Energia no país ficou 30% mais suja, diz ministério
Por Marta Salomon - Folha de S.Paulo
O estudo indica as termelétricas como próximo alvo da política de redução de emissão de gases de efeito estufa, ao lado dos transportes, da indústria e do desmatamento. Também acende um sinal amarelo em relação às ambições do Brasil de posar como potência verde nas negociações do clima em Copenhague, em dezembro
“Nossa matriz energética ficou mais suja”, comentou o ministro Carlos Minc ao divulgar as estimativas de emissões de CO2 pela queima de combustíveis fósseis e processos industriais. “Os dados ainda estão muito bons, comparados ao resto do mundo, mas a direção é ruim”, destacou. Entre 1994 e 2007, a geração de energia elétrica no país cresceu 71%, enquanto as emissões de carbono na geração aumentaram 122%.
O percentual de aumento supera o registrado pelo setor de transportes, o que mais queima combustíveis fósseis no Brasil.
Para ajudar a reduzir as emissões deste setor –que cresceram 56%, sobretudo devido a veículos movidos a diesel– o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) votará na semana que vem novos limites de emissões para os carros de passeio e camionetes fabricados a partir de 2013.
Uma resolução em estudo no Conama exigirá a inspeção veicular em todo o país. Hoje só o Estado do Rio de Janeiro e o município de São Paulo fazem esse tipo de controle. “São necessárias medidas para conter as emissões em outros setores e não apenas pelo desmatamento”, observou o ministro.
As termelétricas deverão ocupar cada vez mais a matriz energética relativamente limpa do Brasil. O Plano Decenal de Energia do governo prevê a construção de 66 térmicas movidas a combustíveis fósseis.
Apesar disso, Minc afirmou que a exigência de compensar o lançamento de CO2 na atmosfera pelas usinas é objeto de negociação no governo e deverá ser atenuada. “Tem aquela queda de braço e estamos negociando: a exigência de plantar árvores aumenta o custo dos empreendimentos”, ponderou. Em maio, ele dissera à Folha que não abriria mão da compensação: “Não tem volta”.
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Governo estuda criar bolsa-floresta para custear preservação
Por Lisandra Paraguassú - O Estado de S.Paulo
O argumento é que a floresta em pé tem um valor que pode ser calculado pelo que ela deixa de emitir de CO² e quem a preserva pode receber por isso e ainda saber de antemão com qual recurso contará. A ideia base, preparada para o MMA pelo engenheiro florestal Tasso Azevedo, está sendo discutida com o Ministério da Fazenda.
“A intenção é simplificar muito o processo. Um sistema de transferência de recursos como esse pode empoderar quem está lá na ponta, gerindo a floresta”, explica Tasso. A proposta parte da ideia da criação de um estoque nacional de carbono não emitido. Cada tonelada teria um valor mínimo, a ser calculado pelo governo, que seria revertido a quem preservou.
Isso não significa que o governo teria que pagar a todos que deixassem de desmatar. Ao final de um ano, uma empresa ou associação que tivesse um crédito poderia vendê-lo em um futuro mercado internacional de créditos de carbono, se obtivesse um preço além do mínimo estabelecido pelo governo. Mas, uma família que dificilmente teria acesso sozinha a esse mercado também poderia receber pela preservação.
Um exemplo pode ser uma família de assentados no interior da Amazônia. Na proposta preparada pelo MMA, se ela mantiver a área de mata nativa intacta na sua propriedade, terá direito, no final de um ano, a um valor determinado que poderá ser transferido, por exemplo, por um cartão magnético do tipo usado no Bolsa-Família.
A proposta apresentada à equipe econômica mantém, também, a ideia de um valor mínimo a ser recebido pela família que preservar, independentemente do tamanho da terra que possui. Isso seria o equivalente a 400 toneladas de carbono, um crédito mínimo que, se for mantido o preço usado para cálculo, de R$ 10, poderia representar R$ 4 mil ao final de um ano. A cada hectare desmatado, no entanto, o proprietário da terra receberia um pouco menos desse valor.
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‘Gás hilariante’ passa a ser principal ameaça ao ozônio
Reuters
O estudo, realizado pela Administração Nacional de atmosfera e Oceano (NOAA) dos EUA, diz que limites mais estritos para as emissões do gás, que também é um poderoso agente do efeito estufa, seria uma situação “ganha-ganha para o ozônio e para o clima”.
“A emissão de óxido nitroso é atualmente a mais importante emissão individual que ataca o ozônio”, escrevem os pesquisadores na edição desta semana da revista científica Science.
O óxido nitroso superou os clorofluorcarbonos, que estão sendo abandonados de acordo com o Protocolo de Montreal, firmado pela ONU em 1987, depois que se descobriu que eles causavam o afinamento da camada da atmosfera que protege a superfície dos raios ultravioleta do Sol.
Cerca de 10 milhões de toneladas de óxido nitroso a cada ano - um terço das emissões totais - vêm de atividades humanas, incluindo fertilizantes, combustíveis fósseis, esterco de gado e indústria química. O uso Amis conhecido do gás talvez seja como anestésico.
Deputados vetam emenda da MP 462 que dispensava rodovias de licenciamento ambiental
Greenpeace/EcoAgência
A MP 462, votada na quarta-feira (19/06), continha uma perigosa “emenda contrabando” que dispensaria a BR 319, assim como outras rodovias federais incluídas no Plano Nacional Viário, de licenciamento ambiental. Por 193 votos contra 164 o artigo foi retirado do texto da MP, que trata de apoio financeiro aos municípios. Essa foi a segunda tentativa de aprovar a medida. A primeira foi feita por meio da MP 452 que, de tão polêmica, perdeu a validade antes de ser votada pelo Senado.
“Essa emenda foi parte de uma estratégia para viabilizar a construção da BR 319 a qualquer custo. O licenciamento ambiental é um ponto forte da legislação ambiental brasileira e não pode ser anulado em prol de projetos políticos.”, disse Raquel Carvalho, ecóloga do Greenpeace. Desde junho, o licenciamento da BR-319, um dos principais projetos do PAC, está suspenso, aguardando que o estudo de impacto ambiental (EIA) seja complementado conforme exigido pelo IBAMA. Somente após nova análise do EIA, o processo será retomado.
Para pavimentar da BR-319 e fortalecer sua candidatura ao governo do Amazonas, o Ministro Alfredo Nascimento vem usando todas as estratégias possíveis. Em 2005, tentou iniciar as obras sem estudo de impacto. Com a obrigatoriedade de licenciamento, passou a atacar o Ministério do Meio Ambiente e buscar novas maneiras de emplacar seu projeto. “Essa importante vitória para a Amazônia só não será comemorada pela bancada do Amazonas no Congresso que, exceto por um único parlamentar, votou em peso pela aprovação da medida”, completa Raquel.
África quer US$ 67 bi por ano contra aquecimento global
Reuters - (Adis Abeba)
Dez líderes mantêm discussões na sede da União Africana, na capital etíope, para buscar uma posição comum que seja levada à cúpula climática de dezembro em Copenhague.
Especialistas dizem que a África contribui pouco para a poluição responsável pelo aquecimento, mas deve ser a região mais atingida por secas, inundações, ondas de calor e elevação do nível dos mares caso a mudança climática não seja controlada.
A proposta, que ainda deve ser aprovada pelos dez líderes, diz que a falta de coordenação entre os governos do continente tem sido um sério entrave à capacidade da África para participar das negociações climáticas.
“A equipe de negociação precisa ser apoiada com o peso político no mais alto nível no continente, para garantir que a voz africana a respeito das negociações da mudança climáticas seja tratada com a seriedade que merece”, disse o documento.
Há alguns meses, o primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, pediu aos países ricos que compensem a África pelo aquecimento, alegando que a poluição no Hemisfério Norte pode ter causado as desastrosas ondas de fome no seu país na década de 1980.
Em maio, um estudo encomendado pelo Fórum Humanitário Global, de Genebra, disse que os países pobres podem arcar com mais de 90% dos efeitos humanos e econômicos da mudança climática.
Os 50 países mais pobres do mundo, no entanto, contribuem com menos de 1% das emissões globais de dióxido de carbono, o principal dos gases do efeito estufa, segundo o relatório.
A África, segundo esse estudo, é a região mais ameaçada, e 15 dos 20 países mais vulneráveis ficam no continente. O Sul da Ásia e pequenos países insulares em desenvolvimento também estão bastante ameaçados.
Os países pobres querem que os ricos assumam metas mais ambiciosas de redução das emissões de gases do efeito estufa e que transfiram dinheiro e tecnologia para ajudar na mitigação das mudanças climáticas nas nações em desenvolvimento.
Alemães inauguram rota marítima aberta pelo efeito estufa
Reuters
O presidente e CEO da Beluga Shipping GmbH, Niels Stolberg, disse que os navios Beluga Fraternity e Beluga Foresight deixaram o porto russo de Vladivostok na histórica jornada, com carga sul-coreana destinada á Holanda.
O derretimento do gelo no ártico abriu a chamada Passagem de Nordeste e permitiu o uso da rota pelos navios, disse Stolberg. A Beluga é a primeira empresa de fora da Rússia a obter autorização de Moscou para usar a passagem.
A rota pelo Oceano Ártico corta 4.000 milhas náuticas da tradicional viajem de 11.000 milhas pelo Canal de Suez, o que permite uma significativa economia de dinheiro e combustível, disse ele.
“Submarinos e quebra-gelos russos já haviam usado a Rota do Norte antes, mas ela não estava a Berta para tráfego comercial regular porque havia muitas áreas com gelo espesso”, disse Stolberg.
“Foi apenas no verão passado que imagens de satélite revelaram que o gelo está derretendo e que um pequeno corredor havia sido aberto, o que permitira a navegação comercial pela Passagem de Nordeste”.
Stolberg disse que Beluga estava ansiosa, já no ano passado, para enviar navios pela rota durante a janela de seis a oito semanas em agosto e setembro, quando as temperaturas na região sobem o bastante para abrir um corredor no gelo.
Mas eles não conseguiram obter as autorizações necessárias das autoridades russas a tempo.
Europa desvenda primeira grande fraude com crédito de CO2
Associated Press
Mercado de carbono segue dinâmico, mas aguarda EUA
As prisões confirmaram temores de que estelionatários - operando nos pregões da Europa e nas florestas tropicais - estão sendo atraídos para um mercado que já movimenta mais de US$ 100 bilhões.
Até poucos anos atrás, dióxido de carbono era apenas o gás que se exala na respiração. Hoje, é tratado como um poluente emitido na queima de combustíveis fósseis e que requer regulamentação, o que faz da permissão para produzi-lo uma mercadoria que pode ser negociada como ouro, petróleo ou soja.
O comércio de autorizações de CO2 cresceu exponencialmente desde que a União Europeia passou a exigir que milhares de empresas passassem a limitar suas emissões dentro de metas específicas. Quem ultrapassa o teto pode comprar créditos de empresas que se mantiveram abaixo da meta. O preço médio para a emissão de uma tonelada de carbono, neste ano, está em US$ 15.
Esse mercado vai ficar muito maior se o Congresso dos EUA aprovar seu próprio mecanismo de metas e comércio. E crescerá mais ainda se o novo acordo da ONU para a mudança climática vier a prever incentivos financeiros para que países tropicais protejam suas florestas.
Na quarta-feira, 19, 130 agentes alfandegários britânicos deram batidas em 27 imóveis da região londrina com base em evidências de uma “fraude carrossel” que, acredita-se, roubou 38 milhões de libras, ou US$ 68 milhões, dos cofres públicos, em impostos sonegados. Sete homens e duas mulheres foram presos.
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Julho foi mês mais quente para o oceano
Associated Press
A temperatura média da água foi de 17ºC, segundo o Centro Nacional de Dados Climáticos dos EUA –0,6ºC acima da média do século 20.
E em agosto ela pode subir ainda mais. O recorde anterior havia sido julho de 1998, o ano mais quente da história.
Dois fatores principais explicam a anomalia: o início de um El Niño no Pacífico e o aquecimento global, além de uma série de variações aleatórias.
A maior elevação de temperatura foi no Ártico, que ficou até 5,5ºC acima da média. Isso pode acelerar ainda mais o degelo na região. Nos trópicos, a água mais quente poderia também servir de combustível para furacões.
Temperaturas altas no mar são um sinal mais grave de mudança climática que as do ar, já que o oceano responde mais devagar ao efeito estufa.
Pesquisa pretende descobrir o potencial de fibras naturais de plantas amazônicas e cubanas
Por Danielle Jordan - AmbienteBrasil
O estudo faz parte de um protocolo de cooperação assinado entre os países em 1996, para estimular as pesquisas e o intercâmbio. Entre as vantagens apontadas pelo desenvolvimento das fibras naturais está a biodegrabilidade, segundo informações da UEA.
O projeto apóia cinco teses de doutorado da Escola Superior de Tecnologia da UEA e envolve no total 16 pesquisadores, com investimento de quase R$ 150 mil pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Segundo o coordenador do Departamento de Tecnologia de Construção de Maquinarias da Faculdade de Engenharia Mecãnica (ISPJAE) e professor visitante da UEA, José Luis Valin, serão realizadas caracterizações de vários tipos de fibras naturais de forma integrada entre os dois países para a obtenção de materiais com melhores prestações e avaliações das suas propriedades.
*Com informações da UEA
Fiocruz incentiva cultivo de plantas medicinais no Rio para uso popular
Sérgio Rangel - Folha de S.Paulo
Cerca de cem famílias, que viviam apenas do cultivo de caqui e banana, na zona oeste, estão sendo preparados para diversificar a produção. Nos próximos meses, eles começarão a plantar guaco (para doenças respiratórias), espinheira-santa (problemas de estomacais) e canjiru (para fins dermatológicos).
O projeto faz parte do programa nacional de plantas medicinais e fitoterápicos, coordenado pelo Ministério da Saúde e aprovado em dezembro do ano passado.
O programa pretende garantir aos consumidores acesso seguro e uso racional de plantas medicinais, além de promover o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional entre outras coisas. O trabalho no Rio quer dar qualidade para a produção nacional.
“Queremos oferecer insumo de qualidade para as indústrias farmacêuticas, as farmácias de manipulação e o SUS [Sistema Único de Saúde], além de dar mais uma opção para os agricultores gerarem renda”, diz a bióloga Sandra Magalhães, coordenadora do projeto. O início da produção no Rio com a qualidade da Fiocruz está previsto para o final de 2010. Atualmente, pesquisadores e produtores discutem formas de implantação do trabalho.