Créditos florestais podem atrair crime organizado, diz Interpol
Reuters
Um esquema da ONU conhecido pela sigla REDD estabelece um mercado para os créditos relativos à preservação e recuperação florestal, já que as matas absorvem gases do efeito estufa quando estão vivas, e liberam carbono quando são abatidas.
“Se você vai comercializar qualquer ‘commodity’ no mercado aberto, está criando uma situação de lucro e prejuízo. Haverá um comércio fraudulento de créditos de carbono”, disse o especialista Peter Younger à Reuters durante uma conferência sobre florestas em Nusa Dua, na ilha indonésia de Bali.
“No futuro, se você está administrando uma fábrica e precisa desesperadamente de créditos para compensar suas emissões, haverá alguém que poderá fazer isso acontecer para você. Absolutamente, o crime organizado estará envolvido.”
Younger propôs que governos, agências multilaterais e ONGs envolvam os órgãos de fiscalização no desenvolvimento do REDD e na luta contra o desmatamento clandestino, que é responsável por cerca de 20 por cento das emissões de gases do efeito estufa da humanidade.
Younger considerou “irônico que eu seja o único policial” não conferência. “Vocês dizem que desejam estabelecer parcerias para tratar da extração ilegal de madeira - com quem? Considerem recorrer aos esforços de fiscalização da lei, e não só depender das ONGs e de outras pessoas bacanas para fazerem isso com você.”
O esquema REDD prevê recompensas financeiras a governos e comunidades por tonelada de CO2 que ficar retida nas florestas, mas a forma de divisão do dinheiro precisa ser definida em cada país. Algumas ONGs temem que governos centrais e regionais possam acabar controlando o dinheiro, deixando pouco para o desenvolvimento das comunidades.
Possíveis fraudes incluiriam a reivindicação de créditos por florestas inexistentes ou desprotegidas, segundo Younger. “Começa com suborno e intimidação de autoridades que podem impedir seu negócio. Aí, se houver nativos envolvidos, há ameaças e violência contra essas pessoas. Há documentos forjados”, acrescentou ele.
Younger disse que o desmatamento ilegal é um problema significativo e crescente, e que as mesmas redes que contrabandeiam madeira também podem ser usadas para o tráfico de mulheres e crianças, drogas, armas e espécies vivas. De acordo com ele, há sinais de que o comércio madeireiro ilegal alimenta conflitos armados.
Brasil, G8 e UE firmam acordo sobre eficiência energética
France Presse
Os estatutos da Associação Internacional para a Cooperação em Eficiência Energética (IPEEC, na sigla em inglês) foram assinados à margem da reunião de ministros de Energia do G8, na qual pediram que os países sigam investindo em energia para evitar problemas de fornecimento e a alta nos preços, em especial do petróleo, ao final da crise econômica.
A iniciativa da IPEEC foi lançada em 2008, sob a presidência japonesa do G8, e “será a plataforma prioritária para compartilhar as experiências de nossos países em matéria de eficiência”, disse o ministro italiano do Desenvolvimento Econômico, Claudio Scajola, anfitrião do encontro.
Scajola destacou algumas “grandes linhas” de cooperação entre os governos signatários: “tecnologias de baixa emissão de dióxido de carbono, investimentos nos setores de construção e transportes, e captação e armazenamento de CO2″.
Sobre o apelo do G8 - Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, França, Itália, Japão, Alemanha e Rússia - para que seja mantido um ritmo de investimentos no setor energético, Scajola defendeu “uma aliança entre as empresas e os Estados visando superar a crise”.
“Os investimentos em novos projetos energéticos e em novas tecnologias foram adiados ou anulados devido à incerteza nos mercados financeiros e à redução da demanda”, observou o ministro italiano. “Mas, quando terminar a crise, haverá o risco de que a oferta de energia seja insuficiente e de que os preços fiquem elevados e instáveis”.
Devido à redução dos investimentos, “há certa preocupação sobre a falta de oferta a médio prazo” e de elevação dos preços, advertiu o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Nobuo Tanaka.
A AIE apresentou em Roma um relatório, segundo o qual os investimentos na prospecção e produção de petróleo e gás caíram 21% este ano em relação a 2008.
Após passar de um recorde absoluto de US$ 147,50, em julho passado, a US$ 32,40, em dezembro, os preços do petróleo estão se recuperando gradualmente desde o início do ano e já superam os US$ 60.
Tanaka admitiu que a demanda de eletricidade cairá em 3,5% este ano, “pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial”.
Segundo o relatório da AIE, os investimentos em energia renovável cairão 38% em 2009, quando para se enfrentar o aquecimento global seria necessário multiplicar por seis as verbas destinadas a novas fontes de energia, e por quatro o investimento na eficiência energética, disse Tanaka.
Minas Gerais é o maior desmatador da floresta atlântica
Por Afra Balazina
Além disso, a taxa anual de desmatamento permanece quase constante por oito anos -de 2000 a 2005 foram ceifados 34,9 mil hectares. De 2005 a 2008, foram 34,1 mil hectares.
Isso mostra que a Lei da Mata Atlântica, aprovada em 2006, ainda não teve eficácia. Segundo a lei, o corte de vegetação primária e secundária só pode ocorrer em casos excepcionais, como para realizar projetos de utilidade pública.
Os dados de desmatamento, da ONG Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, referem-se a 10 Estados, dos 17 que ainda têm o bioma. Logo atrás de Minas na lista de maiores desmatadores estão Santa Catarina e Bahia.
Já no ranking das cidades, as líderes de destruição são Jequitinhonha (MG), Itaiópolis (SC) e Bom Jesus da Lapa (BA).
O cenário é desanimador para a floresta que tem seu dia comemorado amanhã. “Sinaliza que o poder público não tem priorizado o tema. É preciso melhorar a fiscalização'’, afirma Marcia Hirota, diretora da ONG SOS. Ela defende, inclusive, que os Estados adotem metas de redução do desmate.
A área original do bioma está reduzida a 11,4%, se considerados os fragmentos de floresta acima de 3 hectares -quanto menor a área, mais difícil é a sobrevivência das espécies. Mas, se apenas fragmentos com mais de cem hectares forem levados em consideração, o remanescente cai para 7,9%.
Leia a matéria na íntegra no site www.ecoinformacao.com
França e Alemanha fazem apelo por pacto climático flexível
Por Alister Doyle - Reuters
A França disse que a ideia, sugerida durante conversas entre os 17 maiores emissores de gases do efeito estufa incluindo China, EUA, Rússia e Índia, poderia ajudar para que um novo pacto climático da Organização das Nações Unidas seja ratificado em encontro em Copenhague em dezembro.
“Pode haver mais flexibilidade entre a gente”, disse o ministro do Meio Ambiente francês, Jean-Louis Borloo, em coletiva de imprensa no primeiro de dois dias de conversas entre ministros, lideradas pelo presidente norte-americano, Barack Obama, para ajudar em um novo tratado climático.
A França disse na conferência que um novo tratado climático da ONU, que deverá ser aprovado em Copenhague, traria oportunidades econômicas e não prenunciaria uma desaceleração provocada pelos custos energéticos em elevação.
“Copenhague…não é o início de uma recessão, é um novo começo em direção a um desenvolvimento de baixo carbono, sustentável, robusto e gerador de empregos para todos os países do mundo”, disse Borloo na sessão de abertura.
Nas negociações da ONU, países em desenvolvimento liderados por China e Índia acusaram os países ricos de se preocuparem com a recessão e não cumprirem as promessas de assumir a liderança nos cortes do uso de combustíveis fósseis, liberadores dos gases-estufa.
Além disso, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse no domingo que Washington estava atrás da União Europeia nas promessas de combater o aquecimento global, mesmo com Obama planejando reduções maiores do que as previstas pelo seu antecessor, George W. Bush.
“Não acho que seja correto dizer que a Europa esteja propondo muito e os Estados Unidos, pouco”, disse o enviado especial dos EUA para Mudança Climática, Todd Stern, à edição de terça-feira do diário francês Le Monde.
“Se você observa as coisas do ponto de vista do progresso que cada nação terá de fazer para atingir seus objetivos, o nível de esforço dos EUA é provavelmente igual, ou superior, ao da Europa”, afirmou Stern.
Um projeto de lei aprovado por um importante comitê do Congresso na semana passada prevê cortes nas emissões norte-americanas de 17 por cento dos níveis de 2005 até 2020 - pouco abaixo dos níveis de 1990 após um aumento acentuado - e de 83 por cento dos níveis de 1990 até 2050.
A União Europeia prometeu cortar as emissões de forma mais drástica, em 20% abaixo dos níveis de 1990 até 2020, e em 30 por cento se outros países ricos a seguirem.
O objetivo dos cortes é reduzir o aquecimento global, evitando mais ondas de calor, elevação do nível dos oceanos, extinções, inundações e secas.
MMA prevê recuperação de 15 milhões de hectares de Mata Atlântica
Ascom
Minc participou na tarde sexta-feira das comemorações da Semana Nacional da Mata Atlântica 2009, que acontece no Museu Afro Brasil, no Ibirapuera, em São Paulo.. O evento reúne gestores públicos, ambientalistas, técnicos e acadêmicos, que debatem formas de frear as investidas contra o Código Florestal.
No encontro, o ministro reiterou sua luta contra a ofensiva da bancada ruralista e do agronegócio para a flexibilização da legislação ambiental, voltando a criticar as mudanças aprovadas pelo estado de Santa Catarina, que considera um retrocesso nas conquistas do meio ambiente. “O governo está enfrentando muitas batalhas, mas não se furta a elas, umas ganha, outras perde. Queremos ganhar essa guerra com o apoio da sociedade”, salientou Minc.
O ministro anunciou, ainda que o governo pretende simplificar o processo de criação de RPPN - unidade de conservação em área privada com objetivo de conservar a diversidade biológica - e criar incentivos, inclusive financeiros para apoio à demarcação das área.
Comissão da Câmara dos EUA aprova projeto sobre o clima
Tom Doggett e Richard Cowan - Reuters
Com maioria democrata, a Comissão de Energia e Comércio da Câmara aprovou por 33 votos a 25 o plano do presidente Barack Obama para criar um mecanismo “cap and trade” (”limite e comércio”) para as emissões. Essa é uma das prioridades legislativas da Casa Branca neste ano, junto com a aprovação da reforma da saúde.
O deputado Henry Waxman, presidente da comissão, disse que o projeto avançou porque tinha “apoio substancial dos grupos industriais, trabalhistas e ambientais de todo o país”.
Entre as grandes empresas que apoiaram o programa de créditos estão Alcoa, DuPont, Caterpilllar e uma coalizão de empresas do setor elétrico.
O projeto agora passará por outras comissões e deve chegar ao plenário da Câmara até agosto. Democratas dizem que a intenção é sancioná-lo ainda neste ano, mas suas perspectivas no Senado não estão claras.
A Casa Branca espera que haja pelo menos um progresso significativo até dezembro, quando uma reunião da ONU em Copenhague irá definir um novo tratado climático internacional.
Em nota divulgada após a votação na comissão, Obama disse: “Estamos agora um passo mais próximos de cumprir a promessa de uma nova economia de energia limpa, que deixará a América menos dependente do petróleo estrangeiro, reduzirá poluentes e criará milhões de novos empregos em toda a América”.
O projeto de quase mil páginas visa a reduzir as emissões norte-americanas de gases do efeito estufa para 17 por cento abaixo dos níveis de 2005 até o ano 2020, e para 83 por cento abaixo até 2050.
Ele também exige que até 2020 as empresas elétricas gerem 15 por cento da sua produção com fontes renováveis, como a energia solar e eólica.
O núcleo da legislação é o sistema “cap and trade”, pelo qual uma empresa que não atingir sua quota de emissão de poluentes poderia vender o excedente a outras.
Defensores dizem que a aferição de um valor econômico às licenças para as emissões irá estimular as empresas a poluírem menos, pois lucrariam com a venda dos excedentes.
Provavelmente, as licenças iniciais serão concedidas gratuitamente pelo governo.
Durante quatro dias de debate parlamentar, os republicanos da comissão tentaram sem sucesso eliminar o “cap and trade” e obter concessões para o setor da energia nuclear.
Obtiveram, no entanto, benefícios para os setores agrícola, do etanol e do petróleo, ao incluir na medida empréstimos com garantias públicas para ajudar a financiar a construção de canais de distribuição para fontes energéticas renováveis, como o álcool.
Candidatura Rio 2016 plantará árvores para compensar emissões
Efe - Rio de Janeiro
A expectativa é de neutralizar 716 toneladas de CO2 geradas pelos responsáveis do comitê da candidatura carioca entre setembro de 2007, quando o projeto começou, e 2 de outubro deste ano, data na qual o Comitê Olímpico Internacional (COI) escolherá a sede dos Jogos de 2016 entre Rio, Madri, Tóquio e Chicago.
As árvores serão plantadas na serra do Parque Estadual da Pedra Branca e em áreas próximas as algumas instalações que serão utilizadas nos jogos caso a cidade seja escolhida, como o parque aquático Maria Lenk e o complexo esportivo de Deodoro.
Para calcular a quantidade de gases lançados na atmosfera, foram levadas em conta as despesas em eletricidade e materiais, além de dados como os 5,3 milhões de quilômetros que os membros do comitê percorreram em voos nacionais e internacionais para divulgar a candidatura olímpica do Rio.
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, explicou em comunicado que estas ações fazem parte do “plano estratégico” da cidade para proteger a natureza com a realização dos Jogos.
Uma das propostas do relatório de candidatura prevê a plantação de cerca de três milhões de árvores em “áreas estratégicas” da Floresta da Tijuca, a maior floresta urbana do mundo, situada no coração do Rio.
Suécia cria parque para reprodução de ursos polares
Associated Press
Os ursos Ewa e Wilbaer tornaram-se os primeiro residentes do Mundo Polar do Parque Orsa Gronklitt. Eles vieram de zoológicos em Roterdã e Stuttgart, respectivamente.
O executivo-chefe Torbjorn Wallin disse esperar que eles acasalem e aumentem a população do parque. Ele afirma que o parque tem espaço para até 15 ursos, e que planeja acasalar animais para outros zoológicos europeus.
O Fundo Mundial da Natureza (WWF) diz que os ursos polares não são uma espécie ameaçada, mas que correm risco por conta do aquecimento global.
Minc participa de lançamento de carro 100% elétrico no Rio
Por Fabiana Cimieri - O Estado de S. Paulo
“O processo de criação de reserva exige uma conversa com os governos e com (o Ministério de) Minas e Energia. Em algumas o MME diz que tem minério, então estamos vendo se tem ou não, numa delas tiramos um pedacinho, demarcamos áreas que não incompatibilize a construção de uma hidrelétrica, se os seringueiros, os castanheiros estão usando para o extrativismo, isso realmente é lento”, afirmou Minc.
Ele ressaltou que, em quase um ano no ministério, já conseguiu aprovar a criação de cinco milhões de hectares de reserva e que, no próximo dia 5, o presidente Lula assinará o decreto criando novas unidades de conservação na Bahia e no Ceará, entre outras.
De acordo com o ministro, não basta criar reservas, é preciso protegê-las. Ele lembrou que, ao assumir a pasta, 52 unidades de conservação não tinham nenhum funcionário e que, das 56 reservas extrativistas, só três tinham plano de manejo. “Hoje todas elas têm pelo menos dois ou três funcionários e encomendamos cem planos de manejo que estão ficando prontos”, disse Minc, acrescentando que o ministério também está firmando convênio com Estados e municípios para a congestão de áreas de reserva.
Projeto polêmico sobre terras na Amazônia avança no Congresso
Efe
O projeto foi aprovado pela Câmara no final da noite de ontem, ao mesmo tempo em que cerca de 30 senadores realizavam uma vigília em defesa da Amazônia junto a ativistas de ONGs, que terminou na manhã de hoje.
A senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente, disse que “o Senado terá sua oportunidade para reparar o que não foi aprovado na Câmara dos Deputados, evitando consequências nefastas para a Amazônia”.
A lei foi proposta pelo governo federal e propõe a regularização de terrenos com até 1.500 hectares que foram ocupados na Amazônia antes de 2004.
A proposta original inclui firmes compromissos para os que receberem os títulos de propriedade. Eles seriam obrigados a recuperar as áreas já desflorestadas e teriam limites para novas derrubadas de árvores.
No entanto, a chamada “bancada rural” amenizou tais obrigações no projeto e, além disso, acrescentou um artigo que estabelece que o governo deve indenizar os fazendeiros que perderem a propriedade no caso de descumprimento das leis ambientais.
O projeto agora inicia um difícil trâmite no Senado, no qual deverá passar por três comissões antes de chegar ao plenário para o debate definitivo.
O secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, Roberto Mangabeira Unger, defendeu hoje o projeto original e afirmou que “não haverá desenvolvimento [na Amazônia] sem preservação”.
Mangabeira Unger afirmou que “é necessário fazer tudo ao mesmo tempo” e observou que “o problema prioritário é o controle da terra”.
Segundo o secretário, apenas 4% das terras amazônicas que estão em mãos privadas estão devidamente regularizadas.