Nações pobres precisam de bilhões para enfrentar clima
Por Pete Harrison - Reuters
Dessa quantia, entre 22 a 50 bilhões de euros precisariam vir de fontes públicas, acrescentou Reinfeldt, cujo país se mantém na presidência da UE até o fim do ano.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que França, Alemanha e Brasil estão trabalhando para propor uma iniciativa conjunta para as conversações sobre clima em Copenhague.
Ambientalistas condenam indefinição da UE sobre Copenhague
Associated Press
Ambientalistas condenaram o bloco de 27 nações pelo fracasso em apresentar uma definição concreta que pudesse pressionar os maiores poluidores do mundo, EUA e China, a cortar suas emissões de gases causadores do efeito estufa quando o novo tratado sobre o assunto for negociado em Copenhague, em dezembro.
O dinheiro seria usado para encorajar os países pobres a consumir menos energia e a usar mais fontes renováveis, protegendo florestas que podem absorver quantidades significativas de dióxido de carbono.
Líderes europeus disseram, em nota, que todos os países agora precisam “injetar novo impulso” nas conversações emperradas para um pacto que possa impedir as temperaturas globais de subir mais de 2º C acima dos níveis pré-industriais.
A cúpula de Copenhague é vista como um divisor de águas para a luta contra a mudança climática e de cooperação global, e há anos que a UE desafia outras potências a assumir compromissos ambiciosos.
Com as negociações do tema no Congresso americano arrastando-se, os países pobres esperavam que a Europa definisse um padrão de compromisso e desafiasse outros países ricos a atingi-lo.
O executivo da UE sugeriu, em setembro, que os países do bloco dessem US$ 22 bilhões ao ano, de 2013 a 2020. Os líderes dos países do bloco não endossaram o número nesta sexta-feira.
A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a Europa deveria contribuir com cerca de um terço do fundo, mas não citou números.
Defensores do financiamento do combate ao efeito estufa, como Reino Unido e Suécia, tiveram de se curvar a países mais pobres do Leste Europeu, que hesitam em comprometer recursos com ajuda internacional.
As organizações Oxfam e Amigos da Terra disseram que o compromisso europeu está longe do necessário, e que Europa e estados Unidos deveriam doar pelo menos US$ 52 bilhões ao ano ao fundo, cada um.
Câmara aprova projeto que cria fundo sobre mudanças climáticas
Agência Brasil
Pelo texto aprovado, que depende ainda de apreciação do Senado, parte dos recursos do fundo virá da cota de 10% que cabe ao Ministério do Meio Ambiente no rateio da participação especial das empresas petrolíferas.
O fundo para financiar as ações de adaptação à mudança climática e outras do setor serão administrados por um comitê gestor vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Ele será formado por seis representantes do Executivo e cinco do setor não-governamental.
Na terça-feira (27), a Câmara já havia aprovado o projeto que trata da questão de políticas do clima. Os projetos, segundo a avaliação dos deputados, vão possibilitar que o Brasil participe da reunião de Copenhague, na Dinamarca, no fim do ano, com propostas concretas sobre as políticas para a área ambiental.
Acordo robusto sobre clima ainda é possível em 2009, aponta ONU
Por Alister Doyle - Reuters
Nos Estados Unidos, um comitê do Senado continua com as audiências sobre um projeto que prevê o corte das emissões de gases do efeito estufa. Mas reduziram-se as esperanças de que alguma lei norte-americana seja colocada em prática nos EUA antes das negociações envolvendo 190 países, de 7 a 18 de dezembro, na Dinamarca.
“O tempo está terminando”, disse Yvo de Boer, chefe do Secretariado de Mudança Climática, da ONU, em entrevista à imprensa por telefone.
As conversações da ONU foram lançadas em 2007 e a última rodada antes da reunião de Copenhague será realizada em Barcelona, na Espanha, na semana que vem.
Yvo de Boer rejeitou insinuações de que as grandes decisões poderão ser adiadas para 2010 e afirmou que Copenhague é “uma rara janela de oportunidade” para um acordo que inclua cortes profundos em emissões de gases do efeito estufa por parte de nações ricas.
Ele disse que apenas os detalhes deveriam ser deixados para 2010.
“Acredito que Copenhague pode e deve definir as essências políticas” para uma resposta de longo prazo sobre o aquecimento global, disse ele.
“O que tem de ficar totalmente claro é que nós não temos um outro ano à nossa disposição para nos reunirmos antes do México”, onde as próximas conversações anuais da ONU serão realizadas, depois de Copenhague.
Nações ricas e pobres estão estancadas na questão de como partilhar a carga da contenção das emissões e na ajuda para custear um acordo. Alguns países dizem ser provável que haja mais negociações duras em 2010 se a cúpula de Copenhague terminar somente com um acordo político de cumprimento não obrigatório.
Em Xangai, na China, o enviado especial dos EUA para mudanças climáticas, Todd Stern, disse que seu país não espera chegar a um acordo com a China na questão do aquecimento global quando o presidente norte-americano, Barack Obama, visitar Pequim, no mês que vem.
Um acordo entre a China e os EUA –os maiores emissores, respondendo por cerca de 40 por cento dos gases do efeito estufa– poderia ajudar a destravar um acordo em Copenhague.
“Copenhague pode ser um sucesso”, disse ele. “Há um acordo a ser feito, mas isso não significa que possamos consegui-lo.”
Países em desenvolvimento, liderados pela China e Índia, querem que as nações ricas cortem até 2020 suas emissões para pelo menos 40 por cento a menos do que os níveis de 1990 - muito mais do que as reduções analisadas pelo Senado norte-americano - para evitar o agravamento das secas, inundações, incêndios florestais e elevação dos mares.
(Reportagem adicional de Richard Cowan em Washington, Rujun Shen e David Stanway em Xangai e James Grubel em Canberra)
Consciência ambiental chega ao setor de brinquedos eróticos
Por Paula Gil - Efe - (San Francisco)
Nos Estados Unidos, a revolução verde está chegando ao “setor do sexo” e a venda de artigos ecológicos e que fazem bem à saúde cresce na medida em que aumenta a consciência ambiental dos consumidores.
Lubrificantes orgânicos, algemas feitas de materiais reciclados, preservativos vegetarianos - sem proteínas animais em sua fabricação - e brinquedos eróticos feito de madeira são a última moda em um setor que movimenta US$ 15 bilhões anuais em todo o mundo.
Só com óleos lubrificantes, os estabelecimentos americanos do setor faturaram mais de US$ 82 milhões no ano passado. Mas muitos de seus usuários não sabem que estes produtos contêm substâncias químicas poluentes, como as encontradas em anticongelantes.
A fabricação dos brinquedos eróticos comuns também não tem nada de sexy. Alguns deles levam uma substância química chamada ftalato, que torna o plástico mais flexível, mas é proibida na Europa e no estado americano da Califórnia, por causar problemas ambientais.
De mesma forma que um consumidor responsável se informaria sobre o material utilizado na fabricação dos produtos que consome, os usuários de artigos eróticos estão começando a ser mais conscientes do que compram.
Alliyah Mirza, fundadora da empresa Earth Erotics, uma das líderes do setor erótico ecológico, assegura que a demanda por seus produtos não para de crescer.
“Vimos um aumento da demanda nos últimos meses, assim como um crescimento exponencial desde que abrimos, há três anos”, disse Alliyah.
“Os consumidores responsáveis compram comida orgânica e tomam outras decisões em suas compras baseadas no impacto em sua saúde ou no ambiente. Por isso, é natural que a tendência tenha saltado para o campo dos brinquedos para adultos”, acrescentou.
Entre os produtos mais vendidos pela Earth Erotics estão os lubrificantes orgânicos e os brinquedos eróticos feitos de vidro, que podem chegar a custar até US$ 100, dependendo do modelo.
“A Earth Erotics Glass é uma das linhas de brinquedos para adultos mais ecológicas e seguras do mercado”, disse Alliyah. “O vidro não só é lindo, mas é um material completamente natural e reciclável”, destacou.
Os métodos anticoncepcionais naturais também estão de popularizando entre os defensores do “sexo ecológico”, mas não por razões morais ou religiosas.
Muitos de seus defensores argumentam que o tradicional método Ogino-Knaus, conhecido também como o do calendário ou da tabelinha -por meio da abstinência em determinados dias do ciclo menstrual - é a única forma de evitar a ingestão de produtos químicos e do descarte de toneladas de preservativos, que acabam à deriva em rios e praias.
A justificativa é aproveitada por algumas congregações religiosas dos EUA, que destacam as virtudes ecológicas do método em seus cursos pré-matrimoniais, segundo pessoas que assistem a estas aulas.
No entanto, apesar de este método anticoncepcional tirar de nossas cabeças a preocupação sobre quanto tempo um preservativo leva para se biodegradar, sua pouca confiabilidade pode tirar nosso sono por outros motivos.
Leia a matéria na íntegra no site www.ecoinformacao.com
ONU já fala em negociações ‘pós-Copenhague’ do efeito estufa
Reuters
Durante meses, o secretário-geral Ban Ki-moon e outras altas autoridades da ONU pediram que países industrializados e emergentes superassem suas diferenças para “fechar o negócio” e obter um acordo com força de lei em Copenhague.
Mas, mais recentemente, autoridades das Nações Unidas e diplomatas vêm comentando que um acordo do tipo é improvável no cronograma de Copenhague. Tem sido sugerido que o máximo que se pode esperar da cúpula é uma declaração genérica.
O conselheiro de Ban para o meio ambiente, Janos Pasztor, deixou claro que o secretário já se prepara para o “pós-Copenhague”.
Ele disse que Ban acredita que é preciso “continuar a visar a um acordo ambicioso e politicamente forte em Copenhague, que mapeie a rota para futuras negociações pós-Copenhague que levem a um acordo global com força de lei”.
Dia Mundial de Ação Climática tem eventos no Brasil
Estadão.com.br
O dia de atividades foi articulado, via internet, pelo grupo 350.org, que tira o nome da concentração de dióxido de carbono na atmosfera - 350 partes por milhão (ppm) - considerada segura, por cientistas, em termos da estabilidade do clima terrestre. A concentração atual é de 385 ppm.
Participantes e organizadores de eventos locais são encorajados a enviar fotos e vídeos da mobilização para o site 350.org. Esse material será exibido em telões, em Nova York, a partir das 13h30 da tarde de sábado (horário de Brasília). Ações podem ser localizadas pelo site do movimento, que conta com uma versão em português.
Várias cidades brasileiras contam com eventos programados. Rio de Janeiro aparece na relação do site com nove, Brasília com quatro, Porto Alegre e Recife, com três cada.
União Europeia quer cortar as emissões de aviões e navios
Folha de S.Paulo
A proposta será apresentada aos outros países na conferência do clima de Copenhague, que acontecerá em dezembro.
As emissões de aviões e barcos não entraram no Protocolo de Kyoto, o acordo internacional de proteção do clima cujo primeiro período de compromisso expira em 2012.
Aviões e barcos geram, juntos, pelo menos 5% das emissões globais de CO2, mas esse valor está subindo rápido. Segundo Pete Lockley, da ONG WWF, se nada for feito, os dois setores responderão por até dois terços das emissões de gases-estufa em 2050. Por isso, a UE propõe que eles estejam incluídos no novo acordo.
Os setores sabem que terão de cortar emissões, mas tentam adiar os compromissos. Uma das propostas do setor naval é ter “crescimento neutro em carbono” a partir de 2020. Segundo Lockley, isso significa “não fazer nada até 2020″.
A decisão sobre aviões e navios foi uma tentativa de sanar a discórdia que surgiu no bloco anteontem, depois que ministros de Finanças não conseguiram acordo sobre como dividir o ônus do financiamento ao combate às mudanças climáticas nos países pobres.
Os países que receberiam a ajuda dizem que não podem cortar suas emissões sem ajuda das nações industrializadas, que ficaram ricas enquanto poluíam a atmosfera.
Por outro lado, na terça-feira, nove dos países mais pobres da Europa, liderados pela Polônia, pediram que a sua situação econômica fosse levada em conta antes que a UE concorde em oferecer quase R$ 40 bilhões em ajuda aos países em desenvolvimento.
Carta do Greenpeace a Lula chega ao topo do Twitter no Brasil
Estadão.com.br
A organização está recolhendo desde janeiro assinaturas para uma petição que exige do governo três metas climáticas. Segundo o coordenador da campanha, João Talocchi, o Greenpeace conseguiu até agora mais de 70 mil assinaturas, cerca de metade pelo site do órgão. As demais foram coletadas em mobilizações de rua e durante a expedição de um navio do Greenpeace pela costa brasileira.
O abaixo-assinado propõe um conjunto de metas que, segundo a organização, o Brasil deveria adotar, como zerar o desmatamento da Amazônia até 2015.
Talocchi diz que o número bom, mas que as autoridades brasileiras ainda não deram um parecer sobre o documento. Mas ele afirma que o governo está se reunindo de novo para ampliar os compromissos já assumidos. “Se isso é reflexo ou não da campanha, não podemos dizer, mas evidencia as ações de movimentos da sociedade”.
Até o final da tarde, o Ministério do Meio Ambiente não havia se manifestado sobre o assunto.
Leia a íntegra do documento:
Exmo. Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
Venho, por meio desta, exigir que o governo brasileiro assuma a liderança nas negociações da 15ª Conferência das Partes da ONU, em Copenhagen, na Dinamarca e se comprometa a:
- Zerar o desmatamento da Amazônia at 2015 e apoiar a criação de fundo financeiro internacional para apoiar este objetivo (mecanismo Florestas pelo Clima);
- Garantir que pelo menos 25% da eletricidade sejam gerados a partir de fontes renováveis de energia como vento, sol, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas at 2020, e apoiar a transferência de tecnologia entre os países;
- Transformar pelo menos 30% do território costeiro-marinho do Brasil em áreas protegidas at 2020;
Senhor presidente, independente do histórico do Brasil como emissor de gases estufa, o país deve assumir sua responsabilidade.
Podemos continuar nos desenvolvendo e gerar emprego e renda sem contribuir para o aquecimento global, o maior desafio já enfrentado pela humanidade.
Salvar o planeta agora ou agora!
Como se salva um animal da extinção?
Por Thais Sant’Ana - Revista superinteressante
“A quantidade de animais brasileiros ameaçados só aumentou porque ampliamos nosso radar. Muitas deixaram a lista”, diz Daniela Oliveira, responsável por conservação de biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. Cada caso é um caso. O governo chinês não dava bola para o urso panda, e foi preciso que uma ong topasse o desafio.
O falcão de Maurício precisou que outras aves chocassem seus ovos, e o elefante africano foi salvo porque o marfim caiu na ilegalidade. Seja como for, é importante saber que décadas de política ambiental produziram resultados.
1. URSO PANDA

PROBLEMA: Seu habitat, a selva de bambus, murchou com a urbanização acelerada da China.
SOLUÇÃO: A ong WWF criou projetos para ensinar a população a conviver com a espécie sem ameaçá-la.
2. CONDOR DA CALIFÓRNIA

PROBLEMA: Ocupação dos morros e poluição.
SOLUÇÃO: As aves tiveram de ser capturadas para criação em cativeiro. A população, ainda pequena, é aos poucos reintroduzida na natureza.
3. BÚFALO AMERICANO

PROBLEMA: A conquista do Oeste.
SOLUÇÃO: Foram criadas reservas para os remanescentes, mas a ameaça só foi afastada quando se adotou a criação intensiva de búfalos em cativeiro.
4. ELEFANTE AFRICANO

PROBLEMA: Caça predatória para extração do marfim - pra quem não sabe, vem das suas presas.
SOLUÇÃO: Proibição do comércio de marfim em vários países, além de muitas campanhas de preservação.
5. FALCÃO DE MAURÍCIO

PROBLEMA: Espécies invasoras.
SOLUÇÃO: Um pesquisador pôs um casal para cruzar no cativeiro, aumentou a fertilidade da fêmea e ainda importou falcões europeus para ajudar a chocar ovos.
No Brasil
6. VEADO-CAMPEIRO

PROBLEMA: Caçado por espalhar febre aftosa, era, na verdade vítima dela.
SOLUÇÃO: Depois que recebeu um espaço especial no Parque Nacional das Emas (GO), outros estados seguiram o exemplo.
7. MICO-LEÃO-DOURADO

PROBLEMA: Seu habitat, a mata Atlântica, é extremamente ameaçado.
SOLUÇÃO: Reservas maiores, que prevejam o seu deslocamento. A meta é, até 2025, estabelecer 2 mil animais em liberdade.
8. JACARÉ-DE-PAPO AMARELO

PROBLEMA: Outra vítima da destruição da mata Atlântica.
SOLUÇÃO: Em parte, preservou-se sozinho, fugindo para longe do litoral. E surgiram vários criadouros. Em Maceió tem um com 5 800 animais.
Fontes: União Internacional de Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, Ministério do Meio Ambiente, Associação Mico-Leão-Dourado, World Wildlife Fund e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais.