

“São inaceitáveis os exorbitantes subsídios agrícolas que enriquecem os ricos e empobrecem os mais pobres. É inadmissível um protecionismo que perpetua a dependência e subdesenvolvimento”, disse.

Pouco antes de finalizar o discurso, ele lembrou a participação brasileira no Haiti e elogiou o papel da ONU no mundo.

“As Nações Unidas são o melhor instrumento para enfrentar os desafios do mundo de hoje. É no exercício da diplomacia multilateral que encontramos os meios de promover a paz e o desenvolvimento”, disse.

Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembléia Geral da ONU desde a fundação do órgão.

Para ouvir esta notícia clique em: (http://www.un.org/av/radio/portuguese/story.asp?NewsID=4041)

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SDR Joinville prepara Conferência Regional do Meio Ambiente

Enviado em Regional de De Bruyn | 26 de Setembro de 2007 @ 12:30

Por Izabel Santos - (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional – SDR)

A Gerência de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Agricultura da SDR Joinville promoveu nesta terça-feira, 25, uma reunião com dirigentes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri), Universidade da Região de Joinville (Univille) e SDR Mafra para discutir os preparativos da Conferência Regional do Meio Ambiente, marcada para o dia 19 de outubro, no Auditório da Univille.

O evento tem como objetivo debater as propostas de políticas públicas ambientais da região, relacionadas às mudanças climáticas. O público-alvo são os órgãos governamentais, universidades, setores produtivos, organizações não-governamentais, comunidades indígenas e representantes de entidades da sociedade civil. A novidade será a participação de representantes de comunidades quilombolas e de pescadores.

A realização da Conferência Regional é preparatória para as Conferências Estadual e Nacional de Meio Ambiente, que visam elaborar diretrizes para estruturar e fortalecer o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). As inscrições para o encontro podem ser feitas através do site: www.fecam.org.br, até o dia 10 de outubro ou pelo fone: (47) 3431-28-03. As vagas são limitadas.

Coleta Seletiva em todo o Distrito Federal

Enviado em Regional de Raquel Elena | 25 de Setembro de 2007 @ 11:24

Por Sabrina Craide - (Agência Brasil)

- Meta no Distrito Federal é universalizar a coleta seletiva, hoje em 3% das casas

Brasília - A coleta seletiva no Distrito Federal (DF) abrange apenas 3% das residências. Segundo a diretora-geral do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Fátima Có, o serviço é prestado somente nas quadras residenciais da Asa Sul e Asa Norte, dois bairros situados no Plano Piloto de Brasília. Atualmente, são coletadas cerca de 50 mil toneladas de lixo domiciliar por mês no DF.

Estimular a reciclagem é um dos principais objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, lançada no dia 6 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e encaminhada ao Congresso Nacional.

A diretora admite que o Distrito Federal está pelo menos 15 anos atrasado, em relação a outras cidades, no gerenciamento dos seus resíduos sólidos. Segundo ela, isso é fruto de falta de uma política adequada para o setor. Mas Fátima Có garante que o governo quer implantar a coleta seletiva em todo o DF num prazo de seis meses.

De acordo com ela, a coleta seletiva, que hoje é feita pelos servidores do SLU, será realizada também por cooperativas de catadores. E já estão sendo providenciados os locais para implantar os centros de triagem, onde é separado o lixo reciclável.

Atualmente, o material recolhido na coleta seletiva é encaminhado para uma usina de reciclagem, onde os catadores separam por tipo de resíduo. O restante do lixo, explicou a diretora, é dividido: metade é enviada para transformação em composto e a outra metade vai para o aterro sanitário.

Fátima Có avalia que, mesmo sem o hábito de separar o lixo, é possível mudar a mentalidade da população do Distrito Federal. “Sinto que há uma grande receptividade, apesar de as pessoas ainda não pensarem no lixo como responsabilidade delas. Essa conscientização de que todos nós somos responsáveis pelo nosso lixo ainda precisa de uma campanha de orientação”, afirma.

Líderes religiosos conferem mudança climática no Ártico

Enviado em Geral de De Bruyn | 24 de Setembro de 2007 @ 14:21

BBC Brasil

Líderes representando o cristianismo, islamismo, hinduísmo e outras religiões se reuniram em um barco e foram conferir os efeitos danosos do aquecimento global no Ártico.

O grupo ecumênico esteve na Groenlândia junto com cientistas e viu blocos de gelo flutuando na costa, numa indicação de um derretimento mais intenso da cobertura do território dinamarquês.

Segundo os clérigos, o aquecimento global é um assunto religioso e a idéia de que o avanço da humanidade esteja necessariamente associado ao crescimento econômico seria questionável.

“No Alcorão, o critério para o sucesso é poder superar a ambição e o egoísmo”, disse na Groenlândia Musharef Hussain, imã da mesquita de Nottingham, no Reino Unido.

“Um estilo de vida mais comedido pode fazer uma enorme diferença”, disse a teóloga cristã Margaret Barker, que lembrou o conceito de “auto-sacrifício” previsto no cristianismo.

A viagem ocorre em um momento em que Rússia, Estados Unidos, Canadá, Dinamarca e Noruega reclamam sua parte no território polar. Com o derretimento do gelo, torna-se mais fácil explorar as vastas reservas de petróleo do Ártico.

Países adiantam fim de gás nocivo à camada de ozônio

Enviado em Internacional de Raquel Elena | 23 de Setembro de 2007 @ 15:44

EcoInformação/BBC Brasil - (Montreal)

Representantes de cerca de 200 países, reunidos na cidade canadense de Montreal, decidiram adiantar em dez anos o prazo para que o mundo abandone o uso de um dos principais compostos químicos que prejudicam a camada de ozônio.

A decisão se refere às substâncias chamadas HCFCs (hidroclorofluorcarbonos) e abrange tanto a produção quando o uso desses compostos.

A data original para que isso acontecesse era 2040, no caso dos países em desenvolvimento, e 2030, para os países mais ricos. Com a decisão deste sábado, esses prazos parassam a ser 2030 e 2020, respectivamente.

O diretor-executivo do programa de Meio Ambiente da ONU, Achim Steiner, elogiou o acordo, dizendo que “este é talvez o mais importante avanço no processo de negociação internacional sobre o meio ambiente em pelo menos cinco ou seis anos”.

Aquecimento global

A redução do prazo foi anunciada ao fim de uma conferência organizada pela ONU em Montreal para marcar os 20 anos do lançamento, na mesma cidade, de um tratado estabelecendo o fim do uso e produção de CFCs (clorofluorcarbonos) prejudiciais à camada de ozônio, o Protocolo de Montreal.

Os HCFCs são usados em aparelhos de ar condicionado, refrigeradores e outros produtos.

Segundo o acordo, anunciado neste sábado, os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, se comprometeram em cortar a produção e o consumo de HCFCs em 10% até 2010, em 35% até 2020 e em 67,5% em 2025, antes de tirar do mercado o composto.

Segundo a agência Reuters, o governo americano sustenta que o fim do uso dos HCFCs vai ter duas vezes mais impacto do que o Protocolo de Kyoto – nunca ratificado pelos Estados Unidos – no combate ao fenômeno.

“Os governos tiveram uma oportunidade de ouro de lidar com os desafios gêmeos das mudanças climáticas e da proteção da camada de ozônio e aproveitaram essa oportunidade”, disse Steiner.

“O montante preciso e final de gases do efeito estufa não lançados na atmosfera pode chegar a vários bilhões de toneladas.”

Brasil tem 235 projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

Enviado em Nacional de Raquel Elena | 22 de Setembro de 2007 @ 14:17

Por Luana Lourenço - (Agência Brasil)

Brasília - O estabelecimento de metas de redução de gases do efeito estufa, regulado pelo Protocolo de Kyoto, criou um mercado entre as nações ricas – que têm obrigações de redução – e os países em desenvolvimento que atuam como vendedores de créditos de carbono, criados em projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O Brasil tem atualmente 235 desses projetos.

“Até 2012, eles têm potencial para gerar 150 milhões de certificados, considerando uma média de US$ 10 por cada, e isso pode representar um potencial de US$ 1,5 bilhões [por volta de de R$ 3 bilhões]”, calcula o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (Esalq), Marcelo Rocha.

Os projetos de MDL são validados por regras da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos governos; no caso brasileiro, por meio da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima.

De acordo com o pesquisador, o mercado de carbono movimenta 10 bilhões de euros (cerca de R$ 26,5 bilhões) por ano no mundo e, com a aproximação do período de comprovação do cumprimento das metas de Kyoto, entre 2008 e 2012, esse mercado deve se aquecer. O Brasil ocupa a terceira posição entre os vendedores de créditos, atrás de China e Índia.

Dos 781 projetos de créditos de carbono já registrados na ONU, 109 são brasileiros. Segundo Rocha, as iniciativas brasileiras são responsáveis por 16% das 79 milhões de unidades de Redução Certificada de Emissão (RCE) emitidas pelas Nações Unidas.

Os projetos mais comuns são iniciativas de produção de energia renovável, que não emitem gases do efeito estufa. No Brasil, segundo o representante da Ecoinvest, empresa desenvolvedora de projetos de MDL, Marco Mazaferro, “já existem pequenas centrais elétricas que produzem a partir de bagaço de cana, além de projetos em aterros sanitários e instalação de biodigestores em granjas de suínos”.

No mercado há sete anos, Mazaferro avalia positivamente a participação brasileira. “Considerando nossa matriz energética limpa é compreensível que estejamos atrás de China e Índia, que têm matrizes energéticas menos limpas, como carvão, com maior potencial de geração de créditos”, diz.

Na próxima quarta-feira (26), a prefeitura de São Paulo e a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) realizarão o primeiro leilão brasileiro de créditos de carbono, que pode arrecadar cerca de R$ 30 milhões.

Floresta esverdeia mesmo sem receber chuva na Amazônia

Enviado em Regional de De Bruyn | 21 de Setembro de 2007 @ 13:56

Por Eduardo Geraque - (Folha de S. Paulo)

O sistema antiestresse da floresta amazônica, pelo menos na severa seca de 2005, funcionou melhor do que o esperado. Na edição de hoje da revista científica “Science”, pesquisadores mostram como a região, mesmo sem água, registrou um rebrotamento de suas plantas em muitas áreas.

A chuva sumiu, mas mesmo assim a Amazônia ficou mais verde - e não mais seca, como os modelos previam - depois da pior estiagem em 60 anos.

Folha Imagem - Floresta fica mais verde mesmo sem água da chuva.
”O ecossistema não se mostrou negativamente reativo ao estresse hídrico”, afirma em língua de cientista Humberto da Rocha, do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP (Universidade de São Paulo). Ele é um dos autores do artigo.

Entre as várias condicionantes que agem sobre a floresta, o estímulo dado pelo calor e pela radiação acabou sendo mais forte do que a falta d’água. “Isso sugere que a reação ao estresse hídrico pode ser muito menor que pensávamos”, diz Rocha.

Mas a aparente boa notícia não é suficiente para espantar o fantasma da savanização de boa parte da região amazônica, caso o aquecimento médio da temperatura na região seja mais constante.

“O evento de rebrota ocorreu em apenas um período de escassez intensa. Não sabemos o que ocorreria se isso fosse repetido no segundo ano” explica.

Mesmo que as plantas amazônicas sejam preparadas para a falta de água da chuva - algumas espécies, ajudadas por um tipo de solo que retém bastante água, conseguem captar líquido a até 10 metros de profundidade, sem prejuízo vital - tudo acaba tendo um limite.

Segundo Rocha, é bem possível que, no passado, talvez em ciclos seculares, a Amazônia tenha passado por secas semelhantes. Mas o problema, daqui para a frente, é ela ser atingida por fenômenos tão intensos quanto o de 2005 em intervalos de tempo muito mais curtos.

“Secas sucessivas podem fazer com que o reservatório disponível [no solo] se esgote. O mesmo deve ocorrer, e isso os modelos já mostram, com uma estação seca mais prolongada e quente. A demanda aumentaria e o estoque de água chegaria mais rápido ao seu limite.”

Os cientistas ainda não sabem, no entanto, se o esverdeamento após a seca foi apenas “cosmético” ou se ele correspondeu a uma maior assimilação de carbono (pela fotossíntese) na forma de troncos e raízes, ou seja, se as árvores de fato “engordaram” no período.

“Nada garante que a assimilação de carbono pelas plantas tenha aumentado, ou mesmo se mantido, naqueles meses de seca ou mesmo nos períodos seguintes ao evento climático.”

Essa falta de fixação de carbono também enfraquece todo o ecossistema, que ficará bem mais vulnerável ao clima caso as secas amazônicas passem a ser mais constantes.

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